Terror espanhol "REC" é um sub-Bruxa de Blair
Antônio Augusto Valente | Cinema | 12/11/2008 14:21

Em 1999, um filminho de terror estranho tornou-se inesperadamente o maior fenômeno cinematográfico do ano, arrebatando público, crítica e os números das bilheterias ao redor do mundo. O filme era "A Bruxa de Blair", e as propagandas avisavam: "Em outubro de 1994, três estudantes de cinema desapareceram numa floresta, perto de Burkitttsville, Maryland, enquanto rodavam um documentário. Um ano depois, as imagens foram achadas." Composto interamente dessas imagens "reais", "A Bruxa de Blair" chocava pelo seu amadorismo. Era um filme de terror de verdade e, por isso, tão assustador.
Desde então, muitos filmes surgiram na tentativa de obter um resultado parecido com este que conseguiu "A Bruxa de Blair" (suas contiuações, inclusive). "REC", dos espanhóis Jaume Balagueró e Paco Plaza, é mais um desses sub-produtos, tentando embarcar numa onda que passou há quase dez anos. O filme estréia nesta sexta-feira (14) no país, esperando um sucesso que já obteve na Espanha, onde bateu recordes de bilheteria e ganhou vários prêmios em festivais.
No lugar de estudantes de cinema que se perdem em uma floresta, dessa vez temos uma jornalista e seu operador de câmera fazendo uma reportagem em um quartel do Corpo de Bombeiros, com a intenção de mostrar o dia-a-dia desses profissionais. Numa de suas saídas noturnas, no entanto, o que parecia uma ocorrência rotineira de resgate vira um inferno. Presos no interior de um edifício, os bombeiros e a equipe de televisão vão se deparar com um horror desconhecido e letal.
A idéia dos diretores era iludir os mecanismos do suspense e da narração geralmente encontrados nesse tipo de filme, mas o que vemos são, ao contrário, os mesmos velhos truques dos filmes de gênero. Personagens movidos por uma curiosidade mórbida que garante os momentos de tensão, sustos provocados por barulhos estridentes de pratos caindo, portas abrindo e fechando, criaturas horripilantes surgindo do espaço fora de campo.
A ação, que supostamente acontece na nossa frente, em tempo real, acaba soando artificial e manipulada demais, ora pela atuação nem sempre convincente do elenco (a protagonista, famosa atriz espanhola, é especialmente ruim), ora pelo clichê das situações. Até os personagens, calculados milimetricamente para movimentar o roteiro, prejudicam o hiper-realismo que o filme pretende alcançar. Há o médico, para tratar dos feridos, um casal de velhinhos, para servir de alívio cômico, uma mãe com a filha doente, para potencializar o drama, e assim por diante.
Um trunfo do filme é o fato do roteiro revelar as informações aos poucos. Os bombeiros são chamados depois que alguns moradores ouvem gritos histéricos vindos do apartamento de uma senhora idosa que vive com uma dúzia de gatos. Possessão é o primeiro palpite, mas, mais tarde, as "autoridades sanitárias" lacram o prédio. Alguma doença contagiosa? Também não temos certeza e, enquanto isso, continuamos acompanhando o desenrolar da história com um mínimo de curiosidade e atenção.
Quando a trama é finalmente revelada por inteiro, no entanto, tudo o que nos resta é esperar que, entre sustos e bocejos, mais algumas mortes sangrentas nos levem ao final do filme.
Postado por:Vercetti | 17/11/2008 10:31:44
O que se percebe é que vc não gosta de filmes de terror, então não venha dar palpites sobre o que vc não entende, ok? Esse filme é um dos melhores filmes de terror já feitos até hj, com elementos similares à A Bruxa de Blair, mas infinitamente superior tanto tecnicamente quanto no objetivo. Me fale um filme de terror que seja melhor do que esse, duvido que consiga achar um.
























