
Foto: Divulgação
No mesmo fim de semana em que a Formula 1 terá o seu momento decisivo, no circuito brasileiro de Interlagos, é inaugurado nos arredores de Portimão, no sul de Portugal, o mais moderno autódromo da Europa, também com uma etapa de encerramento, mas do Mundial de Superbikes.
Há mais de dez anos que se fala na ideia de haver uma pista de automóveis no sul do país, e sabia-se do projeto de Portimão desde 2002. Porém, em fins de 2005 é que o projecto avançou, na zona da Mexilhoeira Grande, a meio caminho entre Portimão e Lagos. Foi um investimento enorme - mais de cem milhões de Euros - e durou quase um ano a ser construído. O Autódromo é a primeira fase do projeto, que vai ter mais tarde um kartódromo, um hotel de cinco estrelas, um conjunto habitacional de luxo e um parque tecnológico, no qual se fala que poderá acolher a sede da A1GP.
Já agora, um conjunto de dados estatísticos sobre o Autódromo, para quem aprecia este tipo de números: 4692 metros (para a Formula 1), com uma largura de 14 metros, a pista pode albergar 64 versões, quer para motos, quer para carros, uma bancada principal de 16 mil espectadores, com Cafetaria, Museu, Camarotes, Área VIP, 84 boxes de 67,5 metros quadrados cada um, o que dá no total de 5670 metros quadrados, e um Paddock de 72 mil metros quadrados, o maior da Europa! O Media Center tem capacidade para 750 lugares, com 450 televisores? e até tem piscina! A Torre VIP, localizada bem no centro do autódromo, é um ponto privilegiado para assistir a corrida., e tem 48 camarotes de luxo. Para além disso, existem mais 55 mil noutras zonas do circuito, e estarão em zonas estratégicas do circuito quatro telões gigantes, com 25 metros quadrados cada um.
A escolha de Portimão não é inocente: o Algarve é a zona turística mais procurada pelos estrangeiros, sobretudo ingleses, holandeses e alemães. Para além disso, está a pouco mais de 120 km da fronteira espanhola, e a sua capital, Faro, é servido por um aeroporto internacional. O turismo de massas, no Algarve, é rei. Foi por isso que dos cem mil bilhetes vendidos, a grande maioria foi vendida em Espanha e Inglaterra.
Desde que o circuito começou a ser construído, o seu promotor, Paulo Pinheiro, investiu o seu tempo na concretização do projeto, para que nada ficasse ao acaso. E valeu a pena: apesar de ser relativamente parecido com Barcelona, o circuito é desafiador, pois aproveitou o relevo natural do terreno para construir o traçado, e as curvas e retas sucedem-se a um ritmo alucinante, com diferenças acentuadas. E dos pilotos que já o experimentaram, a avaliação é unânime: não vai ser um circuito para meninos.
No passado dia 13 de Outubro, a FIA e a FIM aprovaram o traçado português com Grau 1, o que significa que pode receber a Formula 1. E os anúncios não demoraram: à data de hoje, a Le Mans Séries, a FIA GT, a Euro 3000, a A1GP, e agora a GP2, confirmaram a sua presença nos seus calendários de 2009. É o regresso em força das competições internacionais a Portugal.
Com isto tudo, chegamos à pergunta sacramental: então, e a Formula 1? Sabe-se que irá haver um teste em dezembro, com a presença da McLaren e da Honda, e a Ferrari prestes a confirmar. Aliás, representantes de todas as marcas estarão neste domingo em Portimão para verificar as condições do traçado e das instalações, para ver se marcam algum teste no defeso, agora que a quilometragem dos carros vai ser limitada. E também nesse fim-de-semana, o Toro Rosso conduzido pelo espanhol Jaime Alguessauri, irá fazer umas voltas de demonstração no circuito?
E quanto ao regresso do Grande Prémio de Portugal, prova que foi retirada do calendário em 1997 para não mais voltar? Isso não depende dos promotores do Autódromo, mas sim da vontade governamental. "É uma decisão política", disse Pinheiro, há cerca de três semanas.
Ora, vai ser provavelmente o obstáculo mais difícil. Estamos em época de crise, e para agravar as coisas, em Portugal, estamos a pouco mais de seis meses de eleições para o Parlamento. Garantir um acordo com Bernie Ecclestone, que não pede menos do que vinte milhões de dólares por ano, com um aumento de dez por cento anuais, pode ser considerado como insultuoso para muita gente. Neste país, ainda não foi esquecido o escândalo que foi o apoio governamental de dois milhões de Euros, através do Instituto de Comércio Externo Português (ICEP) para Tiago Monteiro, na sua primeira época de Formula 1, em 2005. E fazer tal coisa em 2009 é meio caminho andado para um suicídio político. Por muito lucrativos que sejam as receitas turísticas naquela zona do país?
Mas, independentemente dos maiores ou menores obstáculos que existam, este domingo irá acontecer uma nova era no automobilismo nacional e internacional.
*Paulo Alexandre Teixeira, 32 anos, é jornalista de formação, e é o homem por detrás do blog Continental Circus, que existe desde Fevereiro de 2007. Para além disso, trabalha nos sites Supermotores.net e Motormais
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