A ópera diversificada e egocêntrica de Kanye West
Luiz Felipe Carneiro* | Música | 25/10/2008 13:40

Setenta e cinco minutos de atraso não desanimaram o público que encheu (mas não lotou) a tenda Brilhando No Escuro para assistir a primeira apresentação de Kanye West no Rio de Janeiro. Quando as luzes se apagaram, o telão começou a jorrar imagens alucinantes e, principalmente, quando o rapper apareceu deitado em seu planeta (ou melhor, no palco) cantando "Good Morning", a platéia já tinha certeza de que iria presenciar um grande show (pelo menos no aspecto da grandiosidade).
O espetáculo apresentado pelo rapper norte-americano é a mesma "ópera-rap" que ele vem fazendo na sua última turnê pelos Estados Unidos. "Glow In The Dark" é um egocêntrico show com uma (estranha) temática definida: viajando pelo espaço, Kanye West se perde e precisa arrumar um jeito de voltar para a Terra. A justificativa para o retorno é a de que ele iria devolver a criatividade ao planeta Terra (?!?). Outro detalhe: lá pelas tantas, a nave em que West viaja diz que ele é a grande estrela do universo (?!?).
Durante todo o show, o cantor, que mostrou uma ótima presença de palco, apresentou-se sozinho, com a sua banda escondida. Se por um lado, West pôde mostrar uma absurda presença de palco, por outro, causou uma sensação de que o som que era ouvido no show estava saindo de um computador qualquer.
Aliás, o som era algo realmente notável no show de Kanye West. As batidas graves faziam com que o piso da tenda tremesse durante a apresentação inteira. Perto do palco, inclusive, o som estava embolado e muito difícil de ser compreendido. Um pouco mais para o fundo, era possível notar, com nitidez, a pressão sonora da banda de West.
Além do som, o show de luz foi outra grande atração da ópera do artista norte-americano. Em alguns momentos, o efeito das luzes chegou a impressionar, principalmente quando se juntou aos efeitos especiais de fumaça saindo do palco e às imagens dos dois telões postados atrás de West.
No repertório, o rapper fez de tudo para que a junção de suas canções fizesse algum sentido dentro da temática do show. Ao lado de músicas menos conhecidas, "Thru The Wire", "I Wonder", "Stronger" e "Diamonds From Serra Leone" agradaram bastante ao público, que chegou até a acompanhar o rapper no coro.
Mas foi em "Can?t Tell Me Nothing" que a platéia ficou boquiaberta. Menos pela canção, e mais pela inusitada cena, na qual Kanye West era engolido por um dinossauro, para, em seguida, fugir.
Quando chegou finalmente à Terra, ao som de "Homecoming", Kanye West fugiu um pouco da temática do show para apresentar um de seus maiores sucessos. "American Boy" foi cantada aos berros pelo público que ainda levou de brinde uma composição nova de West, "Love Lockdown", que estará presente em seu próximo álbum "808?s And Heartbreak", a ser lançado até o final do ano.
*Luiz Felipe Carneiro é enviado especial do SRZD ao Tim Festival








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