Rosa Passos mistura Jazz com MPB e agrada
Luiz Felipe Carneiro* | Música | 24/10/2008 14:01

Tão logo o show de Sonny Rollins terminou, às 22h50, um locutor anunciou que a apresentação da cantora Rosa Passos, em outro palco, começaria dentro de instantes. Para aproveitar o público que saía do show do saxofonista, a produção do Tim Festival acabou atrasando o início do espetáculo da brasileira, em uma hora. A espera foi providencial, eis que grande parte do público que saía da tenda montada para o show de Rollins, entrava direto no palco onde seria realizado o show de Rosa Passos.
A apresentação da cantora brasileira não teve a sua lotação esgotada - cerca de 30% da tenda estava vazia. Mas quem assistiu ao show de Rosa Passos saiu com a sensação de que a Música Popular Brasileira pode combinar muito bem com o jazz norte-americano. Apesar de não ser muito conhecida no Brasil, Rosa Passos sempre faz shows muito concorridos nos Estados Unidos, Europa e Japão.
Mas Rosa Passos não se intimidou diante do público brasileiro. Por várias vezes, a cantora demonstrou durante o espetáculo, o quanto uma apresentação no seu país era importante para a sua carreira. E não faltaram agradecimentos. Da banda - ótima, diga-se de passagem - ao técnico de som, passando por ilustres presentes na platéia, como as cantoras Marina Lima e Esperanza Spalding (que se apresenta na sexta-feira no mesmo palco), e o violonista Chico Pinheiro, Rosa Passos não esqueceu de ninguém. A sua alegria era tão grande, que, em alguns momentos, parecia uma cantora fazendo o primeiro show de sua carreira.
Logo no início da apresentação, a cantora disse que gostaria de homenagear Dorival Caymmi e Elis Regina. E assim foi feito. Rosa Passos iniciou o show com uma versão cheia de suingue de "Vatapá" para, após, emendar com uma jazzística "Marina". Entre uma rosa e outra jogada para a platéia, a cantora interpretou clássicos do cancioneiro brasileiro, como "Preciso Aprender a Ser Só" (de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle) e "Cadê Você" (de Chico Buarque e João Donato).
Em certo momento do show, Rosa Passos sentou-se em um banquinho e tocou violão. Foi o momento Bossa Nova do espetáculo, com canções como "Pra Que Discutir Com Madame" (Janet de Almeida e Haroldo Barbosa), "Você Vai Ver" e "Águas de Março" (ambas de Tom Jobim), esta última em uma versão com um andamento um pouco mais rápido que o habitual.
Djavan também foi lembrado por Rosa Passos, com a climática "Álibi" e o hit "Samurai", que teve direito a coro da platéia. Outro grande momento do show foi a versão da cantora para "Vestido de Bolero", também de Dorival Caymmi. A música, transformada em um samba-jazz de arrasar quarterão, foi a mais aplaudida da apresentação. E o bis, com "Ladeira da Preguiça", composição de Gilberto Gil imortalizada por Elis Regina, colocou muita gente para dançar, com a certeza de que Rosa Passos merece, sim, ser mais conhecida no Brasil.
*Luiz Felipe Carneiro é enviado especial do SRZD ao TIM Festival








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