
Uma crise às avessas. As Bolsas disparam nos quatro cantos do mundo e a crise econômica se alastra em proporções geométricas, ameaçando empresas que ninguém nunca desconfiaria que pudessem quebrar. O medo é tão grande que muitos empresários certamente prefeririam não entrar em 2009, um ano que já começou mal falado, antes mesmo de começar.
No início da crise, o presidente Lula disse que ela não chegaria ao Brasil. Em seguida, se corrigiu, pedindo precaução às pessoas. Disse para ninguém comprar nada se já estiver endividado. Mas também disse que as pessoas que tiverem algum sobrando, devem comprar para que a economia circulasse.
Ou seja, a crise também chegou por aqui. A Bolsa de São Paulo vive a sua gangorra diária, o dólar aumentou, assim como os preços... O mais estranho é que, provavelmente, nunca na história, o Brasil teve tantos shows agendados para o primeiro semestre de um ano, como em 2009. Até agora, não sei porquê, o presidente Lula ainda não disse "nunca antes nesse país houve tantos shows de rock"...
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Logicamente que muitos desses shows que veremos nos primeiros seis meses desse ano já haviam sido marcados antes da crise. De qualquer forma, é considerável a sua grande quantidade. Desde o segundo semestre do ano passado, o número de apresentações foi considerável: Madonna, R.E.M., Queen + Paul Rodgers, Offspring, Maroon 5, Cindy Lauper, Duran Duran, Dave Matthews Band, Herbie Hancock, Kanye West (no Tim Festival), e por aí vai...
Meu Deus, será que agora virou moda turnê pela América Latina? O R.E.M., por exemplo, fez 11 apresentações na América Latina e apenas cinco a mais nos Estados Unidos, berço da banda. Queen + Paul Rodgers nem tomaram conhecimento da América do Norte e limitaram a sua turnê à Europa e à América Latina. Madonna fez 11 shows na América Latina (cinco somente no Brasil) e apenas seis a mais na Europa.
Aqui no Brasil, os ingressos não são tão disputados quanto lá fora. Com uma exceção ou outra (como Madonna), os melhores ingressos podem acabar rapidamente. Mas com os altos preços da tal "pista VIP", o que foi visto em muitos shows (Duran Duran, R.E.M., Queen + Paul Rodgers, por exemplo) era um imenso buraco com alguns gatos pingados na frente do palco, e a multidão espremida logo atrás. No show do Queen, o preço da pista VIP chegou a ser três vezes (?!?) mais caro do que a pista normal, em uma casa de espetáculos que, no total, tinha a capacidade da pista VIP do show da Madonna no Maracanã.
Se a lei da oferta e da procura fizeram com que os empresários inventassem essa pista VIP, não sou eu quem vou reclamar. Mas o fato é que os preços dela estão muito salgados, e deixando um imenso abismo entre os verdadeiros fãs (que viram a noite na porta do estádio para conseguir um bom lugar) e os endinheirados e, pior ainda, os artistas "VIPs", que não sabem citar sequer uma música do artista que vai se apresentar.
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A carteira de estudante é outro problema que, aqui no Brasil, nunca será solucionado. Isso porque, com ela, todo mundo lucra. Das instituições que fornecem a tal carteira até os empresários (que podem dobrar o preço dos ingressos sob a simples justificativa de que "a carteira de estudante acaba com o meu negócio"), todo mundo ganha muito dinheiro.
E de uma coisa tenho certeza. Mesmo que um dia acabem com a carteirinha (ninguém terá coragem de fazer isso), você acha que os organizadores do show da Madonna, por exemplo, vão cobrar R$ 300,00 ao invés dos R$ 600,00 pela pista VIP, sabendo que a sua capacidade será esgotada de qualquer forma?
No final das contas, como geralmente acontece no Brasil, os honestos se dão mal. "Pô cara, você pagou R$ 600,00 pra ver a Madonna? Que mané! Arrumei uma carteirinha e paguei R$ 300,00..."
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Apesar dos problemas, pelo menos espero que a gente possa se divertir nos shows de Elton John (São Paulo, 17 de janeiro; e Rio de Janeiro, 19 de janeiro), Alanis Morissette (onze shows em onze capitais brasileiras, a partir de 21 de janeiro), James Blunt (Porto Alegre, 27 de janeiro; e São Paulo, 29 de janeiro), Orishas (São Paulo, 27 de janeiro; Rio de Janeiro, 30 de janeiro), Damien Rice (São Paulo, 30 de janeiro de 2009), Backstreet Boys (São Paulo, 05 de março; e Rio de Janeiro, 07 de março), Simply Red (São Paulo, 03 e 04 de março; e Rio de Janeiro, 06 de março), Iron Maiden (cinco shows em cinco capitais, a partir de 12 de março), Keane (São Paulo, 10 de março; Belo Horizonte, 12 de março; e Rio de Janeiro, 13 de março), Radiohead e Kraftwerk (Rio de Janeiro, 20 de março; e São Paulo, 22 de março), Burt Bacharach (quatro shows em quatro capitais brasileiras, a partir de 11 de abril), Motörhead (São Paulo, 18 de abril), The Doors ou "Riders On The Storm" (São Paulo, 18 de abril).
Além dos shows confirmados, boatos não faltam. O Coldplay, por exemplo, poderá fazer algumas apresentações no Brasil entre final de março e início de abril. O nome do AC/DC também já tem sido especulado, com a sua "Black Ice Tour", assim como o do Metallica, que roda o mundo com a "Death Magnetic Tour". O novo show do The B-52's, "Funplex", também pode chegar por aqui ainda em março.
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Bom, apesar da crise, pelo jeito, uma coisa que não vai faltar no Brasil em 2009, é show...
yjsefameeg
19/05/2009 11:50:39
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Mary
06/01/2009 20:51:56
é, realmente é uma falta de respeito... mas eu pagaria qualquer preço que pudesse pra ver o AC/DC!!! *.*
Mônica Pereira Travassos
05/01/2009 23:55:07
Acho que os "empresários" que contratam os shows temem que seus pares sejam "contaminados" pelo povão... Sou fã do Queen de carteirinha (literalmente) e considerei a atitude de tais empresários, no mínimo, desrespeitosa com os fãs (de fato) e com a Banda: falta de divulgação total e 2 pistas, uma VIP e uma quase VIP. Isso fica gritante principalmente quando se acompanha os shows feitos pelo Queen+Paul Rodgers em outros locais e se vê que não há essa separação. A Banda merecia uma pouco mais de respeito e reverência de nossa parte, já que foi a primeira a abrir caminho para outras tantas (esteve aqui no auge e tem um carinho especial pela América Latina). Apesar disso, o show foi espetacular e valeu cada centavo...
JF
05/01/2009 18:47:24
E vc estará em todos...
Elaine Rose
05/01/2009 00:35:13
Bem, que o Brasil merece ser palco de grandes shows internacionais, isso ninguém é capaz de duvidar e vamos combinar que já tinha passado da hora do nosso país entrar na rota das grandes turnês mundiais! Sou fã dos Backstreet Boys e não poderia deixar de ir ao primeiro show deles aqui depois de sete anos de saudades (desde o show do Maracanã) e tenho orgulho em dizer que finalmente os verei de perto já que vou de Pista Vip. Mas não desejo que ela fique vazia, porque como eu, muitos fãs juntaram o dinheiro há meses pra isso e não são endinheirados. Usei minha carteirinha OFICIAL de estudante universitária e não tenho vergonha de admitir! Admiro os artistas que estão escolhendo o Brasil como palco e fico admirada a cada dia com o número de atores que estão visitando o nosso país e principalmente o RJ. Será que, finalmente, estamos mudando a nossa imagem lá fora? Espero que sim!
Daniele
04/01/2009 18:07:14
Acredito que esse novo caminho das bandas internacionais em tocarem mais na América Latina seja o lucro, se aqui no Brasil os empresários aumentam o valor dos ingressos com a desculpa da carteira de estudante (absurdo!). Imagino que pelo efeito dominó da economia, o valor que essas bandas cobrem deva ser maior do que na Europa, ou em suas cidades de origem. O difícil é acreditar que esse quadro mude, que um dia o brasileiro não precise deixar de pagar a conta de luz para poder assistir a um show (como depoimento de um fã da Madona). Torço para que as áreas VIPS fiquem cada vez mais vazias. E que percebam quão é abusivo cobrar mais para os fãs ficarem próximos de seus ídolos e que sejam extintas.






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