Túnel do Tempo: Um clássico que nunca morre

Luiz Felipe Carneiro | T. do Tempo | 26/12/2008 17h13

Túnel do Tempo: Um clássico que nunca morre | Foto: Divulgação

No dia 23 de dezembro de 1971, um dos videoclipes mais importantes da história da música fazia a sua estréia. "Imagine", de John Lennon, foi apresentado, pela primeira vez, na televisão inglesa há 37 anos. E, até hoje, principalmente nessa época de final de ano, é lembrado por muita gente.

Apesar de ser o maior sucesso da carreira solo do ex-Beatle, "Imagine" não alcançou a primeira posição das paradas norte-americana e britânica de singles. Na Billboard, ficou em terceiro lugar, e na Grã-Bretanha chegou a uma tímida sexta colocação. Entretanto, em 2004, a mesma Billboard a elegeu a terceira melhor música de todos os tempos.



Apesar do seu tom pacifista (a música é o hino da Anistia Internacional), "Imagine" trazia várias mensagens subentendidas em sua letra. O próprio John Lennon a classificou como uma canção "anti-religiosa, antinacionalista, anticonvencional e anticapitalista". Para ele, "Imagine" era "virtualmente, o Manifesto Comunista". Entretanto, em entrevista à revista Playboy, em 1980, o compositor explicou que a mensagem da canção nada mais era do que uma repetição de seus ideais. "Com "Give Peace a Chance", eu apenas repetia "dê uma chance a paz". Em "Imagine", estamos perguntando "você pode imaginar um mundo sem países ou religiões?". É a mesma mensagem, mais uma vez. E é positiva", disse.

E como tudo em John Lennon desperta amor e ódio, muita gente criticou o fato de um milionário compor versos como "imagine não haver riqueza". O jornalista Robert Elms foi um deles: "engraçado a canção ter sido escrita por um multi-milionário dentro de um quarto com temperatura controlada em uma mansão em Manhattan".

A despeito de tanta polêmica, "Imagine" foi gravada por dezenas de artistas, entre eles, Joan Baez, Diana Ross, Gilberto Gil, Avril Lavigne, Jack Johnson e Ray Charles. E, mais do que gravada, continua sendo interpretada em diversos shows. O Queen, por exemplo, cantou uma versão de "Imagine" em alguns shows da turnê de 1980.



A música também foi lembrada na abertura do Rock in Rio de 2001, nas vozes de Milton Nascimento e Gilberto Gil. Em 1983, David Bowie também incluiu a canção em um show realizado em Hong Kong, no dia do aniversário da morte de Lennon. Elton John fez o mesmo em um show no Central Park, em 1980, poucos dias após a morte do ex-Beatle. E, na noite do assassinato, Bob Dylan cantou "Imagine" na Times Square, em Nova York.

Na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de 1996, Stevie Wonder interpretou a canção, e Peter Gabriel fez o mesmo na abertura das Olimpíadas de Inverno de Turim, em 2006. Um ano antes, Madonna também cantou "Imagine" em um show beneficente para as vítimas do Tsunami.

E para não deixar mais dúvidas de que "Imagine" é uma música imortal, vale a pena lembrar o "diálogo" entre Lennon e Forrest Gump, no filme vencedor do Oscar de 1994, no qual é citado alguns versos da canção.



Desde a virada de ano 2005/2006, "Imagine" é tocada na Times Square nos últimos minutes do ano que se finda. Daqui a cinco dias, mais uma vez, "Imagine" será cantada por milhões de pessoas. E por isso que, mesmo 37 anos depois, a gente tem obrigação de relembrar tal canção...

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