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Crise econômica domina 2º debate presidencial nos EUA

Redação SRZD | Internacional | 08/10/2008 11:07

Preparativos para o debate | Foto: David Katz

Em mais um dia complicado para o mercado de ações americano, os candidatos à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama e John McCain, se encontraram em Nashville (Tenessee) para o penúltimo debate com transmissão ao vivo da TV e falaram repetidamente sobre o caos financeiro atual, oferecendo medidas contrastantes para que se atinja a estabilidade.

Na pesquisa feita pela CNN, logo após o fim do debate, com 675 eleitores que assistiram à discussão, os números apontaram que 54% dos espectadores acreditam que Obama se saiu melhor, enquanto 30% consideram que McCain foi o vencedor. Os dados também indicam que a imagem do senador democrata melhorou após o debate, atingindo 64% a parcela de eleitores que o vêem de forma positiva. Já o republicano, continuou com o mesmo percentual (51%).

Durante o debate, McCain deu a impressão de estar tentando se aproximar da platéia, repetindo incontáveis vezes o vocativo "meus amigos" para responder às perguntas, chegando perto do eleitor que havia feito a pergunta e muitas vezes até trocando apertos de mão. Ainda assim, os analistas consideraram que sua performance não foi tão bem sucedida, destacando, por exemplo, a dificuldade do senador de ficar confortável na cadeira, enquanto Obama estava sempre sentado e relaxado quando McCain falava.

No debate que durou 90 minutos, o republicano fez o papel de agressor, acusando seu adversário de favorecer o aumento dos impostos e os gastos do governo. Para Gary L. Bauer, Presidente da American Values, "Obama quer aumentar alguns impostos; Numa economia em declínio, McCain não quer aumentar nenhum".

Grover Norquist, Presidente dos Americanos para as Reformas Tributárias, não pensa muito diferente. "McCain quer cortar taxas e reduzir gastos. Obama não pode dizer não para nenhum dos grupos de interesse de esquerda. McCain é Reagan. Obama é Kerry/Gore/Dukakis", disse, acrescentando que os americano "já fizeram essa escolha antes".

No entanto, a maioria dos analistas considerou que McCain não conseguiu aprofundar nenhum dos assuntos de crítica pessoal a Obama, inclusive suas supostas "amizades perigosas", promovidas pela campanha republicana. Com a maioria das perguntas girando em torno de educação, seguro social e, principalmente, o recente plano de resgate aprovado pelo Congresso, Obama controlou a situação durante todo o debate e defendeu-se muito bem de todas as acusações.

"A classe média precisa de um plano de resgate, um plano de alívio fiscal, de ajuda com suas hipotecas", disse Barack Obama, cujo discurso respondeu de forma mais convincente às expectativas dos americanos. Quando McCain responsabilizou os democratas e o próprio Obama pela quebra das instituições de crédito hipotecário, Fredy Mac e Fannie Mae, o senador por Illinois lembrou que os republicanos têm maior vinculação com os poderosos grupos de poder em Washington e recordou que o chefe de campanha de McCain foi um lobbista da Fannie Mae.
 
O candidato republicano tentou, sem muito êxito, situar Obama no setor mais esquerdista do Congresso dos EUA. "Trata-se do senador mais liberal dos últimos anos. Eu, ao contrário, tenho um claro histórico de bipartidarismo", disse.

Questionado sobre suas prioridades, Obama citou a energia em primeiro lugar, seguida do seguro social. McCain, por sua vez, foi incapaz de listar o que faria primeiro, caso assumisse o governo. 
Nas perguntas sobre política externa, as questões foram focadas no temido armamento nuclear do Irã, a situação americana no Afeganistão e o papel do Paquistão como aliado dos EUA. McCain fez de tudo para apresentar Obama como um político sem experiência - ingênuo, até - , cujas decisões podem colocar em perigo a segurança nacional.

Reagindo, Obama chegou a ser irônico. "É verdade que há algumas coisas que não entendo. Não entendo, por exemplo, por que invadimos um país (Iraque) que não tem nada a ver com o 11 de setembro", disse, enquanto o republicano, a exemplo do que fez no primeiro debate, exaltava sua experiência e patriotismo. "A segurança de seus filhos no campo de batalha é minha primeira responsabilidade", falou.


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