Fé cega e faca amolada - 2º turno no Rio
Mônica Baptista | Fé | 08/10/2008 19:33
O resultado das urnas no Rio poderia ser comparado a frase "fé cega e faca amolada". Na matéria de Soares Junior "Uma eleição com candidatos de biografias trocadas" consta a análise do cientista social César Romero: o eleitor deu a resposta que não quer misturar política e fé.
Marcelo Crivella foi a primeira "vítima" dessa "gestão comportamental" do carioca frente às urnas. Começou a disputa em primeiro lugar com Jandira em segundo. A sua ligação com a Igreja Universal foi uma "faca de dois gumes" para o candidato. E a "faca" começou a ser amolada com o "voto útil" em Paes e, nas vésperas das urnas, já amoladíssima, foi utilizada para levar Fernando Gabeira ao segundo turno.
Como na música "Fé cega e faca amolada", o carioca parece dizer "agora não pergunto mais aonde vai a estrada/agora não espero mais aquela madrugada..." O carioca decidiu que a "fé" não é critério salvífico eleitoral.
E o que isso significa isso para o segundo turno? Incógnita. Na música, a fé é cega, e alguns dizem que por isso, perigosíssima.
Mas a fé nem sempre é cega, é também bastante articulável politicamente. Paes tem o apoio da Arquidiocese do Rio, recebeu bênção apostólica do Papa Bento XVI pelas mãos do arcebispo Dom Eusébio Oscar Scheid. Simbolicamente este "gesto comportamental" significa muito.
Paes sempre foi o candidato "ortodoxo" da ala católica. Entendendo aqui "ortodoxo" como aquele que tem a "opinião correta" - do grego "orto" - correta; "doxa" - opinião. Molon, também católico, é identificado como da ala da ortopraxis católica - prática correta. Não que a ortodoxia e ortopraxia se excluam, pelo contrário, se completam, seja assim bem entendido, mas é preciso dizer que nem sempre caminham juntas. E tem acentos diferentes.
A pergunta quer não quer calar é: será que os evangélicos e os sem-religião vão aderir ao candidato "ortodoxo" da Arquidiocese do Rio de Janeiro? Que fé está importando nestas eleições? A institucional ou "pessoal" do candidato?
Com fé ou sem fé, vamos aguardar a "gestão comportamental" dos cariocas nas urnas.































