Especialista tira dúvidas sobre aceleradoras e incubadoras de empresas
Gustavo Ribeiro | Economia | 05/02/2013 03h10
Para esclarecer as dúvidas recorrentes sobre o foco do trabalho de aceleradoras e incubadoras de empresas no Brasil, o SRZD conversou com Pablo Ribeiro, Gerente Startup Network da Endeavor. Ele deu dicas sobre as principais características buscadas pelos investidores em jovens empreendedores e orientou como os novatos devem agir para ter êxito em seus negócios. Confira a entrevista na íntegra:

Quais são os principais trabalhos desenvolvidos por incubadoras e aceleradoras de empresas? E qual a diferença de uma para outra?
Os trabalhos que uma aceleradora e incubadora realizam são similares, principalmente no sentido de que elas apóiam empresas incipientes ou nascentes. Geralmente uma incubadora trabalha com empresas ainda em prototipagem ou com o desenvolvimento de uma tecnologia que ainda não é um negócio. Já uma aceleradora costuma trabalhar com empresas que estão na sua fase de validação de produto e mercado, ou seja, em geral estas empresas (também chamadas de startups) já têm um MVP (Minimal Viable Product) para testar suas hipóteses.
Uma aceleradora geralmente é liderada por empreendedores e investidores - financiadas por capital privado. O seu trabalho é mais direcionado a expansão da rede de contatos e mentorias com suas empresas aceleradas. O trabalho dura em torno de 4 meses e em troca a empresa dá uma porcentagem da sua empresa (equity). Já uma incubadora geralmente tem gestores com experiência o setor público ou acadêmico. É geralmente financiada por capital público. Também realizam sessões de mentoria, mas numa abordagem muito mais consultiva e menos intensa. Os apoios duram em média 1 a 2 anos e a empresa paga uma mensalidade subsidiada.
Hoje temos centenas de incubadoras no país enquanto aceleradoras começaram a surgir mesmo no ano retrasado, lideradas principalmente pela Aceleradora e 21212.
Como os empresários podem recorrer a uma aceleradora ou incubadora de empresas?
Vale ressaltar que uma empresa que já tenha claro o seu mercado ou o seu produto não será atendido por uma aceleradora ou incubadora. Elas também não buscam micro negócios como padarias, cabeleireiros ou outros tipos de negócio mais certos de como é o modelo. Nestes casos recomenda-se buscar apoio do Sebrae, consultorias e empresas Júnior.
As incubadoras e aceleradoras buscam empresas inovadoras. Basicamente trabalham com o conceito de startup. Podemos entender como startup uma empresa em estágio de desenvolvimento em um ambiente de alta incerteza que busca um modelo de negócio escalável e de alto impacto.
Uma aceleradora sempre visa em acelerar a taxa de crescimento desta empresa - basicamente fazer um trabalho que possibilite esta empresa se desenvolver muito mais rápido do que ela fosse fazer no seu processo orgânico. Primeiro, recomenda-se que o empreendedor reflita sobre quais são os desafios e que tipo de ajuda está buscando. Ele deve investigar quais são os modelos de trabalho de cada aceleradora e incubadora e depois de decidir de quais gostaria de receber o apoio então ele deve aplicar aos seus processos de seleção. Cada aceleradora e incubadora tem processos de seleção específicos.
Ao recorrer a elas, tenha muito claro o seu pitch ( a sua história). Quem é você? Qual problema seu negócio resolve? Qual é a sua solução? Como é este mercado? Qual é o seu desafio? Por que esta aceleradora e incubadora deve ajudá-lo?
Que requisitos os jovens empreendedores e as startups precisam ter para fecharem negócio com incubadoras e aceleradoras?
Geralmente eles buscam empreendedores com qualidade, mais do que o negócio em si. O empreendedor deve ter um grande sonho a ser realizado e demonstrar uma alta capacidade de executar isso. Por exemplo, é mais difícil selecionar um empreendedor engenheiro com um negócio de moda do que um designer com o mesmo tipo de negócio. Existem várias características que qualificam este empreendedor: histórico de realização, referências, entendimento do mercado, energia e vontade de realização.
Muitas coisas no processo de seleção se conquistam com a empatia e a clareza em que o empreendedor mostra o seu sonho. Se a aceleradora ou incubadora entende que ele é uma pessoa boa, honesta, com um grande potencial de fazer aquela ideia acontecer - pontos ganhos!
Isso não significa que qualquer empreendedor bom com uma ideia consiga entrar em uma aceleradora ou incubadora. O negócio em si precisa ser inovador, ou seja, resolver um problema de forma excelente melhor do que outras soluções no mercado. Além disso, prefere-se aqueles negócios cujo seu modelo de receita seja claro, escalável e possibilite formar um grande negócio. Este tipo de característica é mais importante para as aceleradoras. As incubadoras tendem a priorizar inovações tecnológicas - que por mais que não pareçam formar grandes negócios, podem resultar em novas plataformas tecnológicas.
Como funciona o processo seletivo para incorporação?
Cada aceleradora e incubadora tem um processo específico. Temos desde editais até um processo mais extenso, envolvendo prospecção, banca examinadora, due diligence entre outras coisas.
Quais são as principais vantagens e desvantagens (se houver) na parceria de startups com incubadoras e aceleradoras de empresas?
Tudo depende do que você espera desta ajuda. É altamente recomendável que você não tente realizar o seu negócio sozinho e busque uma ajuda que irá lhe economizar tempo e dor de cabeça.
Uma aceleradora é mais indicada para startups que estejam no seu estágio de validação ou eficiência de processos. Na aceleradora elas irão se preparar para o momento de escala - quando estão aptas a receber investimento para acelerar o seu crescimento através de um modelo já comprovado de sucesso.
Uma incubadora é indicada para o momento de descoberta. Quando o empreendedor ainda não tem alguma coisa concreta e precisa descobrir como o seu negócio se concretizará na prática. Em alguns casos, faz sentido entrar numa incubadora em um processo de validação. Mas tudo depende da metodologia de trabalho de cada uma.
A única desvantagem é caso você utilize o apoio de uma destas sem ter claro a ajuda que você precisa. Neste caso estaria gastando o seu dinheiro, equity e tempo sem ter um retorno claro.
As vantagens são inúmeras. O ponto principal de receber um apoio delas é ter junto um parceiro. Alguém com mais experiência que lhe ajudará a superar os desafios.
Quais são as principais orientações para jovens empreendedores com poucas expectativas e investimentos?
Execute, execute, execute. O que você pode fazer com os seus recursos, conhecimento e tempo que pode comprovar a sua ideia ou te dar pelo menos alguma validação das suas hipóteses? Quanto mais execução você comprovar mais chances você tem de conseguir um parceiro e um investidor.
Porém, antes de executar, tenha muito claro qual o seu objetivo maior. Aonde você quer chegar? Exercite a sua capacidade de sonhar grande! Afinal, sonhar pequeno ou grande dá o mesmo trabalho. Então pensar sobre o seu propósito de negócio, ajuda você a alinhar as suas expectativas que por fim dá mais clareza e segurança em quem for investir em você.
Tendo claro o seu objetivo maior e estando disposto a executar, vale você também se preparar para este desafio. Então, capacite-se! Busque teorias, casos de sucesso, converse com empreendedores, vá em eventos. Mas jamais deixe de executar. O maior aprendizado que você terá é colocando a mão na massa.
Quantas incubadoras e aceleradoras de empresas existem no Brasil, em média?
Não existe nenhum relatório oficial que mostre um número exato de aceleradoras no Brasil. Mas, segundo a ANPROTEC temos 384 incubadoras (http://www.anprotec.org.br/ArquivosDin/Estudo_de_Incubadoras_Resumo_web_22-06_FINAL_pdf_59.pdf).
A aceleradora passa a ser acionária de uma startup assim que esta é aprovada no processo seletivo ou é feita uma análise depois de algum tempo de investimento? Como é feita essa análise e quanto tempo dura? Como funciona no caso de incubadoras?
Cada aceleradora e incubadora tem a sua maneira de trabalhar. Em geral, quando uma startup entra em uma aceleradora ela troca uma porcentagem do seu equity. No caso de incubadoras, elas não pegam equity, mas cobram uma mensalidade.
Uma boa prática feita por algumas aceleradoras é que ao longo do processo de aceleração, caso a parceria não dê certo, ela quebra o contrato e não segura o equity do negócio. Afinal, se não está dando certo trabalharem juntos, não há porque prender a startup àquela aceleradora. Por outro lado, o dinheiro e o nível de serviço pela aceleradora também é entregue em partes - de acordo com a evolução e o comprometimento da startup.
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