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'Quero desentulhar a UTI', disse médica acusada de matar pacientes

Redação SRZD | Brasil | 21/02/2013 08h16

Está presa desde a última terça-feira a médica Virgínia Soares Sousa, acusada de homicídio qualificado contra pacientes internados na UTI do Hospital Evangélico de Curitiba.

As denúncias de que estaria cometendo crime partiram de funcionários da unidade, e as investigações duraram um ano. Virgínia dirigia o setor da UTI do hospítal, onde trabalhava desde 1988.

Em trechos do depoimento prestado pela médica à polícia nesta quarta-feira, obtidos pela "RPC TV", Virgínia disse ter sido mal interpretada por falas como "Quero desentulhar a UTI que está me dando coceira", relatadas por companheiros de trabalho.

A médica foi denunciada por um ex-colega de trabalho acusada de matar pessoas internadas para abrir novas vagas de UTI para pacientes conveniados ou particulares, em detrimento de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

Outra frase presente no inquérito e que teria sido dita pala médica sobre os pacientes internados em UTI é "Infelizmente é nossa missão intermediá-los do trampolim do além".

O técnico em enfermagem Silvio de Almeida, que já trabalhou junto com Virgínia no mesmo hospital, afirma que a médica abreviava a vida dos pacientes com o respirador:

"A mínima quantidade de oxigênio que o respirador podia mandar, ela deixava [o mínimo é 21%]. Eu já vi ela várias vezes desligando o respirador", contou o ex-funcionário.

Outro ex-funcionário conta que Virgínia ligava para outros médicos, que também costumavam desligar os aparelhos de pacientes:

"São dois médicos e uma médica, só que esses eu não vou citar o nome, que fazem a mesma coisa, que têm a mesma conduta que ela", disse.

Uma nota divulgada pelo Hospital Evangélico de Curitiba diz que o caso foi pontual, e que a postura de Virgínia não reflete o comportamento da equipe da unidade, composta por mais de 300 médicos.

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