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13/03/2008 11h42

A importância da indústria do carnaval. E de um julgamento profissional
Thatiana Pagung

O Observatório de Emprego e Renda, da Secretaria de Trabalho e Renda do Estado, apontou que o carnaval de 2008 foi responsável pela geração de cerca de 850 mil postos de trabalho indiretos e diretos. Ainda que temporários, cerca de 55% dos empregos adicionais foram ocupados por pessoas atualmente desempregadas.

São maquiadores, cabeleireiros, chapeleiros, aderecistas, figurinistas, costureiras, sapateiros, operários das fábricas de tecidos e armarinhos, fabricantes de máscaras, de confetes, de paetês, de serpentinas. Também preparadores físicos, massagistas, donos de academias de ginástica, cirurgiões plásticos, operadores de máquinas de bronzeamento, nutricionistas – profissionais que preparam o corpo das musas e dos bonitões. Arquitetos, engenheiros, operários que montam e desmontam arquibancadas, carpinteiros, artesãos, serralheiros, eletricistas, iluminadores, sonoplastas. Músicos, cantores, fabricantes de instrumentos e ambulantes em geral. Equipes de publicitários. Funcionários de hotéis. Guardadores de carro. Pilotos, motoristas de ônibus e táxis que transportam foliões - e até aqueles que querem escapar da folia. E muitas outras formas de trabalho.

O que essas pessoas têm em comum? Todas são anônimas e guerreiras, e curtem o carnaval de outra maneira: levando o resultado financeiro do seu suor para casa. Mas, para os leigos que absorvem o carnaval apenas pelas informações que recebem da mídia, sua importância econômica como fator de inclusão social ainda é subestimada, quando não relegada completamente.

O estágio de profissionalismo a que o carnaval do Rio chegou é muito avançado – mas, ainda assim, muito há por progredir.

Prova disso é que cada vez mais surgem cursos especializados na cultura carnavalesca, até mesmo em universidades. Pioneira no assunto, a Universidade Estácio de Sá, com o Instituto do Carnaval, já formou vários profissionais que estão atuando no mercado de Festas e Eventos Carnavalescos.

Noel Rosa escreveu que "O samba é um privilégio, ninguém aprende samba no colégio." Continuo a concordar que nosso swing, nosso ritmo, nosso sambista não são formados no colégio; mas o Carnaval cresceu, tornou-se o maior espetáculo a céu aberto do mundo, e além da cultura, da diversão e dos trabalhos sociais gerados nas comunidades das escolas de samba, hoje ele é visto como uma grande empresa, onde o amadorismo não é mais tolerado.

Num ponto crucial, porém, o carnaval carioca mantém-se preso a uma estrutura amadora: o julgamento. Não sabemos como os jurados – de todos os grupos – são escolhidos, não sabemos da competência que eles têm para avaliar certos quesitos. Acham fácil tirar pontos sem dar explicações convincentes. É de doer o coração de qualquer um sambista, que sabe o suor depositado em cada detalhe. Concordo com o colunista Eugênio Leal quando diz, incisivo: "É preciso um curso sério para os julgadores do carnaval". Fica aí a sugestão para estes cursos inovadores na área, porque nosso carnaval é muito importante, envolvendo muitos profissionais que merecem respeito, não sendo julgado de forma pessoal, e sim profissional.


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