Músicas gospel podem chegar até Deus?

Sebastião Ramos | Geral | 11/12/2008 16h23

Ficamos felizes quando somos homenageados por algo que realizamos. Do mesmo modo, Jeová se agrada muito quando o louvamos pelos seus atos grandiosos. O salmista cantou inspiradamente: "Louvai a Jeová desde os céus, louvai-o nas alturas. Louvai-o, todos os seus anjos. Louvai-o, todos vós, seu exército. Louvai-o, sol e lua. Todas as estrelas de luz". Realmente, o nosso grandioso Deus é o único que merece ser louvado pelas suas obras maravilhosas. Surge uma pergunta: que louvores devemos oferecer a Jeová?

Certa vez, Jesus disse a uma mulher samaritana que a adoração que Deus aceita tem de ser em espírito e verdade. Todavia, suas palavras incluem os nossos cânticos. Que dizer das músicas gospel, reconhecidas popularmente? Muitas pessoas já vêem, com desconfiança, devido à sua comercialização. Não seria por mera coincidência que determinados pastores já se tornaram detentores de várias gravadoras e de canais de televisão, sem contar que compram horários nobres para vender suas bugigangas religiosas...

Outro ponto que se questiona é o novo estilo dos hinos que são tocados, em ritmo de rock, samba, forró, hip hop, funk. Não seria por sorte que um determinado sacerdote, que se tornou "popstar" da música gospel, se expressou: "Um forrozinho de Jesus não faz mal a ninguém". Questionam-se também os cantores que deixaram sua carreira para se entregarem a Jesus. Adaptando a letra de suas músicas muitas vezes profanas para a música gospel, eles têm ganho muito dinheiro, vendendo CDs e fazendo shows. Realmente, num mundo de engano e corrupção crescente, poucas pessoas são dignas de confiança. Com isso, há casos em que não "ministram" um show por menos de 15, 20, 30 mil reais, e fazem diversas exigências relacionadas à hospedagem e segurança.

Muitos se perguntam: por que estes cantores conseguiram tanto sucesso, quando antes não conseguiam? Haveria de concordar que até mesmo pessoas que não freqüentam igrejas evangélicas compram CDs de músicas gospel para tocar em bares, novelas e em outros locais. Não se pode negar que a música gospel anima, agita, alegra, dá até para dançar ou rebolar! Eis a razão para que este tipo de música venha a ter bastante aceitação entre o público em geral.

Com o aumento da procura tanto pelas músicas quanto pelos shows, surgem os megatemplos, que proporcionam cadeiras para 30 a 60 mil pessoas. Em dias de casa cheia, os ritos são animadíssimos, há coreografias, danças de diversas espécies, parecem muito mais com casas de espetáculos teatrais do que um culto de adoração a Deus. Aliás, fala-se muito pouco na bíblia.

Moisés estava há dias no monte Sinai esperando receber de Jeová os dez mandamentos para instrução de seu povo. Se tornando impacientes, os israelitas, por acharem que Moisés estava demorando, resolveram fabricar um bezerro de ouro para adorá-lo como se fosse o verdadeiro Deus que os libertou da escravidão egípcia. Observe o que diz o relato bíblico de Êxodo 32: 17,18. "E Josué começou a ouvir o barulho do povo por causa da sua gritaria, e ele passou a dizer a Moisés: 'Há um barulho de batalha no acampamento'. Mas ele disse: 'Não é um som de um canto de realizações potentes. E não é um som de canto de derrota. É o som de outro canto que estou ouvindo".

Moisés, logo identificou que aquele barulho e aquela cantoria que estava escutando do acampamento não provinham do Deus que ele conhecia. Que tamanha cegueira espiritual afetava aqueles israelitas. De verdadeiros adoradores passaram a foliões idólatras. Chegaram ao absurdo de fazerem um bezerro de ouro e o adoraram como fosse Jeová. Do mesmo modo, está acontecendo em nossos dias com a profanação da música gospel. Assim como Moisés reconheceu que aquele canto não provinha do verdadeiro Deus, ainda existem aqueles que não perderam o raciocínio e, quando escutam o barulho dessas músicas, dizem: "Isso não pode ser um hino de louvor a Deus."

Antes de um ídolo gospel pisar no palco, as casas já se encontram repletas, mesmo que tenham de pagar pelo ingresso. De repente, a "estrela" aparece e luzes irradiantes e efeitos especiais contagiam a multidão que, por sua vez, chega ao delírio e à folia; só falta dizeram, o que os adoradores do bezerro de ouro diziam: "Este é o nosso Deus!". Em vez de pregar a genuína palavra de Deus, que nos proporciona conhecimento exato para a salvação, os ídolos aproveitam a ocasião para vender seu melhor produto, que são os CDs de suas músicas. Parece muito mais uma feira livre do que um culto de adoração a Deus. Perante a platéia inebriada pela música extravagante, apelam para as técnicas de marketing, por prometerem o que muitas vezes não têm: como ser feliz no casamento e resoluções para as frustrações, riquezas para os endividados, curas para todos os males e até casamento para as encalhadas.

Diante das promessas espetaculares de vitórias, as multidões ficam em estado de êxtase, dançam, cantam, pulam, esbravejam, é um verdadeiro carnaval. Quem sabe se não pensem que, ao saírem daquele lugar, seus problemas estariam resolvidos? É preciso repensar o conceito de que a voz do povo é a voz de Deus. Nunca as multidões agiram sabiamente. Sempre foram poucos os que saíram vencedores.

Para aqueles que transformaram a palavra de Deus em comércio, cuidado! Lembra-se que Jesus certa vez expulsou os vendilhões do templo e até os açoitou com azorrague. O tempo está próximo, muito próximo, de ser varrido da terra os que aplicam golpe religioso contra massas indefesas. Ponderem! Do contrário, irão também provar do azorrague de Jesus - a destruição de seu maior instrumento de enganação - a Religião Falsa. Para aqueles que desejarem escapar da destruição, só há uma saída: estudar a palavra de Deus cabalmente e o louvar, com o fruto de lábios, fazendo declaração pública do seu nome (Hebreus 13: 15)

Sebastião Ramos é funcionário público federal (sebastianramos7@gmail.com)

Comentários (0)

Isso evita spams e mensagens automáticas.

Também sobre Geral