Em 09/Jan/09 03:01:17

Poucas opções

Eugênio Leal analisa safra de sambas-enredo da Grande Rio e da Renascer de Jacarepaguá para o Carnaval 2009.

A Grande Rio é, dentre as escolas que disputam os primeiros lugares, a que tem pior média de notas no quesito samba-enredo desde que foi instituído o atual sistema de julgamento. Não sei dizer se isso acontece em função das opções da direção da escola ou da pouca quantidade de obras de alto nível em disputa.

Acho que é um pouco dos dois. Lembro de carnavais em que a escola de Caxias tinha sambas em qualidade e quantidade. Isso ocorreu, por exemplo, em 2005 quando os quatro finalistas eram muito bons. Tanto que juntou três deles num só. Acredito também que as últimas escolhas tenham desanimado alguns compositores.

O fato é que a escola da Baixada não possui muitas alternativas. O que não quer dizer que, destes poucos sambas, não possa tirar uma boa obra para o carnaval 2009, pelo contrário. 

Deré, Emerson Dias, Rafael Ribeiro e Mingau

Refrão forte, letra excelente, melodia - especialmente na segunda parte - deliciosa. O trecho que vai de "Eu vi nascer" até "sonho ou ilusão que me conduz" é tudo o que a gente sonha ouvir uma escola cantando.

O refrão final "Minha alma é tricolor... a Grande Rio balança" é instigante e valente.

Vejo um pequeno senão apenas no refrão central, cujas frases iniciais dos primeiros versos têm um certo grau de dificuldade para o canto. É uma opção melódica para estimular a escola, mas fica muito corrido (A força de um povo, que revoltado... cruzou fronteiras movimentando).

A produção da gravação poderia ter enfeitado menos o samba. Há muitas paradinhas, efeitos especiais, contra cantos. Estes excessos atrapalham a compreensão da melodia - que é muito boa. É como uma mulher bonita com muita maquiagem - atrapalha. Este samba não precisa destes artifícios para mostrar sua beleza.

Marcio das Camisas, Marcelinho Santos, Licinho Jr e Edispuma

A melhor letra da safra. Uma verdadeira aula sobre o enredo. Passa com muita inteligência por todos os setores. É descritiva e didática sem ser chata. Coisa de craque.

A melodia, entretanto, não é tão brilhante. Não que seja ruim, mas carece de momentos mais inspirados. É uma música burocrática, apenas. Não mexe com a emoção do desfilante.  

Elias Billico, Regis, Helinho do Pantanal e Marcio Paiva

Samba valente, de excelente refrão e letra descritiva. É um dos poucos que citam a fundação da cidade após a saída dos franceses. Talvez a preocupação em citar com clareza todas as passagens do enredo tenha forçado os autores esticar demasiadamente a obra. A partir da metade da segunda parte ela parece se perder na tentativa de casar informação com música de qualidade. Não fosse isto, seria forte candidata à vitória.  

Levi Dutra, Paulo Onça, Sylvinho e Ponce de Leão

Tem na melodia seu ponto forte. Ela é suave e nostálgica, com destaque para os trechos "vem bailar comigo amor" e "todo requinte da "cidade luz" / "passos" que marcaram, legados que deixaram / minha cidade tão maravilhosa!"

A letra tem algumas boas passagens, mas não chega a impressionar. A poesia cumpre seu papel de servir bem à melodia.  

Ney do Pagode, Jorge Moreira, Marcelo Santos e Ronaldo Camargo

Bom refrão final. Melodia simples e cadenciada, com alguns bons momentos, mas sem brilho. Letra com altos e baixos. Dominguinhos não canta a segunda parte e seus cacos atrapalham a compreensão do samba.

A Renascer vai bem!

O título do enredo, uma brincadeira antiga, não é lá dos mais poéticos. Mas quase todos os compositores tentaram encaixá-lo no refrão final, tirando a força do mesmo. De qualquer forma a escola tem uma gama de obras, com diferentes abordagens musicais e poéticas, muito interessante.

Adriano Cesário, Josemar Luciano, Teleco e Julião

Gosto do tipo de letra que retrata o enredo sem que sejam necessárias outras explicações. É este o caso do samba dos campeões de 2007. A gente vê o enredo descrito com clareza e poesia. Há boas sacadas como "Oceanos de medo, horizontes de sonhos".

A musicalidade, entretanto, não está no mesmo nível. A melodia, com algumas exceções, é "reta" e simplista - inclusive no refrão final. Falta um momento diferenciado para acompanhar a qualidade poética.     

Maurinho Valle, Rene, F. Andrade, Mario Junior, Carlos Dias e Bero

A letra, em primeira pessoa, descreve "passo a passo" o enredo sem trazer, entretanto, um diferencial poético que a faça brilhar. A melodia, sem muitas variações, flui sem grandes entraves e também sem empolgar.

Moisés Santiago, Jaime Cesar, Nerinho, Branco e Renan Chaves

Samba alegre, valente e com divisão incomum (3 refrãos). Tem belos momentos musicais, como o refrão central e a segunda parte.

A letra, dentro da proposta de se fazer um samba leve e "pra frente", é bem enxuta, resumida - mas contém tudo o que o enredo pede - prova da boa capacidade poética dos autores.   

Gabriel da Penha, Leandro Nogueira, Luiz Gustavo, Deco e Hélio Luna

Este tem um tom mais emotivo e se propõe a descrever com mais minúcias o tema. Possui algumas passagens bem interessantes, especialmente na primeira parte ("andanças que a "fé" confortou, distâncias que a roda encurtou", "ao longe... o horizonte e o prazer em desbravar)". É interessante e bem encaixada a citação ao "viajar de alegoria". O refrão final é muito bom e reflete com sutileza o momento da escola.

Só ouvi 3 na GR e o meu preferido sempre foi o do Mingau. Concordo contigo, não fosse o refrão central (pode e deve ser reduzido ou cadenciado) e as frescurites da gravação, teria saído majestoso, mas pode render bastante. Na Renascer, só ouvi agora o vencedor - e adorei. Justamente pela emotividade e - adivinha - o intérprete, que é dos meus favoritos e se encaixa perfeitamente nesse estilo de samba. Além disso, não foi prevísivel de colocar o título do enredo, que fugiria às características do samba. Bela escolha; resta saber se não será acelerado na versão oficial e os intérpretes conseguirão dar a mesma alma que o Zé Paulo entrega.Boa tarde, desde o início venho acompanhando e comparecendo nas disputas dos sambas na Renascer de Jacarepagua, e desde já parabenizo os 3 finalista, os versos são muitos bons, mas o que me chama ateção é a torcida, pode-se dizer "FURIOSA", do samba de Nº 15, cara eles estão com o samba no gógó e contagiando aqueles que estão os assistindo é de emocionar mesmo e cantam juntos com eles que é um grande diferencial. Parabéns aos 3 Finalistas, mas um especial aos Menudos do Samba nº 15.Gostaria de saber qual a possibilidade deste site, fazer um comentario sobre os sambas-enredos que estao em disputa na Rocinha. Um grande abraço.na grande rio prefiro o dere e mingau e no renascer gostei desse de gabriel e parceiros.gosto do samba do Fabio Costa na Porto da pedra e do samba do Guga e pcia.da Imperatriz.Pra mim o samba do Moisés é o melhor, tomara que ganhe.Galera meu comentário é o seguinte estou acompanhando os sambas na Renascer desde o início e concordo com os colegas que dizem que a gravação do cd e diferente da quadra ou na Avenida.Mas o samba dos garotos da Penha dispensa comentários é o melhor disparado estou falando isso no anonimato pois estava torcendo para outro samba .rsrssr Quero o melhor para Renascer!!!(de jacarepaguá eu vim sambar e acelerar seu coração)FuiiiiiiiA GRANDE RIO NÃO TEM JEITO NÃO!!! SOMOS TORCEDORES FERVOROSOS POR ELA, MAS NÃO SEI O QUE ACONTECE, PARECE COISA COMBINADA.... SAMBAS MUITO FEIOS, NADA COMPARADO A IMPERATRIZ DE 1994, SAMBA QUE FALAVA DA FRANÇA, E DE MUITO BOM GOSTO. INFELIZMENTE, TEMOS QUE ESCUTAR GRACINHAS DO POVO ATÉ O RESULTADO FINAL, QUE POR SINAL NÃO VAI DAR GRANDE RIO. " OS SAMBAS SÃO MUITO FEIOS,TIPO LEXOTAN". E ENQUANTO ISSO A BEIJA-FLOR E OUTRAS SE ATUALIZAM, SORTE PARA ELA E PARA AS OUTRAS QUE SEGUEM ESSA LINHA. A PRIMEIRA NOTA BAIXA, JÁ ESTÁ AI: EM SAMBA ENRREDO. TAMBÉM TEMOS QUE COMPARAR AS FANTASIAS: G. RIO X BEIJA FLOR:????????????Não sei se seria legal juntar os sambas do Moisés com Gabriel. Tem que ver, mas entre os dois prefiro o do Moisés porque é muito mais forte.// PASSO-A-PASSO, CAMINHEI PELAS ESTRADAS DA HISTÓRIA E ENCONTREI NA TRAJETÓRIA A ESSÊNCIA DE VIVER // Lindo o samba da Renascer, o Gabriel da Penha vai arrebentar na Sapucaí.Quero parabenizar o Bororó, presidente da Ala dos Compositores da Renascer, (uma Ala aberta como é a realidade do carnaval hoje em dia), que com a competência e seriedade soube atrair 27 composições de excelente qualidade. Sexta-feira (03/10) teremos a Semifinal com 4 obras de primeira. A qualidade destas composições espelha o momento da agremiação, a Renascer é a escola que mais cresce no carnaval. O Salomão ao assumir a presidência em 2004, fez um detalhado projeto para chegar ao G. Especial em 5 anos, e como diz o slogan ?É HORA DE RENASCER?.eugeniio leal.não vou contra o que disse com relação ao meu samba e do flávio até porque fomos eliminados da disputa,e por questão de educação em saber aceitar qualquer tipo de criticas.mas,diferentemente da sua ótica,todos os que foram a quadra,tiveram uma análise mais abrangente de todos os sambas.portanto,ao argumentar sobre qualquer tomo,procure antes ver e ouvir a obra.pois,muitos sambas bons não acontecem no cd e na avenida acontecem e vice-verso.a obra posta na internet é com o intuíto de divulgação.NUm adianta se fazer um bom samba na g.rio. porque o vencedor e escolido sem critérios algum. so na amizade.Na Grande Rio eu torço pro samba da parceria de Deré, Emerson Dias, Rafael Ribeiro e Mingau. Gostaria de ler sua opinião, Eugênio, sobre os sambas da Santa Cruz.Luis Carlos e Rodrigo: Em breve escreverei sobre as escolas que estão faltando. Prometo tentar ser o mais rápido possível, mas é preciso tempo para tentar avaliar com a maior justiça possível tantos sambas de tantas escolas. A cabeça ás vezes dá um nó.Na minha opinião deveriam juntar os sambas do Moisés e do Gabriel na Renascer. A primeira do Gabriel e a segunda do Moisés. Ficaria um sambaço, mas acho que os compositores não iriam gostar nada disso. O que você acha Eugenio? Não teríamos uma porrada daquelas? Sou teu fã.Para não deixar ninguém de fora, aí vai o outro samba da Grande Rio com áudio na intenet: Flávio Santtana e João D´Paula Este samba tem um belíssimo refrão final... (Sapucaí é a minha vitória, Caxias a glória, o meu amor). A construção melódica é densa gera um samba cadenciado, quase arrastado ? especialmente no refrão central. Em alguns trechos há dificuldade no casamento da letra com a música, como em - Pereira passos arquitetou a capital. O início da segunda parte do samba, embora seja até bonito, é um desafio para qualquer harmonia ? muito difícil de cantar. O uso de palavras com verbalizações complicadas como absolutista, excêntrica, Delacroix e neoclassicismo é um entrave para o desempenho do canto da escola.Um fato me chamou atenção, com relação aos sambas da Grande Rio. Não sei se a direção da escola determinou a estrutura que os compositores precisariam se basear. Mas, na minha opinião, ficou notório que enquanto a primeira estrofe de todos os sambas fala sobre poucos tópicos ( corte, chegada ao Brasil e o início de relação dos povos ), a segunda passagem cita nada menos que sete assuntos ( Debret, Ouvidor, cabaré, Pereira Passos, Santos Dumont, tecnologia francesa e o carnaval de Nice ). Acredito que isso dificultou muito a elaboração das obras, já que, quase todos os sambas caem nesta segunda parte. O compromisso de encaixar esses assuntos fez com que os sambas perdessem muito em criatividade ( as composições trazem no máximo uma expressão ou adjetivo para entoar cada argumento, o que tornou qualquer samba óbvio, sem "insigths" ). Essa "mecanização", desde que fosse embasada num enredo menor, mais simples, não traria tantas dificuldades. Porém, entretanto, contudo... enfim... a extinção de temas como "Domingo", "O amanhã" e tantos outros nos fazem sentir esse lamento.Para a Sandra: Neguinha da Grande Rio, Sandra Bittencout, Histon Mendes e Anderson Willy Há um desequilíbrio entre a melodia (com várias boas passagens) e a poesia que é (quase sempre) pouco requintada, com linguajar equivocado e às vezes simplista ao extremo. Não me refiro aqui exatamente ao ?Bombar? do refrão, mas a trechos como ?no caminho existiu as índias sensuais?. Destaque para o excelente refrão central (este bom de letra e música) e trechos melódicos como ?e ter fascínio como os olhos do escritor?, ?moulin rouge ès um show de cabaré, bato papo nos cafés?. Falta também um pouco mais de ?explosão? ao refrão final.Excelente coluna! Opiniões sensatas, coerentes, justíssimas. A Grande Rio está com uma safra abaixo das outras escolas. Na Renascer, torço pro samba da parceria Moisés Santiago, Jaime Cesar, Nerinho, Branco e Renan Chaves. Me parece o mais "forte" pra avenida. Alegre e contagiante. Outro samba que destaco é o da parceria Gabriel da Penha, Leandro Nogueira, Luiz Gustavo, Deco e Hélio Luna, se bem que não gostei da segunda parte. São os meus preferidos, mas acho o primeiro mais animado pra desfile. Os outros, estão muito abaixo. Ficaram devendo.GOSTARÍA DE SABER A OPINIÃO DO EUGENIOI SOBRE OS SAMBAS DA VILA, QUANDO VOCE FALARÁ SOBRE ELES?Eugenio, e a safra de sambas da Viradouro. O que voce esta achando dos sambas lá nas bandas de Niterói?Bom dia! Sr Eugênio Leal,gostaria de saber sua opinão sobre um dos sambas que continua na disputa na Acadêmicos do Grande Rio e não foi avaliado pelo senhor,como uma das compositoras,fiquei na expectativa pela sua avaliacão o que não aconteceu...toda crïtica sendo construtiva ou não, é bem - vinda ! todo compositor gosta de ser avaliado,para no futuro aprimorar suas obras....Obrigado pela sua atencão e a do site Carnavalesco. Parceria de Neguinha da Grande Rio,Sandra Bittencourt,Histon Mendes e Anderson Willy.


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