| Fase mais aguda da crise O que estamos vivendo por estes dias é um momento de total pânico, com o 'efeito manada' predominando nos mercados globais.

Vivemos a fase mais aguda da crise, detonada nos EUA, mas já se espalhando pelo resto do mundo. O que estamos vivendo por estes dias é um momento de total pânico, com o 'efeito manada' predominando nos mercados globais, num processo de irracionalidade, onde os investidores fogem do risco em busca de proteção e maior liquidez.
A perspectiva de recessão global é cada vez maior, dada e escassez de crédito para manter os bancos e empresas funcionando. Na Europa, os principais países tentam costurar um pacote de ação coordenada, semelhante ao aplicado pelo governo norte-americano. Nesta segunda-feira foi anunciado mais um banco alemão hipotecário atingido pela crise, Hypo Real State. Com isto, o governo alemão - um dos mais avessos ao pacote -, em parceria com outros bancos privados, acabou fechando um pacote de 50 bilhões de euros (R$ 141,3 bilhões) para salvar este banco. Somado a isto, a premiê alemã, Angela Merkel, sinalizou novas garantias do governo para todos os depósitos bancários no país, totalizando cerca de 568 bilhões de euros (R$ 1,5 trilhão). Neste cenário de total indefinição, as bolsas européias acabaram caindo fortemente nesta segunda-feira: a bolsa de Londres (FTSE-100) recuou 7,85% (a 4.589 pontos), a de Paris (CAC-40) 9,04% (a 3.711) e a de Frankfurt (DAX) 7,07% (5.387).
No Brasil, os mercados seguem respondendo mal a crise, até pelos problemas das empresas exportadoras, apostando numa cotação mais forte do real frente ao dólar, mas agora perdendo diante do dólar a R$ 2,20 nesta segunda-feira.
Somado a isto, o governo brasileiro já se comprometeu a ?irrigar? as empresas e bancos para restabelecer a liquidez do sistema e da economia real, nem que seja, usando as reservas cambiais. Um fato a chamar a atenção, porém, é que o Brasil possui uma ?exposição? muito grande em títulos públicos norte-americanos, sendo o quarto maior credor dos EUA, com US$ 148,4 das suas reservas pelos dados de julho de 2008. O Japão possui cerca de US$ 593,4 bilhões, a China US$ 518,7 bilhões e a Grã-Bretanha US$ 290,8 bilhões. Ou seja, a ?exposição? do Brasil é muito grande em dólares, sendo necessária uma diversificação maior das suas reservas cambiais, atualmente em torno de US$ 206 bilhões, em outros ativos. O grau de exposição da Rússia, por exemplo, é de 54% e o da Índia 40%.
Neste clima de incertezas e volatilidade, duas variáveis se tornam críticas para os próximos meses, o câmbio e a política de juros do Bacen. A pesquisa Focus, por exemplo, segue revendo suas projeções. A inflação, pelo IPCA, segue projetada em 6,14% para este ano, recuando a 4,85% no ano que vem, e o IGP-M a 10,1% e 5,4%, respectivamente. No câmbio, a taxa deve fechar neste ano em R$ 1,80, indo a R$ 1,82 no ano que vem, e a taxa de juro a 14,75% e 13,50%, respectivamente. Nós da Lopes Filho, estamos prevendo a taxa de câmbio a R$ 1,82 neste ano e R$ 1,90 no ano que vem, com o juro a 14,75% e 13,75% no ano que vem.
Na agenda da semana, muita volatilidade com uma série de indicadores e acontecimentos cruciais, com uma série de reuniões de bancos centrais. Na terça-feira, nos EUA, a ata do Fed, o discurso de Ben Bernanke do Fed e os dados de Crédito ao Consumidor. No Japão, a reunião do banco central, o mesmo ocorrendo na Austrália; na quarta-feira, o IPCA e o INPC no Brasil e nos EUA, as Vendas Pendentes de Imóveis Residenciais (NAR); na quinta-feira, o IPC da Fipe e o IGP-M ambos da segunda prévia, e nos EUA, o Estoque de Vendas no Atacado, o Auxílio-Desemprego Semanal e os Estoques de Gás Natural. Na Inglaterra a reunião do seu banco central. Na sexta-feira, nos EUA, a balança comercial, as contas públicas e os preços de importações. Além disto, haverá a reunião dos ministros das finanças do G7, quando alguma decisão conjunta deverá ser anunciada.
* Julio Hegedus Netto Economista-chefe Lopes Filho & Associados, Consultores de Investimentos julio@lopesfilho.com.br
Caros amigos, acessem o meu blog "De olho na economia" pelo portal www.ondeinvestir.com.br. A crise realmente se alastrou e tomou conta de forma generalizada dos mercados. O que assusta é que sempre os subdesenvolvidos, como nós, perdemos mais que os outros...
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