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Projeto patriota para alguns, lucrativo para outros

El Nuevo Diario - Nicarágua | Vice-Campeão | 16/11/2008 01:35

16/04/2007

Trecho de reportagem do jornal nicaragüense explica bastidores do Tigres do Brasil, caçula da Primeira Divisão do RJ. 

La PrensaMiguel Larios é um nicaragüense que quer ajudar ao seu país. E quer fazê-lo do melhor modo possível, ao investir em um projeto dirigido aos jovens do país através do esporte. Um projeto que nasce com um alto espírito de patriotismo para uns e como tristeza para outros.

 

Larios venceu no Brasil. Chegou ao país em 1976 para estudar e por lá se encontra até hoje, depois de se tornar um empresário de sucesso que acredita dever muito à sua pátria e é por isso que ofereceu seus recursos, dentro de suas possibilidades, e assinou um convênio com a Fedração Nicaragüense de Futebol (Fenifut).

 

O Tigres do Brasil, clube de futebol fundado por Larios em 2004, no Rio de Janeiro, tem como parte fundamental de seu projeto uma escola de futebol, uma das melhores do país, que estará sempre de portas abertas para que jogadores nicaragüenses possam ser formados nas variadas categorias que por lá treinam.

 

"A idéia não é trazer brasileiros para a Nicarágua, mas levar nicaragüenses para jogar no Brasil, para competir, porque o importante é o que eles têm a mostrar em campo. Somente assim eles conseguirão competir nas categorias que existem lá. Sem competição, sem luta, não se conseguirá nada", afirmou Larios.

 

Para Lários, é o pensamento do brasileiro que o diferencia de tudo: "Eles pensam que são campeões, nunca pensam que ficarão em segundo lugar em coisa alguma, quando competem, eles acreditam que terminarão em primeiro lugar. Por isso, há muita pressão dos torcedores, da imprensa esportiva, de todos, mas isso contribui para que todo brasileiro pense em vencer".

 

É este tipo de pensamento que Larios acredita que pode ser assimilado aos jogadores nicaragüenses para que, quando atuem pela Seleção da Nicarágua, não tenham medo de enfrentar suas rivais da região.

 

Quando o convênio foi anunciado, o que se informou é que o Tigres do Brasil colocara a disposição dos jogadores nicaragüenses sua escola para treinamento de jogadores nicaragüenses, e neste momento a oportunidade será concedida a oito jogadores, que poderão retornar à Nicarágua ao chamado de qualquer das seleções nacionais.  

 
A acomodação e o alojamento dos jogadores no Brasil ficara a cargo da diretoria do Tigres, incluindo a possibilidade de estudar, através de convênios com colégios e universidades do Rio de Janeiro. O custo mensal das bolsas no Centro de Treinamentos é de 2,5 mil dólares ao mês para cada jogador, o que representa quase meio milhão de dólares por ano de investimento do Tigres do Brasil em oito jogadores nicaragüenses.


Mas a pergunta obrigatória é: o que muda na Fenifut?

 

O convênio coloca a Fenifut como uma instituição esportiva incumbida do desenvolvimento do futebol, mas os direitos de formação de jogadores não podem ser da Fenifut. O que acontecerá com as equipes que jogavam os jogadores selecionados? Receberão algum reconhecimento ou compensação? Eles jogarão nessas equipes após o retorno à Nicarágua, além de defender a seleção? Como se beneficiará o futebol local, além do que está na alçada da Fenifut?

 

Muitos pensarão que é uma grande oportunidade para o futebol nacional, e assim é, mas não é por isso que algumas perguntas obrigatórias deixarão de ser respondidas, como a quem pertencerão os direitos destes jogadores na hora de serem negociados com equipes estrangeiras ? Ficarão com a Fenifut ou serão os pais os donos dos direitos de formação do jogador? Porque apenas três jogara na primeira divisão, e os demais não o fizeram por serem menores de idade.

 

Os jogadores que treinarão no Tigres do Brasil, da Segunda Divisão do Rio de Janeiro, são Roger Mejía, Gerardo Arce, Wilmer Vásquez y Nicolas Ibañes, de Manágua; Kevin Gutiérrez, Daniel Reyes y Raúl Fuentes, de Diriamba, y Daniel Rivera, de Estelí.

 

Miguyel Larios foi categórico ao afirmar que o projeto nasce com uma idéia patriótica e "Pode terminar como negócio", se referindo à possibilidade de que alguns dos jogadores que alcançarem um grande nível possa ser "vendido" a um grande clube da América do Sul ou da Europa.

 

É razoável pensar que o Centro de Treinamentos do Tigres, depois de um período considerável, precise recuperar parte do investimento feito, mas a Fenifut, que garante ter investido algo na formação destes atletas, aproveita para deixar definido que receberá parte dos direitos de formação dos jogadores em caso de venda para equipes profissionais.

 

Uma vez que a Fenifut não elucidou todos os detalhes do contrato, vários pais de jogadores blsistas foram consultados, e há uma coisa interessante.

 

No contrato assinado pelos pais, o Tigres do Brasil do Brasil afirma ser responsável pelos gastos de lojamento, passagens áreas para o trecho Manágua-Rio de Janeiro-Manágua, alimentação, e também se compromete em liberar os atletas convocados pelas seleções e destaca que "Caso seja assinado um contrato com uma equipe profissional, o valor será dividido em três partes: Tigres-jogador-Fenifut.

 

O problema é que o Regulamento sobre o Estatuto de Tranferência de Jogadores da FIFA não menciona as associações nacionais como parte como formadoras de atletas, somente são reconhecidos vínculos com clubes anteriores e, somente caso estes sejam indeterminados, é que o valor será repassado para a associação nacional, mas no caso nicaragüense se sabe muito bem de onde procedem os atletas, quais ligas municipais e clubes trabalharam com eles, enfim, quem contribuiu para que fossem formados.

 

Tigres do Brasil

 

A delegação do Tigres do Brasil que visitou a Nicarágua era composta pelo capitão do  tricampeonato mundial de 1970, Carlos Alberto Torres, Miguel Larios (Presidente), Aristóteles Larios (Director), Ana Valéra da Silva (Cordenadora de Marketing) e Risoletta Dias (Coordenadora Admninistrativa).

 

Espera-se que as boas intenções de Miguel e Aristóteles Larios sejam muito bem dirigidas. Pensando sempre com patriotismo, deve-se agradecer a este apoio, sem que alguém pretenda se aproveitar da situação inigualável que propõem e estão dispostos a apoiar.

 

Se alguém deve se beneficiar disto na Nicarágua, estes devem ser os jogadores ou suas famílias e os treinadores que formaram os altetas. O benefício da Fenifut deve ser apenas o de poder contar com os atletas para a seleção nacional.


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