The National dá aula de rock na segunda noite do Tim Festival
Luiz Felipe Carneiro* | Música | 25/10/2008 17:05

A grande estrela do Tim Festival 2008 estava se apresentando na maior tenda do evento, mas o grande show da segunda noite do festival foi o da banda norte-americana The National. Em um roteiro que privilegiou canções dos quatro álbuns do grupo, mas em especial o último, "The Boxer", o The National fez a apresentação mais roqueira e barulhenta do evento até agora - que o diga o público presente ao palco jazz, que sofreu com o vazamento de som.
O vocalista Matt Berninger e seus colegas, juntando todas as melhores referências de sua música, como Joy Division, R.E.M. e The Smiths, ofereceram ao público o que ele não tinha visto ainda no festival: muito rock n? roll. O show, que durou uma hora exata, com o acréscimo de algumas poucas canções no roteiro, é basicamente o mesmo que percorreu os Estados Unidos, durante o verão, quando o The National abriu as apresentações do R.E.M..
Durante o show, a tenda estava com apenas metade de sua lotação. Certamente por conta de Kanye West, que se apresentava no mesmo horário. Mas quem assistiu à apresentação, e conhecia um pouquinho do repertório da banda, pôde se deliciar com versões pesadíssimas para canções como "Start a War" (a primeira da apresentação), "Mistaken For Strangers", "Secret Meeting", "Slow Show" e, especialmente, "Fake Empire", que deixou o ouvido dos presentes zunindo de tanto barulho, até mesmo porque o The National não se conforma de ser uma banda de rock com uma formação clássica (bateria, baixo e guitarra), e, por isso, conta com teclados, violino e dois sopros.
Além de mandar muito bem no palco, a banda mostrou muito carisma e simpatia. Quando algumas garotas gritavam loucamente para o vocalista alto e desengonçado, ele respondeu com humor: "Não, eu não sou o Kanye West". Berninger ainda conquistou o público quando enrolou uma bandeira do Brasil arremessada pela platéia, em volta de seu pescoço. Não satisfeito, ele ainda pulou do palco para ficar pertinho do público durante "Mr. November", que encerrou a apresentação.
MGMT fez show roqueiro no mesmo palco
Coube ao MGMT a ingrata função de se apresentar após o The National no palco Ponte Brooklin. Mas se a dupla (transformada em quinteto na apresentação) não conseguiu superar a banda anterior, o seu show não decepcionou os fãs, que dançaram e cantaram praticamente todas as canções do repertório, centrado no primeiro e único álbum da banda, "Oracular Spectacular". A dupla original, formada por Ben Goldwasser (teclados) e Andrew VanWyngarden (guitarra e vocais), ainda lançou um álbum em 2004, quando se chamava The Management, mas este foi esquecido na apresentação.
O mais interessante de notar no show do MGMT, é como a banda se transformou em tão poucos meses. "Oracular Spectacular" foi lançado no ano passado e a sua sonoridade, mais leve e dançante, é bem diferente do que pôde ser ouvido no show apresentado na segunda noite da edição 2008 do Tim Festival.
O início da apresentação (que começou mais de uma hora após o término do show do The National) foi psicodélico como a sonoridade da banda. Após uma introdução instrumental, cheia de guitarras distorcidas e teclados (e um som sofrível, que foi corrigido no decorrer da apresentação), o MGMT atacou com "4th Dimensional Transition", uma das faixas mais viajantes de "Oracular Spectacular". Por conta de tamanha experimentação, em alguns momentos, o show perdeu um pouco o seu pique, com longos solos de guitarra que acabaram dispersando um pouco o público para o bar montado na tenda que abrigou o show.
Mas foi durante os seus maiores sucessos, que o MGMT colocou o público para cantar e, principalmente, dançar. Em "Electric Feel", "Kids" e "Time To Pretend", mais parecia que a platéia estava assistindo a um show de uma banda com anos e anos de estrada. A banda de Nova York ainda aproveitou para apresentar uma canção que não faz parte de seu álbum. "Metanoia", lançada apenas em single, com a sua sonoridade um pouco psicodélica e arrastada demais, foi outra canção que o dono do bar montado na tenda gostou bastante.
Instituto encerra segunda noite
O show do MGMT terminou quase duas da manhã e, enquanto isso, um enorme público dançava do lado de fora, no palco Itaipava Fest, ao som do Instituto, grupo paulista que fez um show em homenagem à fase "Racional" de Tim Maia. Além da banda, que tem entre seus integrantes, Rica Amabis, Tejo Damasceno, Daniel Ganjaman e o baixista Dengue, da Nação Zumbi, músicos como Carlos Dafé (que comemorava aniversário) e Thalma de Freitas também participaram do show. No repertório, clássicos do soul brasileiro, como "Imunização Racional (Que Beleza)" e "O Caminho do Bem".
*Luiz Felipe Carneiro é enviado especial do SRZD ao Tim Festival








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