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26/12/2013 15h40

‘Até que a Sorte nos Separe 2’ é mais um caça-níquel, literalmente
Ana Carolina Garcia

Foto: Divulgação

O cinema brasileiro tem aprendido bastante com o americano, tanto nas coisas boas quanto nas ruins. Produzir sequências de filmes de sucesso não é um problema, desde que o original tenha o mínimo de qualidade e que o segundo faça jus ao dinheiro empregado. O problema, de fato, é quando sua continuação é produzida somente para faturar. É o caso de "Até que a Sorte nos Separe 2" (2013), a nova comédia caça-níquel nacional que estreia nesta sexta-feira, dia 27.

Não há a menor dúvida de que o longa dirigido por Roberto Santucci alcançará a meta dos sonhos do cinema nacional: levar mais de um milhão de espectadores às salas de exibição. Mas isso em cima de piadas sem graça, situações forçadas e apelativas, que nos concedem pouquíssimas risadas. Isso é válido? Não, na minha opinião. Digo isso porque comédias também precisam apresentar o mínimo de qualidade para entreter a plateia, o que não acontece em "Até que a Sorte nos Separe 2".

O filme protagonizado por Leandro Hassum (Tino) segue à risca o padrão das comédias brasileiras atuais, apesar de se arriscar mais ao apostar em locações caras em Las Vegas e ter um coadjuvante de luxo: Jerry Lewis no papel de um camareiro.

O veterano comediante aparece em poucas cenas ao lado de Hassum e consegue salvar alguns minutos de filme. Mesmo assim, é constrangedor vê-lo num longa tão fraco. Aliás, não só ele, pois Hassum é um dos melhores comediantes do país e merecia um papel mais interessante no cinema.

Mas, vamos à trama. Tino e Jane (Camila Morgado) estão completamente falidos e precisam organizar as finanças da família o quanto antes. Eis que tio Olavinho (Maurício Sherman) morre e lhes deixa metade de sua fortuna de US$ 100 milhões, e um último pedido: que suas cinzas sejam jogadas no Grand Canyon (EUA) por alguém que realmente o amasse. Com saudades dos tempos de riqueza, Tino decide passar uns dias em Las Vegas, onde perde tudo num cassino e se envolve em uma grande confusão com a máfia mexicana.

E, por falar na máfia mexicana, seus personagens caricatos são de longe a pior coisa do filme. Não há como salvá-los, principalmente devido às atuações dos atores. É tudo tão forçado que torna uma tímida risada impossível. O mesmo acontece com as piadas envolvendo Anderson Silva (Andrew Silver). O lutador não está mal em cena, porém os diálogos não o ajudam em absolutamente nada.

"Até que a Sorte nos Separe 2" não é a pior comédia nacional de 2013 e certamente será um imenso sucesso de público, tal qual seu antecessor. Mas nem por isso é um bom filme. Pelo contrário, é muito fraco e sem graça.

Confira o Trailer:


TAGS:Cinema

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