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Sonny Rollins faz show "colossal" no Tim Festival

Luiz Felipe Carneiro* | Música | 24/10/2008 11:11

Maurício Val/FOTOCOM.NET

O tão famoso 'village', que costuma ficar cheio de gente nas noites do Tim Festival, dessa vez estava praticamente vazio. E o motivo era um só: na primeira noite da edição 2008 do festival, o público só tinha olhos e ouvidos para Sonny Rollins, um dos maiores saxofonistas do mundo. Foram 23 anos desde a primeira e única apresentação de Rollins no Brasil, e o público nem se importou com o atraso de meia hora.


Aliás o público presente no show de Sonny Rollins era curioso. Dificilmente algum outro show dessa edição do Tim Festival contará com uma platéia tão diversificada, que englobava pessoas de todas as idades. Mas uma coisa, todos os presentes tinham em comum: gosto pela boa música.

E o saxofonista deu logo tudo aquilo que o público esperava: longos improvisos, grandes clássicos, uma banda sensacional e jazz, muito jazz. Vestido com uma calça branca, um camisão vermelho e óculos escuros, Sonny Rollins iniciou o seu show com "They Say It?s Wonderful", durante a qual, de cara, fez um belo solo de sax para, em seguida, abrir espaço para o trombonista Clifton Anderson e o guitarrista Robert Broom Jr. darem seus recados também, tudo acompanhado pela precisa bateria de Kobie Watkins e o baixo de Robert Cranshaw. Foram mais de vinte minutos de uma grande viagem musical.

A balada "In a Sentimental Mood" veio em seguida e, ao seu final, uma bela surpresa: Rollins arriscou um trecho de "Aquarela do Brasil", arrancando aplausos da platéia que, ao final de cada música, se levantava para aplaudir o saxofonista de 78 anos. Em "Don?t Stop The Carnival", Rollins fugiu um pouco do jazz tradicional e mostrou que também arrepia na salsa. O tema foi um dos mais aplaudidos da apresentação.

Sonny Rollins ainda tocou mais alguns longuíssimos temas, sempre levando a platéia ao delírio. Mas o clímax do show acabou acontecendo mesmo no bis. Após uma hora e meia de apresentação, durante o qual só se dirigiu a platéia uma única vez, para agradecer aos presentes e apresentar seus músicos, Rollins mostrou que ainda tinha fôlego de sobra. E "St. Thomas", calipso dedicado à ilha caribenha de mesmo nome, e presente em seu álbum mais importante, "Saxophone Colossus" (1956), fechou a já histórica apresentação com praticamente todo o público de pé delirando na frente do palco.

No sábado, Sonny Rollins faz a sua última apresentação no Brasil, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, com entrada franca.

*Luiz Felipe Carneiro é enviado especial do SRZD ao TIM Festival


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