Em 09/Jan/09 02:01:18

Os bambas do samba-enredo

Guga e Fernando de Lima são os compositores com marcas históricas em concursos de samba-enredo. Os dois estão em mais uma reportagem do SRZD-Carnavalesco sobre a série Eliminatórias de Samba.

Entrevistar Guga por telefone exige uma certa dose de paciência. Muita paciência. Desconfiado e avesso a bate-papo pela linha telefônica, o compositor com a incrível marca de 14 obras emplacadas na Imperatriz Leopoldinense, no primeiro momento titubeou. Perguntou quem tinha me passado o contato dele e só depois de confiar a veracidade da informação é que topou conversar. Por sorte, o amigo radialista Miguel Ângelo, como o próprio Guga disse, "foi um bom padrinho".
 
Passada a desconfiança, Sebastião da Conceição Penna, o Guga, de 74 anos, conversou durante alguns minutos com a reportagem do SRZD-Carnavalesco.
 
- Sou um cara que sempre venci na Imperatriz, que é a escola do meu coração. Eu era compositor de bloco em Ramos e desde os tempos de colégio já fazia música para a professora. Não eram boas, mas as pessoas gostavam. Certo dia, o Zé Katimba me convidou para ingressar na escola. Na época tive que fazer um teste. Se fosse aprovado, tinha que ficar três anos disputando samba de quadra. Venci todos. E só a partir dali que entrei para ala dos compositores. Lá, encontrei certa resistência dos outros integrantes. Foi quando eu encontrei os gêmeos Cosme e Damião e tivemos a felicidade de vencer em 1973 o samba-enredo "Réquiem por um sambista, Silas de Oliveira" - relembrou.
 
E essa primeira conquista foi a mais marcante. De acordo com ele, a vitória serviu para mostrar que tinha talento e merecia o respeito dos demais compositores da verde-e-branca.
 
- Diziam que eu era balão japonês, do tipo que sobe e cai logo. A partir da primeira vitória surgiram outros parceiros que me ajudaram em outras conquistas - contou orgulhoso.
 
Atualmente, Guga integra a parceria de Jeferson Lima, Veneza, Me Leva e Diogo. Alguns deles o ajudaram a vencer em 2005, seu último título da Imperatriz. Além da vitória em 73, ele tem no currículo os concursos de 76, 78, o pentacampeonato em 84, 85, 86, 87 e 88. Em 91 ele também vibrou com a vitória em "O que é que banana tem?" para depois registrar um tetracampeonato: 98, 99, 2000 e 2001.
 
- Quando eu e meus parceiros estávamos compondo o samba de 87, 'Estrela Dalva - Tributo a Dalva de Oliveira', houve muita discussão entre eu, o Bill Amizade, Zé Katimba e o Miltinho Tristeza. Cada um queria dar o melhor de si e sempre aparecia uma rima melhor que a outra. A discussão valeu a pena. O samba ficou em segundo lugar em execução nas orquestras e rádios do Rio de Janeiro - garantiu Guga, morador de Bonsucesso.
 
O amor pela Imperatriz já fez com que ele até dispensasse uma noiva. A moça mexeu com uma das maiores paixões do sambista.
 
- Fiquei noive de uma moça, mas ela reclamava que eu só queria saber de sambar e me colocou contra a parede. Teve uma vez que disse: ou eu ou a Imperatriz. Eu escolhi a Imperatriz. E terminei tudo com ela - diverte-se
 
Um dos xodós da ala de compositores da agremiação da Zona da Leopoldina, ele jamais concorreu em outra escola. E garante que não fica aborrecido quando perde o concurso.
 
- Descarto qualquer outra escola. Não acho legal colocar samba em outra escola. Quando eu não puder, vou para a velha-guarda ou outro segmento. Meu coração é verde e branco, amo a minha escola - declarou-se.
 
Fernando de Lima - 54 conquistas no currículo
 
Vitórias em concursos de samba-enredo do Grupo E ao Especial. No total são 54, a maioria delas na Santa Cruz e Canário das Laranjeiras. Esse é Fernando de Lima, compositor de 45 anos de idade, que participou do primeiro concurso no ano de 1990. De lá pra cá fez história. 
 
São tantas conquistas que ele não tem todas decoradas. As mais expressivas são impossíveis de cair no esquecimento: sete consecutivas na Santa Cruz (um recorde na escola) e oito na Canários. Além delas, três na São Clemente, duas na Mangueira e Estácio, e uma na Porto da Pedra, Caprichosos, Cubango, União da Ilha Inocentes, Unidos da Ponte, Vila Rica, entre outras.
 
- Este ano estou concorrendo na Viradouro e a minha filha, a Fernanda, na Beija-Flor. Vou tentar disputar na Vai-Vai, de São Paulo, por fora, sem assinar - contou Fernando, que assina seus sambas com o chefe do trabalho, Marcos Antunes.
 
Certa vez envolveu-se em uma polêmica por ter dito que compositor não tem escola do coração e o que vale é vencer o concurso e receber o dinheiro do concurso. Aos críticos que refutam os sambistas que se inscrevem em várias disputas de samba, ele responde:
 
- Muita gente fala para que eu abrace uma escola. Mas eu sou o único que tenho coragem de colocar o meu nome nas parcerias. A maioria tem 'escritório', não bota a cara. Tem gente aí que escreve para várias escolas. Todos fazem isso, mas não têm coragem para se expor. Depois, quando ganham, ficam dizendo que o samba é deles. Não vivo de samba. Sou funcionário do Tribunal de Contas.
 
Fernando não revela a escola de samba pela qual torce a fim de evitar mal entendido. Orgulhoso com seus êxitos, como todo compositor, ele relembrou a primeira vitória, que aconteceu na Mangueira em 1993. Dois anos depois ganhou novamente na verde-e-rosa. A chegada dele na Estação Primeira se mistura com a vida musical dele.
 
- Comecei a compor aos 14 anos no colégio, em festivais. Fiz um conjunto de rock, rodamos o país. Partimos para o chorinho com o 'Primas e Bordões' e fizemos muitos shows. Passei para o pagode e gravei com a Beth Carvalho. Então, decidi entrar para área de samba-enredo. Lembro que entregava fitas nas gravadoras, mas ninguém as ouvia. Pensei: só em quadra de escola de samba que eu seria ouvido. Fui convidado em 1989 para participar de um concurso de samba de terreiro na Mangueira e fiquei entre os cinco melhores porque mudaram a regra no final. Felizmente, logo em seguida, me convidaram para integrar a ala dos compositores - relembrou.
 
Morador de Laranjeiras, o talentoso compositor finalizou dizendo que não é apenas pelo dinheiro que tenta a sorte nos concursos.
 
- Não tem coisa melhor do que ouvir todo mundo cantando o seu samba na Avenida. Não é apenas pelo dinheiro.

ô "chega", se você faz samba como escreve as suas obras devem ser uma m...... mais um invejoso!lAdoro as obras do fernando mas ele tem que aprender a perder tb o samba da lins imperial esse ano não dá para ele ja tentarão cortar e ele e cia voltarão até quando isso vai durar que o melhor sempre é a articulação e não um lindo e bom sambaEstou no mundo das composições há 2 anos, e apesar de estar chegando nesse "metiê", tive o prazer de conhecer o Fernando de Lima no dia da entrega da sinopse da União da Ilha. Eu cheguei na quadra no horário marcado( e para variar não tinha ninguém, a não ser um cara que trajava jeans e blazer) então me dirigi a este cidadão e perguntei: Vc é compositor? (Pois eu estava querendo informação sobre a entrega da sinopse) ... e o tal cara me respondeu: " Mais ou menos, eu venho tentando." Uns 40 minutos depois, quando começou a chegar gente, percebi que muitos compositores antigos cumprimentavam o tal que disse que era um compositor mais ou menos.... foi quando chegou um camarada meu, antigo na ala dos compositores, e eu perguntei a ele quem era aqule cara que todo mundo batia nas costas, apertava mão.... inclusive o Presidente da escola fez questão de cumprimentá-lo, o diretor de carnaval também... Então meu camarada me disse..." Esse é o Fernando de Lima, o maior campeão de samba enredo do Rio de Janeiro." Detalhe.... depois ele(Fernando de Lima) pediu a minha caneta emprestada para anotar uns negócios importantes sobre o enredo.acho justo a omenagem a esses dois compositores.mais um invejoso!TEM GENTE QUE GOSTA DE CAGAR MUITA GOMA!!!!guga e fernando de lima o samba agradece vocês pelas lindas melodias que alegraram nossas vidas cobrindo nosso mundo de fantasias.Tem muito cara aí que só tem nome e não faz nada se pedir pra criar um samba na hora chora.fernando de lima é caneta!também sou seu fã.Fernandão,parafraseando um antigo samba'SE EU FALAR DE VC,HOJE EU NÃO VOU TERMINAR'. Valeu brother!fernando,sou seu fã desde que começou no Canários,você continua fazendo escola para muitos compositores . Carnanaval sem as suas obras perde um pouco d magia. Meu poeta maior , um beijo no seu coração.Pelo nome, Joselito, este bobo deve ser espanhol, ou algum "freguês" do Fernando de Lima, em samba. A inveja é uma m....Guga é bom, mas esse outro eu não sei cantar um samba dele. Venceu 54, ne? lembro nenhum.cada um fala o que quer, mais pra falar desses dois tem que ter muita bagagem, posso falar pois são meus amigos, a fernando agradeço por garndes momentos vividos em disputas cantando seus sambas e pelas votorias e mais é bom pagador hahahah. quanto ao mestre Sebastião meu chará, ja te falei só falta cantar um samba seu na minha imperatriz ai depois disso o senhor ja sabe o que vai acontecer, e cuidado com a emoção não é todo domingo que vou ficar ye segurando no palco. beijos.Marcelo, sinceramente as suas palavras são simplesmente pura inveja !FERNANDO DE LIMA MEU MESTRE, MEU PADRINHO,MEU AMIGO, ENFIM, UM GRANDE HOMEM E UM GRANDE COMPOSITOR... PADRINHO TAMO JUNTO PRA SEMPRE... VC É O CARA!!!Gostaria de saber qual a possibilidade deste site, fazer um comentario sobre os sambas-enredos que estao em disputa na Rocinha. Um grande abraço.Realmente, quantidade não traduz qualidade. SE formos ouvir os sambas destes amigos compositores da reportagem...Meu Deus...95% são inaudiveis rsrsrsrsrO Fernando de Lima é uma figuraça !!!, abraços Fernando, meu pé de coelho !!!Lembrei de mais alguns, pena que poucos ainda estão vivos: Djalma Sabiá, Noel Rosa de Oliveira, Anescarzinho, Bala, Duduca, Zé Dí, Laíla (Sim, o da Beija flor), Sereno (do fdq), Dona Ivone Lara, Cartola, Carlos Cachaça, Nelson Sargento, Hélio turco, Zagaia e tem mais outros monstros que não me recordo o nome. Sugiro que o carnavalesco aproveite e procure os poucos sobreviventes dessa turma, e continue esta homenagem tão merecida e tão importante para esses mestres que estão cada vez mais afastados das escolas de samba, em função do poder financeiro e dos escritórios que comandam as disputas injustas de hoje em dia. Tenho que ir trabalhar...Quantidade não significa qualidade. Existem vários outros bambas que não têm este cartel enorme de sambas ganhos, mas possuem sambas indesquecíveis que até hoje são lembrados e cantados . Alguns exemplos: Jurandir (da Mangueira e da Imperatriz), Alvinho (da Mangueira e da Imperatriz), Bidí, Niltinho tristeza (e não Miltinho como colocaram na matéria), Zé Catimba, Matias de Freitas (todos da Imperatriz), David Corrêa, Toco, Silas de Oliveira, Luiz Carlos da Vila (que só ganhou UM samba na Vila, mas um samba eterno) e tantos outros que, se meu pai estivesse aquí, me ajudaria a lembrar. De qualquer maneira, parabéns aos dois.


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