CD: "Chinese Democracy" (Guns n' Roses) - Antes tarde...
Luiz Felipe Carneiro | Resenhas | 02/12/2008 17:12

Provavelmente nem a ópera "O Anel do Nibelungo", que ocupa, em média 16 CDs com as suas 18 horas de duração, ganharia tantas páginas de créditos em seu encarte. Mas se a ópera de Richard Wagner precisa de 16 CDs, "Chinese Democracy", novo álbum do Guns n' Roses, precisou de mais de 15 anos para ficar pronto. E, com tantas idas e vindas, o disco acabou se transformando no "eterno não-lançamento".
Mas, no final de novembro, de forma um tanto discreta se comparada aos discos anteriores, "Chinese Democracy" chegou às lojas. Os críticos não perdoaram. Para quem esperava um novo "Appetite For Destruction" (1987), ou algum eco dos dois volumes de "Use Your Illusion" (1991), a decepção acabou sendo grande.
Mas a decepção foi grande porque, depois de tantos anos e, levando-se em conta a capacidade de Axl Rose, o mínimo esperado era um "Appetite For Destruction 2". Se o ouvinte colocar "Chinese Democracy" para rodar, com esse pensamento, certamente haverá decepção. E isso é certo. Mas se conseguir esquecer todo o tempo de produção do álbum, além das maluquices de Axl Rose, o ouvinte concluirá que "Chinese Democracy" é, sim, um bom álbum de hard rock.
Muita coisa mudou nesses últimos 15 anos para o Guns n' Roses. Hoje, Axl já tem 46 anos e, dificilmente, vai se aventurar a vestir aqueles shortinhos de lycra com a bandeira dos Estados Unidos desenhada. Outro aspecto é que, com o seu gênio explosivo, Axl não conseguiria dividir a banda com outros integrantes no mesmo "patamar". Para o vocalista, é muito mais fácil demitir quem quiser, na hora que quiser, sem precisar dar satisfações a ninguém. Aliás, será que você saberia citar a formação atual do Guns n' Roses? Na verdade, queira ou não queria, "Chinese Democracy" pode ser considerado um álbum solo de Axl Rose.
E ainda bem que o cantor e compositor tem cacife e competência para fazer um bom trabalho sem ter, por exemplo, um monstro da guitarra como Slash ao seu lado. O problema é que, sozinho, Axl Rose conta apenas com os seus instintos, que, infelizmente, em alguns momentos, falharam. Para começar, em várias faixas, Axl Rose (ou melhor, o Guns n' Roses) foge um pouco de sua sonoridade habitual. Tudo bem, as coisas mudam em 15 anos, mas Axl e companhia não precisavam colocar elementos de hip-hop em "Better", e nem em "There Was a Time", que ainda ganhou um grandioso arranjo de cordas, e acabou ficando confusa demais. Lá pelo meio da canção, o arranjo épico começa a funcionar no melhor estilo "November Rain" (com direito a - adivinhem - um grandioso solo de guitarra).
Aliás, "excesso" talvez seja a palavra-chave de "Chinese Democracy". Voltando a "There Was a Time", nela foram necessários nada menos do que seis guitarristas para fazer o trabalho que Slash e Izzy Stradlin faziam tão bem. Mas não foi só isso, a faixa ainda precisou de dois bateristas, dois baixistas e três tecladistas. Mais um pouco e o Guns n' Roses ficava do tamanho da orquestra que participou da gravação. Sabe-se lá o tempo e quantos estúdios - o disco todo consumiu 14 (?!?) estúdios - foram necessários para Axl Rose finalizar essa faixa...
"If The World", que ganhou uma introdução com guitarra espanhola, é um outro equívoco de "Chinese Democracy". Com a sua sonoridade meio soul, meio funk, meio latina demais, com baterias programadas, a faixa acabou soando artificial demais. Se em 1991, alguém, em uma máquina do tempo, dissesse que Axl gravaria algo desse tipo, 17 anos depois, provavelmente seria alvo de piadas. "Madagascar", que eles apresentaram por aqui no Rock in Rio de 2001, também soa um pouco artificial, apesar do grande vocal e das ótimas guitarras. E mixar o discurso de "I Have a Dream", de Martin Luther King, no meio de uma canção, já virou clichê demais, não?
Já a balada "This I Love" pode até funcionar nos shows (se é que vamos ter uma "Chinese Democracy Tour"), mas no CD ficou bem piegas, apesar da interessante guitarra, bem ao estilo de Brian May, que, aliás, chegou a gravar uma participação em "Catcher In The Rye", mas foi limado de última hora. A faixa "Sorry" foi pelo mesmo caminho, e talvez seja a pior faixa de "Chinese Democracy".
Mas os acertos de "Chinese Democracy" são bem maiores do que os seus erros. A faixa-título, e que abre o disco, é um bom exemplo. Nesse caso, Axl Rose incorporou elementos do rock industrial e o resultado foi satisfatório, assim como a seguinte "Shackler's Revenge", na qual Axl, sob um verdadeiro muro de guitarras (aqui só foram necessários três guitarristas), mostra que ainda está com a voz em ótima forma (apesar do quê, não é sabido se Axl colocou os vocais em 1995 ou em 2008...).
No quesito "baladas", a que acaba se sobressaindo é "Street Of Dreams", na qual Axl soube dosar magistralmente a sonoridade roqueira com o arranjo épico. E a sua voz está tinindo nessa faixa! Outras que lembram os grandes momentos do Guns é "Catcher In The Rye", um pouco mais pop, e "Riad n' The Bedouins", essa, por sua vez, pesadíssima e com uma guitarra enlouquecedora. "I.R.S.", que o Guns n' Roses apresentou algumas vezes ao vivo (inclusive no Rock in Rio) ficou interessante ao juntar uma pegada roqueira com algo mais eletrônico. E a sua letra, uma espécie de auto-análise de Axl Rose, é uma das melhores do álbum: "Wouldn't be the first time I been wrong / Wouldn't be the last / I'm sure I've known / With all the rumors I could tell / Some things didn't work so well / Well anyway it feels the same").
Fechando o "álbum mais esperado de todos os tempos", "Prostitute" cumpre bem o seu papel. O rock raivoso com mais uma letra digna dos divãs de psicanálise ("Ask myself / Why I would choose / To prostitute myself / To live with fortune and shame") prova que a espera, se foi longa demais, até que valeu a pena.
Na faixa "Scraped", uma das mais pesadas do álbum, Axl Rose berra: "All things are possible / I am unstoppable". Pois é, para quem duvidava, "Chinese Democracy" foi possível. Agora só falta mesmo Axl Rose provar que não para nunca e lançar um álbum com um intervalo, digamos, um pouquinho menor do que 15 anos. Até mesmo porque, se demorar tanto assim para o próximo, Axl Rose já será um senhor sexagenário.
Abaixo, a faixa "Street Of Dreams", uma das melhores de "Chinese Democracy".
Cotação: ***

Postado por:giulianna | 20/11/2009 16:05:15
Lady gunner, sugiro que você aprenda antes a escrever em português para depois criticar alguém!
Postado por:lady gunner | 03/07/2009 22:35:34
para mim axl esta mais amadurecido e nos jovens gostariamos q ele fosse o q ele foi antes mas remos q concluir q isso é batante dificil ele mudou de postura em pauco e entre outras coisa eu ouvi chinese democracy e gostei vc´s tambem deveriam ouvir esses criticos são uma miseria querem colocar coisas em nossa cabeça se tivermos uma cabeça nossa propria veremos q eles estão errados.foda-se criticos guns n´roses forever.
































































































































































































































































