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27/01/2013 16h00

Imperiais do Samba divulga nova sinopse
Marco Maciel

Foto: Divulgação

A nova sinopse do enredo "A Voz que Vem de Dentro", da Imperiais do Samba, já está à disposição dos compositores que enviaram sambas para a agremiação. O presidente Wellington Kirmeliene, o Imperial, realizou mudanças nos dois últimos setores, em parceria com o novo carnavalesco da escola, Kiko Riaze.

"Para não prejudicar o concurso, decidi devolver os sambas e conversar com os compositores para eles adequarem as obras às mudanças do enredo. Não foi por causa da qualidade das obras, pois inclusive algumas delas se destacaram bastante", justificou Imperial. 

Os compositores das seis obras concorrentes enviadas terão até o próximo sábado, dia 2 de fevereiro, para mudar os sambas e mandá-los de volta para a agremiação virtual através do e-mail imperial.age@uol.com.br. 

Confira o texto novo da sinopse:

A VOZ QUE VEM DE DENTRO

Axé!

Se coloque de pé, valente nação imperiana!

Junte seus sonhos partidos, seque suas lágrimas de orgulho ferido, sinta o sabor do seu próprio sangue a correr das chagas lançadas pela burrice humana que julga sem saber.

Desfralde seu pavilhão tricolor. Erga os olhos e veja-o! Quero perceber o brilho de nossa coroa no fundo dos seus olhos. Levanta-te!! Exploda das cinzas, grandiosa fênix dos carnavais!! Podem te roubar o espaço, podem te perseguir, mas eu lhe dou a fibra e a coragem para lutar e vencer. Ninguém irá roubar a nossa história, a minha e a tua!

Vamos à luta!

Sou a voz interior que habita os corações daqueles que se sentem presos aos grilhões obscuros da perseguição. No interior da blindada pele negra "arrastei" correntes, senti a chibata e resisti. Enfrentei e venci. Antes embargada na garganta, rompi o silêncio e com o meu canto cortei ares e disse "NÃO". Ergui minha fortaleza na mata, fui quilombola e estourei correntes conhecendo a branca e áurea liberdade. Marquei com lágrimas a festa de minha alegria. Vi a união de vozes junto aos tambores entoando ao largo do giro das saias rendadas das mães negras, mulheres que carregavam as crianças no alto das cabeças como símbolo da pureza liberta de toda uma raça. Também minha raça!

Ousei combater o peso das autoridades, independente se usavam uma coroa ou uma farda. Gravei palavras de ordem, narrei fatos de cada canto onde a opressão lançava suas sombras. Subi os morros e toquei os céus. Lancei mais estrelas no infinito sob "os barracões de zinco". Olhando assim, cada cidade rusticamente iluminada "mais parecia o céu no chão"! Não me coloquei nas alturas para fugir, mas para poder entender melhor, ver melhor meus perseguidores. Meu samba foi a arma capaz de encantar branquinhas e mulatas, quebrar o quadril de marechais, doutores e intelectuais. Sou a voz que se propaga e faz arrepiar, mexer os pés e alucinar. Sou resistência pé no chão vindo do morro e fazendo miséria no asfalto. Me empurra às margens que eu causo uma onda de euforia que te desafia e te enlouquece. Mascarada ou colorida, dei voz ao morro que desceu por toda a cidade.

Não importa quem manda, não me rendo e não me curvo. Me persegue e eu te assombro! Manda-me calar a boca e eu fujo pelas frestas da mordaça! Parto do interior e ganho o mundo com minha vibração. Crio a imagem da arte que não se cala. Ressoo e posso me multiplicar. Falo por muitas pessoas, rasgo as cortinas, escapo da coxia e, sob a luz da ribalta, enceno minha fibra. Ensino que não há porque calar. Meu sonho, minha filosofia, meu mundo em cores fazem a cena do novo Brasil. Render-se jamais, silenciar-me, nunca!

E então propalo. Viajo em notas musicais e em acordes para que o mundo acorde e perceba: resistir é preciso, pois aquele que persegue não pode vencer. Não pode ser o predador, há de ser a presa! Assim eu tropicalizo, radicalizo e escandalizo! Eu sou o novo!

Não há grade, jaula, cativeiro ou camisa de força que me detenha.

Não há portão, parede ou muro que me prenda!

De pernas para o ar e coração leve eu digo: enfim sou livre para ser o que quero ser! Subverto a ordem das coisas e ganho a atenção do povo através dos versos dos malditos poetas, das "inúteis" falas sobre o amanhã daqueles profetas da sarjeta, da boca dos loucos execráveis e das gírias daqueles que transitam por todos os gêneros, sem pecado ou culpa e que, por isto, são considerados promíscuos ou doentes. 

Deixo então o vento do futuro levar livremente tudo o que é ruim.

Deixo o vento levar o que é bom; levar o que sou...

E o que sou afinal? Neste momento derradeiro de apoteose virtual, sou a voz que fala e ecoa dentro de seu coração. Eu alimentei seus sonhos de carnaval, do princípio até aqui, e um dia lhe permiti criar um brinquedo abençoado. Criou para si uma escola de samba onde pudesse colocar em prática tudo que quisesse. Deu forma aos seus devaneios de menino, pequeno pierrô, mas, na rolança dos tempos, movido pela louca competição, esqueceu da inocência e da satisfação pessoal. Deixou de me ouvir? 

Pois então que hoje me ouça mais uma vez!!

Lembre-se e reaprenda comigo: sou também o brinquedo preferido do meu criador!!

E por você, meu criador, explodo mais uma vez no grito de um povo apaixonado:

IMPERIAIS, TEU POVO TE AMA!!!


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