SRZD | Psicólogos investigam o verdadeiro motivo para o altruísmo do bom samaritano | Fé


Psicólogos investigam o verdadeiro motivo para o altruísmo do bom samaritano

SRZD - Fé | | 09/10/2008 05:26

Todo (bom) Cristão conhece a parábola do Bom Samaritano que está no capítulo 10 do Evangelho de Lucas. O bom samaritano é o exemplo do discipulado e seguimento de Jesus Cristo. No contexto do Evangelho, esta estória é narrada depois que um 'doutor da lei' pergunta a Jesus o que é necessário para herdar a vida eterna: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de toda a tua força e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo". O 'doutor da lei', na dúvida, pergunta: "Quem é meu próximo". Então, Jesus narra a parábola do bom samaritano.

Psicólogos da Universidade da Colômbia publicaram na revista 'Science' suas investigações sobre as verdadeiras motivações que levam uma pessoa a agir como bom samaritano da parábola de Jesus. E a conclusão é que o verdadeiro motivo é a idéia de que Deus nos vigia e  vê tudo o que fazemos. Se Deus nos vigia, devemos ser bons, manter uma boa reputação e agir como o bom samaritano. Esta seria a motivação que está por trás das crenças religiosas e a sociabilidade dos indivíduos, um binômio que nem sempre está unido, reconhecem os pesquisadores, haja vista que a religião já foi motivo de desumanização e dessocialização de indivíduos.

Acaso o bom samaritano ajudou o ferido no caminho por puro altruísmo, ou porque como crente, se sentia vigiado por Deus? Em termos bíblicos, teológicos e exegéticos, essa questão não faz o menor sentido, mas como psicologia humana não deixa de interpelar aos crentes.

O estudo propõe que em matéria de juízo, as pessoas que são crentes têm tendência a pensar que só porque são "crentes em Deus" são pessoas mais honestas e solidárias.

Ara Norenzayan e Azim F. Shariff desenvolvendo estudos empíricos, psicológicos e econômicos chegam a conclusão de que o que motiva 'os bons' a manterem uma reputação intacta para si mesmo e para a sociedade é a idéia de um "ente" superior e vigilante de seus atos.

"A associação entre religião e sociabilidade é mais evidente quando a situação pode ajudar a manter uma reputação favorável dentro de um grupo", indicam os psicólogos.

Em outras palavras, todo ser humano se sente mais generoso quando ajuda a alguém, quando participa de um rito religioso, ou como no caso de muitos crentes, quando se sente a presença de um "ser" superior. Em outras circunstâncias, emoções como compaixão ou empatia pelos demais são ordinárias tanto em pessoas religiosas como para os não-crentes.

Religião e estabilidade social

Os autores do trabalho afirmam que em diversos estudos prévios foi assinalado que as religiões tornaram possível a existência de sociedades estáveis com grande número de indivíduos, mesmo sem grau de parentesco ou relação genética. Para os pesquisadores, a solidariedade e cooperação dentro de um grupo ajudam nos conflitos com grupos exteriores e nos enfrentamentos religiosos.

Outra perspectiva evolutiva indica que as crenças religiosas serviram para descobrir e controlar o conteúdo de outras mentes ou para superar limitações biológicas, físicas e psicológicas.

Um dos fatores que são comuns às crenças, segundo os autores da pesquisa, é que há recompensa e há castigo para as ações humanas. As religiões também reforçariam normas cooperativas e pretendem ajustar comportamentos que não se enquadrem no padrão do grupo. Aqui, estaria a chave de o porquê a reputação ter tanta influência desde o ponto de vista evolutivo: os indivíduos conhecidos por seu egoísmo, provavelmente seriam excluídos de interação futura no grupo.

Norenzayan e Azim argumentam que hoje em dia as religiões não são as únicas facilitadoras da generosidade e da sociabilidade porque há membros solidários em grupos religiosos e não-religiosos.

O psiquiatra Francisco J. Rubia considera, entretanto, que a religião não tem a ver com a conduta social mais generosa do ser humano. "Há pessoas de Igreja que tratam mal a seus subordinados. Mais importante do que a religião, é a sociabilidade", disse o pesquisador à elmundo.el.

Os autores concluem  que serão necessárias mais pesquisas para quantificar os comportamentos sociais e as crenças religiosas. "Esse assunto continua em debate, porque já sabemos que os mesmos mecanismos que facilitam o altruísmo dentro do grupo pode facilitar o antagonismo com outros grupos", e se pode dizer que, dentro desta dinâmica de sociabilidade religiosa há tantos beneficiários como vítimas.


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Postado por:Marcos de Oliveira Lopes | 16/10/2008 15:27:52

Agir como bom samaritano para manter uma boa reputação, ou ser bons porque Deus nos vigia... Eis dois motivos possíveis para uma pessoa religiosa agir como bom samaritano. Mas é uma pena a pesquisa não ter detectado outros motivos mais profundos, e que também são encontrados na religião, especialmente cristã: 1 - Que fazer o bem é uma ordem atribuída a Deus, e os que se crêem servos de Deus querem cumprí-la, e a cumprem expontaneamente, sem temor, apenas porque gostam de obedecer as ordens de Deus e gostam de servir a Deus. 2 - Fazer o bem não porque Deus vigia os seus servos, mas porque os Seus servos O amam e querem agradá-lo, uma vez que creem que fazer o bem agrada a Deus. 3 - A crença de que Deus sobrenaturalmente coloca amor nos corações dos Seus servos de forma que estes façam o bem de forma desinteressada e como manifestação natural deste amor de origem divina. 4 - Fazer o bem como consequencia dos ensinos atribuídos a Deus do alto valor dos seres humanos. 5 - Fazer o bem como imitação consciente e esforçada de Cristo que andou por toda parte fazendo o bem, e sendo o modelo de vida do cristão. São só alguns exemplos de motivações bem possíveis e bem reais, pelo menos para quem está do lado de dentro da religião cristã.

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