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11/06/2013 14h46

Carnaval 2014: leia a sinopse do Salgueiro
Redação SRZD

foto:divulgação

A escola de samba Acadêmicos do Salgueiro divulgou, nesta segunda-feira, 10 de junho, a sinopse do enredo "Gaia -  a vida em nossas mãos", que será desenvolvido pelos carnavalescos Renato e Márcia Lage para o desfile de 2014.

Confira o texto na íntegra:

Para o carnaval de 2014, o G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro abraça um tema atual e presente: o nosso envolvimento com o Planeta Terra, que é a nossa casa, o nosso território e onde a vida acontece, até onde o sabemos, de forma única em todo o Universo conhecido.

Desde os primórdios da Humanidade, diversos povos construíram seus mitos para explicar a Criação do Mundo. Gaia para os gregos significa Terra, o lugar em que habitamos, que cultivamos, onde criamos nossos filhos, onde celebramos a vida com festa, com alegria e, sobretudo, com o carnaval.

Outros povos também contam, à sua maneira, como o mundo foi formado. Os povos de língua iorubá, por exemplo, acreditam em um deus supremo a quem chamam Olorum, um ser não manifesto enquanto denominam o Ayê, o mundo tangível, real e mundano, como sendo o aqui e agora em que vivemos, separados do plano divino. Citamos a cosmogonia iorubá por estar próxima da nossa realidade cultural e por serem seus mitos bastante difundidos em muitas manifestações artísticas e culturais do Brasil. Nela cada Orixá representa um aspecto da natureza, uma parte do todo que constitui o mundo, assim como Gaia. Desta forma temos a presença de Xangô, dominando o elemento fogo. O saber de Oxóssi e Ossanha sobre as coisas da terra e do mundo vegetal. A força de Iansã regendo o movimento dos ventos, a leveza de Iemanjá e Oxum reinando sobre as águas, enquanto Ogum vislumbra o domínio das armas e a fortaleza do ser humano, eterno guerreiro. Estes domínios constituem a harmonia e o mando do Olorum sobre a Terra.

O remoinho do Mundo

Gaia é a vitória da ordem sobre a desordem do Caos, quando a matéria do mundo se encontrava misturada, sem forma e sem sentido. Gaia é o preenchimento do vazio, o chão que pisamos; o mar, as montanhas, o ciclo dos dias e das noites, o meio ambiente em que nós nos adaptamos ao longo do tempo.

Na plenitude de Gaia, na harmonia de suas formas, na sua composição, podemos ver e sentir a dança dos quatro elementos: Terra, Água, Fogo e Ar. E tudo que eles representam como matéria e como espiritualidade.

Quando abraçamos a Terra, sólida e compacta, sentimos sua força sutil de onde tiramos o sustento, tanto para a carne, como para o espírito. Nela nos abrigamos, por ela caminhamos rumo ao trabalho ou a passeio. Nela firmamos os pés e sonhamos com reinos de abundância, terras da utopia, amores e conquistas. A Terra é um ser sensível. Onde o homem for generoso com ela, ela o será com ele.

Quando contemplamos a Água vemos que ela está em nós, é a fonte da vida, purificadora evocada em quase todas as religiões, em todos os continentes, seja nas cerimônias de batismo, nos banhos sagrados ou na água benta. Ela está em toda parte e cobre quase todo o Globo. A grandeza das águas justifica o Planeta ser azul e ser um ambiente ímpar em todo o espaço sideral.

Por sua vez, o Fogo nos remete aos tempos imemoriais. Ele foi nossa arma para dominar o mundo, para cozinhar, conservar os alimentos e aquecer o abrigo contra as mudanças do tempo e a ameaça dos animais. Apesar da sua força, por vezes indomável, ele nos inspira calor e proteção. Ele é a transformação, o pai da alquimia, queimando o que foi e fazendo o que será, em outra substância, em outra dimensão. O que há de renascer das cinzas?

Fechando o ciclo temos o Ar, talvez o mais delicado entre os elementos por ser o menos visível, porém o mais presente. Respiramos desde que nascemos e a atmosfera é uma massa de ar que nos liga, seres humanos, uns aos outros, onde quer que estejamos. Os ventos desconhecem as fronteiras e a brisa pode antecipar os furacões...

Gaia é uma caixa de ressonância, som do arado sobre a terra, da mão sobre o tambor, da folha que cai no chão, é olho da mina d'água, a chama da vela acesa, uma linha de fumaça, ecoa encantos e belezas, é o ser em contemplação.

Mas será que não sabemos o que estamos fazendo com o Planeta Terra? Será que nossa visão é tão pequena e estreita que não conseguiremos deter este cenário de destruição que nos afeta a todos? O que representaria uma existência plena, ecológica?

Vivemos num tempo acelerado, a comunicação reduziu as distâncias, os sistemas de informação colocam o mundo em tempo real em todos os lugares. Tudo parece fácil e acessível e por vezes estabelecemos metas inatingíveis. Somos tomados pela ansiedade e pelos buracos negros da depressão e tem horas que não vemos luz no fim do túnel.

Corações e mentes por todo o Planeta Terra colocam suas forças em busca de soluções e saídas. Desejam inverter o quadro onde se aponta uma volta ao caos inicial, agora causado pela mão do homem, com sua ganância, e seu poder de destruição.

Há outras fontes de energia sustentáveis, outras propostas de organização das cidades, há outros modos de se obter qualidade de vida.

O amor à Gaia é uma maneira de sairmos do impasse. Gaia tem a força da mudança, é uma forma de oração, a quem nos voltamos com carinho, é nossa Mãe, nossa luz, brilhando no espaço, pontinho azul acenando para a imensidão do Cosmos silencioso, é a nossa promessa de vida e de felicidade.

Renato Lage e Márcia Lage


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Comentários
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    14/06/2013 17:21:37Almir da Silva LimaMembro SRZD desde 11/10/2011

    Sob o título "Enredo 2014 do Salgueiro foca sustentabilidade e tem patrocínio privado" acabei de postar texto em almirptmacae.blogspot.com.

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    12/06/2013 22:05:19Duquesa Dholores: a nobreza da favela em pessoa!Membro SRZD desde 18/10/2010

    ah... esqueci de pedir sua bença!

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    12/06/2013 21:48:07niltonMembro SRZD desde 25/10/2009

    Gaia, a vida em nossas mãos. E em nossas mãos esta a possibilidade de aceitar provocações sem embasamento como as aqui proferidas por certos comentários. Gaia e erudito. Gaia, Terra, Aie, não importa.....e Terra, da Grécia, da Fenícia, da Pérsia, dos kaapor, dos tupinambas, dos vikngs, dos corsarios, ....tudo e história, todos somos história. Todos estamos em alguma pagina do livro da vida desse lugar chamado planeta azul. E escrevemos esse caminho juntos e separadamente. Cada um com cada ato. E complexo, e denso, e fechado e e Salgueirissimo.

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    12/06/2013 21:47:37Duquesa Dholores: a nobreza da favela em pessoa!Membro SRZD desde 18/10/2010

    Psiu... sua santidade, tem conceito fechado sim. Ora, se tudo é da terra, não vem de outro lugar, então o conceito fecha em torno de Gaia e o que nela existe. Agora, se o que em Gaia existe é abundante, porque tudo deriva dela, (pochete, tesoura, absorvente, um vibrador, papel higiênico) caberá aos carnavalescos, que estão longe de serem burros, escolher o que melhor representa e pode ser traduzido em fantasias, né?

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    12/06/2013 21:01:00Duquesa Dholores: a nobreza da favela em pessoa!Membro SRZD desde 18/10/2010

    Hummmm... temos um professor de português instrumental, né? Então, querido, concerte o texto salgueirense. Coloque os parágrafos e frases no lugar certo. Quem sabe assim a sua escola vê o prodígio que ocê é e aproveita pra lhe pedir que faça o mermo naquela salada doida onde o homenagiado é citado em áreas como medicina e gastronomia, menos como profissional de mídia. E olhe que o título diz que ele é o iluminado astro da comunicação brasileira, viu. Dá um jeitinho no texto do Sal, mais não esquece de refazer aquela mulambaria de ideias desconexas.

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    12/06/2013 17:50:35TedyMembro SRZD desde 12/04/2012

    A sinopse esta confusa, parece um quebra cabeça, onde as peças não se juntam, porque estão no lugar errado. Se algumas parágrafos fossem colocados no lugar certo, ficaria ótimo. ... O enredo é batido, mesmo assim dá pra imaginar a boa estética do desfile, feita por Renato Lage e Márcia.

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    12/06/2013 17:40:49Marcio HenriqueMembro SRZD desde 08/06/2009

    Realmente não cabem aqui as palavras adequadas para uma resposta à altura. Mas, enfim, eu gostaria de saber que poha é essa de "papiza do samba"... Parece um traveco estilo "vera verão", com um imenso recalque no ego. Que tchola invejosa!!! Até entendo que não goste do enredo, mas chamar os autores de burros é demais. Sai daí galinha de encruza, vela de macumba!!! Volta pra escola, aprende a escrever... Enfia a sua opinião deselegante e recheada de inveja no olho do teukú!!!

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    12/06/2013 14:59:43papiza do sambaMembro SRZD desde 28/01/2010

    Gente que mmmmmmmmm, tudo é da terra e à terra pertence!!!E essa parada de chamar à terra de Gaia é muito antigo, cafonerrimo de gente sem cultura para um povo sem cultura do samba.Enredo muito plural onde tudo cabe, até se chamarmos de caixa de ressoanância,kkkkkk Péssimo me lembra aquele horroroso "e por que não", tudo podi ser "e por que não" do proprio salgueio, lembram? O mnelhor desse genero batedeira eletrica dele foi o "eu quero" fora isso, é uma m... de enredo, plural demais!!!!!!!!!!CONCEITO FECHADO KKKKKKKKKKKK, FALA ALGUMA COISA AÍ... POCHETE, VEM DO BOI QUE ESTÁ NA TERRA- OUTRA TESOURA, VEM DA LIGA DO FERRRO QUE ESTÁ NA TERRA, ENTENDEM? TUDO PODE!!!!!!!SEM PERSONALIDADE GENTEM ENREDO DE GENTE BURRA ESGOTADA!!!!!SEM BASE CULTURAL E GAIA É SÓ NA GRECIA, NA AFRICA E EM OUTRA CULTURA NÃO É GAIA!!!!!!!!!!!!

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    12/06/2013 07:37:19Duquesa Dholores: a nobreza da favela em pessoa!Membro SRZD desde 18/10/2010

    Esse tema tem conceito fechado. Nem tudo cabe dentro dele. Terra seio materno fonte da nossa subsistência... ponto! Sustentabilidade é a ordem do dia. Ou nós cuida do planeta extraindo dele as riquezas com consciência, ou nós vai fufu as próximas gerações. Em outras plavras, como bem diz o texto, seremos conduzidos ao caos... já estamos nesse processo. Explorar com consciência.Buscar novas alternativas para viver sem destruir. Essa é a mensagem de um enredo contemporâneo que explora elementos já decantados na avenida. Isso é normal. Importante é a temática central. Outros elemetnos se juntarão aos já vistos para compor um desfile que é muito mais do que um grito de alerta, é a constatação duma realidade vivida por cada habitante do planeta. Não caberia aqui lirismo. Nem mermo floriamentos. Salgueiro quer mostrar a vida da Terra como ela é, com seus mitos, dádivas, intervenções humanas, males oriundos dessa intervenção e a afirmação de que é preciso reverter esse quadro urgentemente.

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    12/06/2013 01:44:41FELIPE ALEXANDRE ROMÃOMembro SRZD desde 12/04/2011

    O enredo é inteligente, com certeza vai ser condescendente. Um tema milenar, que vai ser contemporanizado, pela arte do carnaval, Viva o Salgueiro!

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    12/06/2013 01:03:04niltonMembro SRZD desde 25/10/2009

    Salgueiro - Samba-Enredo 1987 Didi, Bala e Cezar Veneno E POR QUE NÃO? Se um dia o mundo acordar (E vai acordar) Verá, verá, verá Uma luz brilhando no horizonte E vai se transformar Verá que tudo pode acontecer Sorrir, sem nunca precisar chorar Virar ... Um passarinho E fazer do mundo, e por que não Um belo ninho Venham ter felicidade Salgueirando a humanidade Amanhã É raio de luz agora Vai a luta O que deve ser teu será O chapéu de palha Quererê Suor no rosto e um chão para viver O paraíso está na terra E por que não acreditar É acabar com as guerras E vamos viver de amar

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    12/06/2013 00:59:41niltonMembro SRZD desde 25/10/2009

    E pra fechar, Eu Quero, enredo do Império Serrano de 1986 , do Renato Lage e Lílian Rabello, estava situado exatamente num contexto de abertura política...de fim de censura...de vontade de voto direto...de redemocratizaao. Para a época, era atual, mobilizava o campo das idéias...era apoiado num sambas, e foi realizado com muita poesia e beleza estetica. Era a materialização carnavalizado dos anseios do povo.

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    12/06/2013 00:59:41niltonMembro SRZD desde 25/10/2009

    E pra fechar, Eu Quero, enredo do Império Serrano de 1986 , do Renato Lage e Lílian Rabello, estava situado exatamente num contexto de abertura política...de fim de censura...de vontade de voto direto...de redemocratizaao. Para a época, era atual, mobilizava o campo das idéias...era apoiado num sambas, e foi realizado com muita poesia e beleza estetica. Era a materialização carnavalizado dos anseios do povo.

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    12/06/2013 00:55:14niltonMembro SRZD desde 25/10/2009

    Gaia não e Braga, e erudito....desculpa...rsrsrs Gaia , a vida em nossas mãos e um enredo, direto, objetivo...remete a momentos salgueirenses sim, porque remete ao passado como objeto de analise, e ao futuro, como objeto de sonho, vontade ...e que no presente momento do desfile em 2014, a possibilidade de analisar como o homem vê seu planeta, como viu e o que fará para vê lo bem, e fazer dele infinitamente acolhedor e prospero. Esse e o enredo. Em nenhum momento poderia se chamar ressonância, pq a ressonância com certeza e irrelevante para a sustentabilidade do planeta numa visão imediata..mas, se ela proporcionar a possibilidade de melhora na qualidade de vida, quem sabe um estorninho especial para ela,...um tripé...um destaque de chão, quem sabe. Enredo direto, objetivo, redondinho....a cara do Salgueiro...com imponência, pompa e circunstancia.

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    12/06/2013 00:33:29niltonMembro SRZD desde 25/10/2009

    Pior e ter que comentar.... O enredo de 1987, " E por que não ?" Assinado por Renato Lage e Lílian Rabello era a materialização de um tema que parecia abstrato a principio, mas que era consistente e oportuno. Falava da possibilidade ilimitada do ser humano em mudar o curso da evolução, que caminha para o caos, com a influencia do mal, em um curso mais feliz, igualitário e solidário. Falava da possibilidade de sublimar barreiras e fronteiras e tornar o planeta Terra num lugar melhor..no limiar da idéia de paraíso. E tudo esta nas mãos e mentes humanas. Ja na comissão de frente o Renato carnavalizado a idéia e traz 12mulheres maravilhosas com fantasias de 2 lados, um vermelho e outro branco, um art nuveux e outro art deco. E a mistura da arte, da idéia e da carnavalizado. Ja no abre alas, fabrica de idéias, a idéia de mudar para melhor se alia ao axe do Salgueiro, através de Paula, Isabel Valença e Xango do Salguerio, destaques centrais e das passistas e elementos carnavalescos presentes no carro. Salta a vontade, a idéia e a energia necessária para mudar a trajetória humana. Guerreiros sambistas salgueirense, primeira ala da escola saem em campo, samblando, chamando a todos para salgueiral essa idéia e mobilizar as pessoas de que o bem e a melhor saída. Nese enredo, os carros sao postos em dupla face em alguns setores, ...Elke Maravilha e o vírus da saúde, Leide Francisco chama a todos para se associar a Bomba Harmônica, um dos carros da escola, e Louise Cardoso desfilaem ala no setor da luz. Muita inteligência e perspicácia, trazendo a tona a "insustentável leveza do ser", e trazendo as baianas como o "novo alvorecer" ao fim da escola, fechando com maestria um desfile rico, proporcionado pela administração estupenda de Elizabeth Nunes, que reconduziu o Salgueiro ao seu lugar de disputa e destaque, e o patrocínio de Miro Garcia. Salgueiro, apesar de enfrentar problemas com algumas de suas alegorias, antes de pisar na

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