Das vaias num Marcanã lotado ao acesso com o Tigres
Colin Foster | Vice-Campeão | 15/11/2008 23:51

Lucho Nizzo é um caso raro no futebol brasileiro. O treinador do Tigres, vice-campeão da Segundona de 2008, é formado em educação física, e já foi técnico de todas as categorias de base. Profundo conhecedor dos aspectos técnicos e físicos do esporte, Nizzo deixa bem claro que não é a favor de ex-jogadores virarem técnicos sem uma formação. De acordo com ele, "profissional tem que ter base". Nessa linha, concilia o comando da Fera da Baixada, seu primeiro clube profissional, com o da seleção brasileira sub-17, na qual tem vasta experiência.
Por sua mão já passaram jogadores como o lateral-esquerdo Marcelo, do Real Madrid-ESP, e os meias Anderson, do Manchester United-ING, e Renato Augusto, hoje no Bayern Leverkusen-ALE. E foi comandando a seleção sub-16 que Lucho Nizzo viveu um momento que ele considera crítico em sua carreira. No Pan-Americano de 2007, ele dirigiu a equipe contra seleções sub-20, com possibilidade de convocação de três atletas acima da idade. O resultado é bem conhecido: derrota por 4 a 2 para o Equador, eliminação ainda na primeira fase do torneio, e vaias de um Maracanã lotado.
"Divido o Pan em dois lados: para o profissional Lucho, foi um momento crítico, mas importantíssimo, pois me fez rever alguns conceitos. Em relação ao reconhecimento da torcida, eu estava tranqüilo. Eu já sabia que as coisas seriam difíceis, pois a seleção sub-20 estava no Mundial, e levamos a sub-16. Eu estudei, e sei como é, fisicamente, um garoto de 15 anos jogar contra um de 25", conta o técnico, que também fez uma crítica ao êxodo de jogadores no país.
"Ouço dizer que o futebol brasileiro está nivelado por baixo, que o craque do campeonato brasileiro é o Rogeério Ceni, mas os jogadores com 15 anos já são pretendidos por times europeus. Eles saem do Brasil sem completar um estágio de formação, e é isso que causa a carência de bons jogadores", comenta.
Antes do Tigres, um susto em Juazeiro-BA
Se o Tigres é o primeiro clube que Lucho Nizzo dirige, pouco tempo depois do Pan-Americano e do Mundial Sub-17, ele aceitou o convite de Sinval Vieira, da Secretaria de Esportes do estado da Bahia, para formar o grupo que disputaria o Estadual da primeira divisão baiana de 2008 pelo Juazeiro. Porém, ele conta que, ao chegar no clube, as péssimas condições estruturais o fizeram desisitir do projeto antes mesmo de disputar uma partida.
"O Sinval me falou que tinha um projeto, e eu fui lá e conversei com o presidente. Quando cheguei para iniciar o trabalho, vi a dificuldade de estrutura para se fazer futebol de primeira divisão: faltava roupa, faltava água e tinha apenas cinco jogadores, todos sem contrato. Falei para ele (Sinval Vieira) que não fazia milagres, e dei um prazo de cinco dias para melhorar. Tinha o risco de todo um trabalho realizado vir por água abaixo, então eu agradeci a oportunidade e me despedi dos jogadores", revela o técnico.
Chegada ao Tigres repleta de desconfianças
"Você é um ótimo treinador de base, mas não tem experiência profissional". Essa é uma frase que Lucho Nizzo admite já ter cansado de ouvir. E foi sob esse tipo de desconfiança que ele foi contratado pelo Tigres do Brasil, após contato do presidente do clube, o nicaragüense Aristóteles Larios, a quem hoje chama de Ari, prova do carinho pelo dirigente que lhe deu essa oportunidade.
"Tive o convite para vir para o Tigres cercado de desconfianças, por não ter trabalhado com times profissionais. Brinco que aqui foi o lugar que eu mais me reuní antes de ser contratado, mas sou muito grato ao Ari por ter me dado essa oportunidade de fazer esse trabalho", diz o técnico, que lembra também do fato de, tanto ele quanto o Tigres, estarem crescendo no futebol.
"Meu acesso profissional está ligado ao acesso do Tigres. Foi uma coisa que casou. Estou ajudando a direção a traçar novos rumos, estamos descobrindo, juntos, situações para que o trabalho flua. Fizemos um planejamento em fases, tivemos tempo de preparação, e posso garantir: o que foi feito aqui não foi feito em nenhum outro clube da segunda divisão", afirma Lucho Nizzo.
Futuro
Com contrato em vigência até o final do mês de Novembro, Lucho Nizzo ainda não foi procurado e nem procurou a diretoria para negociar a renovação do compromisso. Ele diz que quer ficar e que plantou uma semente no Tigres, mas que a decisão é da diretoria.
"Meu trabalho era de pegar o Tigres na segunda divisão e colocar na primeira, e isso foi feito. Agora, se quiserem colocar um outro profissional mais renomado no meu lugar, não terei do que reclamar. Nosso acordo era a possibilidade de subir para a primeira divisão, e se vier outro para o meu lugar, vou continuar amigo de todos e gostando do Tigres. Plantei uma semente aqui", finaliza.














































