Você Sabia? - Ingo Hoffmann, um gigante das pistas brasileiras
Gustavo Coelho | Você Sabia? | 03/11/2008 08:31

Foto: Duda Bairros / Stock Car Image Bank
A temporada de 2008 marca uma mudança radical na carreira de Ingo Hoffmann. Maior vencedor da história da Stock Car, o "Alemão" vai de despedir da categoria com um extenso currículo de vitórias. No GP Brasil do último domingo, Rubens Barrichello correu com um capacete laranja e amarelo em homenagem a Ingo. Um justo tributo para um homem que provou ser possível sobreviver como piloto profissional num país onde o esporte a motor está quase sempre em dificuldades.
A trajetória de Ingo tem início em meados da década de 70, quando ele começou a participar nas maravilhosas e extintas festas que os entusiasmados fãs do automobilismo promoviam no Autódromo de Interlagos. De início, Ingo não contava com a aprovação dos pais e, por isso, precisou esperar até o seu aniversário de 19 anos para fazer sua estréia nas competições.
Logo na primeira corrida, uma incrível demonstração de sua capacidade. Após não ter muita sorte no sorteio das posições do grid - afinal, realizar um treino classificatório no gigantesco circuito de Interlagos era impossível - Ingo alinhou numa distante 44ª posição. Mesmo sem a menor experiência, escalou o pelotão até terminar num inacreditável sétimo.
Não demorou muito e, é claro, seus desempenhos começaram a chamar atenção. Em 1973, o pai de Ingo resolveu apoiar a carreira do filho e conseguiu um patrocínio do Grupo Creditum. Ao mesmo tempo, Ingo venceu os campeonatos paulista e brasileiro na antiga Divisão 3, formada por carros de 1600cc.
O início da aventura européia
O bicampeonato em ambos os certames veio em 1974, comprovando todo o talento de Ingo. O passo seguinte não poderia ser outro: a Europa. Ajudado por Wilsinho Fittipaldi, Ingo comprou um March 753-Toyota e disputou toda a temporada de 1975 da Fórmula 3 Inglesa. No fim, mais um ótimo resultado: sexto lugar na classificação geral, incluindo uma vitória arrasadora no difícil circuito de Oulton Park.
Sem pensar duas vezes, Wilsinho assinou contrato com Ingo para a temporada seguinte. O plano era simples: no segundo ano de participação da equipe Copersucar Fittipaldi na Fórmula 1, Wilsinho seria o piloto principal, enquanto Ingo usaria a oportunidade para ganhar experiência e, possivelmente, assumir a liderança do time mais tarde. De repente, a situação toda mudou.
Insatisfeito com a proposta de renovação de contrato da McLaren, Emerson Fittipaldi deixou a equipe inglesa e rumou para a Copersucar. Entendendo seu compromisso com Ingo, Wilsinho abriu mão de correr para não deixar o jovem piloto à pé. De qualquer maneira, a posição da Copersucar não era mais a mesma e Ingo logo perceberia isso. Com Emerson comandando o time, a pressão por resultados seria infinitamente maior.
Uma carreira curta demais na Fórmula 1
O campeonato de 1976 começou no Brasil, justamente em Interlagos. Correndo com o antigo chassis FD03, Ingo não passou de 20º no grid, entre 22 pilotos. Na corrida, porém, veio a surpresa: usando o conhecimento da pista, Ingo terminou em 11º, duas posições à frente de Emerson! Infelizmente, porém, o resultado não mudaria muito seu status dentro da Copersucar.
Recebendo uma assistência de segundo piloto e sem o conhecimento dos circuitos da Fórmula 1, Ingo falhou a classificação nos únicos três outros GPs que disputou em 1976: Long Beach, Espanha e França. No ano seguinte, suas oportunidades ficaram resumidas apenas às duas primeiras corridas. Um abandono na Argentina e um ótimo sétimo lugar no Brasil foram o ponto final da curta carreira de Ingo na Fórmula 1.
Sem espaço na Copersucar, Ingo competiu na Fórmula 2 pelo resto de 1977 e em todo o ano seguinte. Como sempre, seus resultados foram admiráveis, especialmente em 1978, quando Ingo foi quinto no Europeu e campeão do Sul-Americano. Sua equipe, na época, era a Project Four, pertencente a um certo Ron Dennis. Apesar de tudo, Ingo não teve outra chance na Fórmula 1, e conscientemente voltou ao Brasil em 1979.
O maior nome da história da Stock Car
Exatamente neste ano, a Chevrolet inaugurava no país uma nova categoria: a Stock Car. Sem muita opção, Ingo estabeleceu-se no certame. Certamente, ele nem imaginava o sucesso que alcançaria na Stock. Logo no seu segundo ano, em 1980, veio o primeiro título. Depois, um pequeno intervalo até 1985, data de seu segundo troféu. A partir daí, Ingo comandou a categoria de maneira dominante.
Em 1989, o terceiro. Em 1990, o quarto. Em 1991, 1992, 1993 e 1994, o quinto, sexto, sétimo e oitavo títulos. Uma pequena parada em 1995, para mais um tri entre 1996 e 1998. Com o aumento da competitividade da Stock, Ingo viu sua hegemonia abalada, mas ainda venceria de novo em 2002 para fechar sua inacreditável conta: doze troféus de campeão.
Se não bastasse o domínio na Stock, Ingo ainda venceu a Mil Milhas Brasileiras em 2003, além de disputar com destaque o Rally dos Sertões e outras competições off-road nos últimos anos. Na corrida final da Stock em 2006, Ingo chegou à incrível marca de 100 vitórias no automobilismo nacional, contando todos os seus triunfos desde a Divisão 3, na década de 70. Um recorde certamente inalcançável.
Em 2008, Ingo faz sua última temporada na Stock Car. A partir da próxima temporada, o piloto pretende de dedicar à GT3 Brasil e também às competições de rally, sua nova paixão.
Fora das pistas, Ingo também dá o seu exemplo. Com o Instituto Ingo Hoffmann, socorre crianças com câncer, fornecendo abrigo e acompanhamento escolar. De fato, um gesto magnífico e emocionante, digno de uma dos maiores nomes da história do esporte a motor nacional. Mesmo sem ter tido muito sucesso na Fórmula 1, a trajetória de Ingo Hoffmann é um exemplo para qualquer jovem que deseja seguir a carreira de piloto profissional no país.
*A seção "Você Sabia" é publicada todas as segundas e quartas no Pit Stop
Postado por:Arquiteto Antonio Del Moral | 06/12/2008 09:05:52
Maravilhoso, vi Ingo em 1977 ao meu lado junto com Emerson em Interlagos com o Copersucar-Fittipaldi, tenho a foto a té hoje, e eu tambem nasci em 1953, parabens, Ingo é mesmo um grande campeão e uma grande pessoa. Adelmoral

































































