Medo de recessão global afasta investidores e provoca queda nas bolsas
Letícia Simões | Economia | 10/10/2008 17:47

Devido ao medo de uma recessão global - anunciada na quinta-feira (9) pelo presidente do FMI (Fundo Monetário Internacional) - o mercado de ações ao redor do mundo esteve em desespero: em uma mesma tarde, a seguradora japonesa Yamato Life Insurance anunciou sua quebra, fato inédito no país, e a Bolsa de Valores de Tóquio teve a pior queda desde 1987.
O índice americano Dow Jones, no início do dia, atingiu a marca de - 12%, enquanto o circuit breaker era acionado pela quarta vez em sete dias na Bolsa de Valores de São Paulo. Na Europa, o panorama não foi muito diferente - Londres fechou com baixa de 8,9%, Frankfurt teve queda de 7%, e a Bolsa de Paris terminou o dia com baixa de 7,7%.
"O momento agora é de ter muita calma, principalmente as pessoas que têm investimento em bolsa. Vender ações agora é assumir o prejuízo da desvalorização. Quem já está na Bolsa, com ações e investimentos, deve ficar quieto", alerta o analista econômico da Universidade de São Paulo (USP) Alexandre Uhera.
O presidente Luis Inácio Lula da Silva afirmou na tarde desta sexta-feira (10) que, caso a crise se agrave, tomará as "medidas necessárias, até mesmo cortando investimentos". Todavia, o dinheiro a ser cortado, garantiu Lula, não será o dos programas sociais tampouco do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Para o economista João Paulo dos Reis Velloso, ministro do Planejamento durante os governos Médici e Geisel, é necessário saber qual a posição do Banco Central em relação à taxa de juros, "porque o que cabe na situação atual é agir com a necessária flexibilidade como estão fazendo os Bancos Centrais ao redor do mundo - ou seja, reduzir a taxa de juros".
Alex Agostini, economista-chefe da agência de risco Austin Ratins, teme que a desconfiança global sobre o mercado financeiro não se restabeleça em um prazo de três a seis meses - e com isso, a economia mundial entre em uma recessão definitiva. Para Agostini, a definição da extensão da crise vai depender de como os consumidores e os investidores vão responder ao sistema de medidas adotadas pelos diferentes países.
Mesmo com as três intervenções do Banco Central no mercado de câmbio - nesta sexta, o BC realizou dois leilões de reservas internacionais com valores não-divulgados e uma operação de swap cambial, na qual US$ 589,3 milhões foram vendidos -, a moeda americana fechou em R$ 2,31. A Bovespa terminou o dia em baixa de 3,97%, com 35.609 pontos.




























