Estadual de 2009 tem grupos marcados pelo eqüilíbrio
Colin Foster | FutRio Opinião | 19/11/2008 17:20
Depois de mais de cinco horas de arbitral na sede da Ferj, finalmente saíram os grupos e tabelas da Taça Guanabara e Taça Rio do Campeonato Estadual de 2009. O que se pôde ver foi um grande equüilíbrio na divisão das chaves, e a grande notícia, que devolve a emoção à competição considerada por muitos a mais charmosa de todo o Brasil: os clubes de menor investimento poderão mandar seus jogos, inclusive contra os grandes, em seus estádios, desde que tenham condições estruturais de segurança para fazê-los.
É difícil arriscar qualquer previsão com pouco mais de dois meses para o início da competição, e é complicado até mesmo apontar qual dos dois grupos é o mais eqüilibrado. O nível dos "pequenos" é muito parecido, e todos estão retormando os trabalhos quase que ao mesmo tempo, seja por dificuldades financeiras ou por terem a base emprestada na Segunda Divisão, como foi o caso do Resende.
O Gigante do Vale, em ano de centenário, conta com a volta de Roy e dos jogadores recentemente campeões da Segundona pelo Bangu e deve se apresentar melhor do que em 2008. Mas a vida não será fácil, e o alvinegro terá pela frente o Madureira, sempre competitivo, que tem novamente Alfredo Sampaio no comando, e o Americano, que já anunciou o bom goleiro Diogo Silva, e muito provavelmente mandará todos os seus jogos no Godofredo Cruz, onde tem grande retrospecto.
Baixada fortalecida no grupo A
Além dos já citados, há os representantes da Baixada Fluminense, que terminam 2008 em alta. O Duque de Caxias está a três pontos do acesso à Série B do Brasileirão, logo no seu ano de estréia em competições nacionais. Tenho certeza de que o clube não vai amolecer justamente no último jogo, contra o já eliminado Confiança-SE, e subirá. A parceria com o Cruzeiro também pode render bons frutos ao Tricolor da Baixada, que pode consolidar sua posição de quinta força no estado em 2009. A estréia será em casa, contra o vizinho Tigres.
A Fera da Baixada tem tudo para se firmar como um clube importante no cenário estadual. Há dinheiro, estrutura formidável, e profissionais competentes no comando. Mas não vejo com bons olhos a possível saída de Lucho Nizzo - e automaticamente de sua comissão técnica -, que acarretará na chegada de um novo profissional, sem ligação alguma com o clube. A impossibilidade de mandar os jogos contra os grandes no seu CT e as especulações de contratações de veteranos como Viola e Djair preocupam. Foram grandes jogadores, mas disputar uma Primeira Divisão com quase 40 anos não é para qualquer um.
A Cabofriense é outra que não poderá receber os quatro grandes em casa. A novela da contratação de Rene Webber se estende há meses, e as reformas no estádio ainda não estão concluídas. O time mandará todos os jogos em Bacaxá. A possível contratação do atacante Bruno Luiz é um bom sinal, mas a opção de não ficar com o lateral Valdir, e emprestá-lo ao Resende, é um passo atrás. É bom o Tricolor se movimentar, ou a Segundona de 2010 o espera.
No grupo B, clubes bem estruturados podem beliscar a segunda vaga
A chave B parece a mais difícil, e o Mesquita surge como grande candidato ao rebaixamento. O Tubarão da Baixada terá Jair Pereira no comando, mas o time só não caiu nesta temporada porque o América fez uma campanha bisonha, contra todas as expectativas. Também alvinegro, o Botafogo, é claro, não será rebaixado, mas iniciará 2009 bastante enfraquecido.
Imerso em dívidas, o Glorioso pode ter até sua vaga para as semifinais do Estadual beliscada, enquanto não se reestrutura. Carlos Alberto já abandonou o barco, Ney Franco parece seguir o mesmo caminho, e o time é extremamente deseqüilibrado emocionalmente. É aí que os "pequenos" têm de focar, já que o Flamengo, provavalmente, virá fortalecido, ainda mais se for para a Libertadores.
Voltaço sai na frente
O Volta Redonda, de Aílton Ferraz, já está trabalhando há quase um mês e vem se reforçando. No Raulino de Oliveira é dificíl de ser batido, e é outro que costuma dar trabalho aos grandes. Do sul para o norte do estado, o Macaé, que se classificou para a Série C logo em sua estréia, já vem fazendo trabalhos físicos, mas ainda não confirmou a permanência de Alexandre Gama no comando. O alvianil praiano mandará seus jogos no Godofredo Cruz, em Campos, até que as obras no "Moacyrzão" sejam finalizadas.
O Boavista e o Friburguense ainda não se mexeram, mas poderão mandar seus jogos contra os grandes em casa. O Verdão de Bacaxá conta com bom suporte financeiro, mas terá de, uma vez por todas, superar as crises internas para se firmar como uma das forças do estado. O Frizão decepcionou em 2008, mas mantém Cleymar Rocha no comando do time e os reforços até agora são jogadores que voltam de empréstimo, como Ziquinha e Victor Hugo, e as reformas no Eduardo Guinle, um dos melhores estádios do estado.
Bangu de volta
Emocionante o retorno do Bangu à primeira divisão, mas é hora de colocar os pés no chão e planejar 2009. Sem os principais jogadores, e sem Roy, que retornam ao Resende, o alvirrubro terá dificuldades no próximo ano, mas poderá mandar os jogos em Moça Bonita. São necessários reforços e melhoras, principalmente no gramado, e a próxima temporada tem de ser vista como de consolidação na elite estadual, para depois sonhar com vôos mais altos, e retomar o posto entre os grandes. O Bangu é um time de tradição, de glórias passadas, mas o futebol se vive do presente que, no caso do alvirrubro, é complicado.














































