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Gabeira x Paes: o primeiro debate

Laura Machado | Eleições 2008 | 09/10/2008 17:01

Foto: Juliana Cavalcanti

Os candidatos à prefeitura do Rio, Fernando Gabeira (PV) e Eduardo Paes (PMDB), realizaram o primeiro debate do segundo turno das eleições municipais, nesta quinta-feira (9), no auditório do jornal O Globo. O evento contou com a presença da imprensa e do público, que se manifestou diversas vezes a favor de Gabeira.

Na primeira parte do debate, jornalistas do Globo fizeram perguntas aos candidatos. Os temas de maior destaque foram problemas orçamentários, desordem urbana, saúde e transportes.

Paes foi o primeiro a responder e qualificou como "grave" a situação financeira da cidade e disse que pretende estabelecer prioridades para conseguir cumprir suas propostas de governo, bem como realizar parcerias com os governos do estado e federal  e reduzir despesas. Ele reafirmou que o Rio precisa sair do isolamento, e que o prefeito deve agir como um "síndico" ao cuidar dos problemas cotidianos da cidade.

Gabeira, com tiradas de efeito, agradou a platéia ao responder os jornalistas e provocar o adversário. Ele afirmou que "o trabalho de síndico com o de líder é que levará a cidade para o bom caminho".

O verde  também criticou o governo do estado ao responder sobre saúde. "Caracterizar o médico como vagabundo não é adequado", declarou sem mencionar o nome do governador Sérgio Cabral. Ele disse que pretende resolver os problema da saúde tirando  o melhor dos médicos em sua gestão.

Paes - visivelmente nervoso - não respondeu às indiretas ao governo do estado - de quem recebe apoio- e reafirmou suas propostas de saúde como o programa saúde da família, além da proposta de estender o horário dos postos de saúde e as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) em parceria com o estado.

Diferenças de campanha

Questionados sobre as diferenças entre suas propostas para administrar a cidade, o peemedebista  afirmou que deseja ser um prefeito com uma ampla visão da cidade, fazer um governo que trabalhe de forma integrada. Paes ressaltou que suas prioridades serão a saúde, o fim da aprovação automática, e a ordem urbana com o papel de síndico.

Gabeira, por sua vez, afirmou: "mesmo sem o auxílio da máquina partidária conquistei muitos votos, e sem sujar as ruas. Para um candidato a síndico, não é bom começar sujando o prédio dele", disse arrancando aplausos e risos do auditório. Neste momento, o mediador do debate repreendeu a platéia dizendo que não seriam toleradas manifestações de apoio ou contra qualquer candidato. O verde  falou que o auditório poderia recorrer não mais às palmas, mas ao estalar de dedos.

Divergências sobre subsídios no transporte

Eduardo Paes foi enfático ao responder sobre como resolveria a questão do transporte no Rio. Ele anunciou que, se eleito, o bilhete único começaria a valer já no próximo ano, e que ainda pretendia rever a "obscura política tarifária dos ônibus", além de não aceitar subsídios.

"É possível fazer sem subsídio e, devido aos problemas de caixa, vamos ter que fazer sem subsídio. Não vou dar subsídio para as empresas. Elas têm condições, através de um sistema racional de integração física. Ele estará implantado no ano que vem sem subsídio", explicou o candidato do PMDB.

Já o candidato do PV ressaltou que ainda não tem certeza se poderá deixar de aceitar os subsídios, e nem sabe ao certo quando poderá implementar o sistema de bilhete único porque depende de resolução de outras questões como "licitar os ônibus, articular com o transporte alternativo, colocar equipamento de leitura dos bilhetes nos transportes e ver o subsídio".

No bloco de perguntas dos leitores aos candidatos, eles foram questionados sobre o legado deixado pelos Jogos Pan-Americanos, arrecadação tributária e relacionamento com a Câmara de Vereadores eleita.

Ambos concordaram que os Jogos Pan-Americanos não deixaram para os cariocas grandes mudanças na parte de transportes e nem no meio ambiente. Paes ressaltou que o dinheiro investido em algumas obras poderia ter sido realocado para outras prioridades, como transporte e segurança, mas afirmou a importância do evento para colocar a cidade no cenário de grandes competições, conquistando a vaga para sediar a Copa do Mundo em 2014 e estar no páreo para os Jogos Olímpicos de 2016.

Gabeira  enfatizou que a realização de competições esportivas em cidades deve servir também para fazer a população praticar mais esportes. Como exemplo, o verde citou a China, onde as crianças passaram a fazer mais atividades físicas: "devemos mudar o espírito de pensar Olimpíadas apenas construindo", declarou.

Apoios e mudanças partidárias

Ao ser questionado sobre mudanças de partidos, Eduardo Paes reafirmou seu compromisso com a cidade. "Tenho buscado na minha trajetória de 16 anos de carreira política sempre ter prioridade pelo Rio. Entender os problemas da cidade e suas dificuldades." Já Gabeira destacou que, ao contrário do adversário, mudou pouco de partido, apenas quando teve uma divergência no PT e voltou para o PV.

"Quando mudo, faço discurso para explicar minhas razões. Pessoas não saem do partido quando são do governo. Eu saio" - provocou o rival.

Paes tentou rebater o adversário, ressaltando a transparência dos apoios conquistados nas legendas, e afirmou que Gabeira deveria ter vergonha do apoio do prefeito Cesar Maia, uma vez que tenta escondê-lo.

O deputado respondeu que aceita qualquer tipo de apoio na campanha, mas que as legendas têm dificuldades em aceitar sua proposta de não querer ocupação política na máquina administrativa. Sobre Cesar Maia, ele declarou que o prefeito não terá espaço no seu programa na televisão, mas disse que pretende criar um conselho de ex-prefeitos para ajudar em sua administração.

Conquista da vaga no segundo turno

Eduardo Paes disse que nunca se sentiu em um "clima de já ganhou", mesmo quando liderava as pesquisas. Ele afirmou que sempre foi humilde durante a campanha e trabalhou muito para chegar no segundo turno.

Já Gabeira atribuiu à internet a sua virada na campanha. Segundo o candidato, foram os jovens que ajudaram. 

Candidato pergunta para adversário

O primeiro a questionar o adversário foi Paes, que perguntou sobre as propostas para evitar uma nova epidemia de dengue. Gabeira respondeu sobre realizações de  campanha preventiva, bem como investir em treinamento de equipes qualificadas para diagnosticar a doença e evitar mais mortes.

Em seguida, o candidato do PV questionou o rival sobre o funcionalismo público, alfinetando se ele manteria a mesma atitude do governo do estado com os funcionários, especialmente da saúde. Paes ressaltou a qualidade técnica dos servidores municipais e disse que pretende manter as garantias e buscar melhorias para motivar os funcionários.

Outro assunto em pauta foi transporte. Como as propostas de ambos são parecidas, Gabeira chegou a brincar dizendo "caso um seja eleito, então um apóia o outro".

Considerações Finais

No último bloco, os candidatos fizeram um balanço de sua chegada ao segundo turno. Eles ressaltaram que pretendem manter uma campanha de alto nível, por serem amigos, e que  cabe ao eleitor escolher quem será o melhor prefeito para cidade.

"O povo está se decidindo por um novo prefeito. Posso perder, meu adversário também, mas o Rio encontra um caminho. O povo encontrou seu eleito, e nas urnas vai dizer quem é", concluiu Gabeira. Já Paes em sua despedida enfatizou que ao longo de sua carreira se preparou para ser prefeito, conhecendo todos os cantos da cidade do subúrbio a zona sul.


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