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Sleep Dealers

| Jacqueline Sobral | 01/10/2008 11:47

 Em uma aldeia mexicana onde vive com o pai, que diz ao filho todos os dias que o futuro deles está no passado (nas raízes familiares), Memo  se transporta para outros mundos e realidades por intermédio de um equipamento que ele mesmo montou. É um aparelho que capta sinais de toda a parte,  baseado em um satélite que fica no telhado de sua velha casa. Memo é um hacker mexicano, que vive em uma época onde pessoas conectam seu corpo e sua mente em máquinas e na internet por meio de "nódulos" - são "plugs" injetados na pele com uma pistola que me lembrou aquela que se usa para furar orelha.


Ávido por abandonar a aldeia e ir trabalhar em uma grande empresa americana, ele acaba sendo forçado a adiantar a realização do seu sonho quando é confundido com um terrorista, devido ao seu equipamento. Perseguido pelas autoridades, que acabam assassinando seu pai, ele foge. Quando chega à cidade grande, Memo conhece uma jornalista que vive de vender suas memórias pela internet a partir dos seus nódulos, e ele  acaba sendo protagonista de uma das histórias vendidas por ela.

O hacker camponês arranja emprego em uma grande sala junto com outras pessoas, todas conectadas e atuando, cada uma, em um lugar diferente:  na verdade, o grupo opera robôs que estão fisicamente em outros lugares, em outros países.  Enquanto Memo trabalha na estrutura de um edifício, o cara ao lado está na lavoura e a mulher atrás dele é babá em outra parte do planeta.

Gente, esse é o enredo do filme Sleep Dealer, que vi no último sábado no Festival de Cinema do Rio. Parece que ele voltará ao circuito no ano que vem. O longa tem 90 minutos e é dirigido pelo americano de ascendência peruana Alex Rivera.

Fiquei encantada com o filme, por ele misturar muito bem a tradição das aldeias ainda existentes no mundo, o American Dream e o uso da tecnologia para manter um sistema secular: o trabalho escravo. Durante uma cena do filme, um trabalhador dessa grande "fábrica hitech escravocrata" passa mal e rapidamente é retirado do lugar para que os outros não percebam - a conexão do corpo e da mente de pessoas às máquinas nitidamente traz efeitos colaterais muito negativos, pois sugam a energia humana. Ótima conexão com a nossa realidade, não? Acredito que, apesar de ainda não terem inventado portas USB para serem instaladas em nossos braços e costas, já agimos como se os computadores e outros gadgets fossem uma extensão de nós mesmos.

Como um aspecto positivo, o filme mostra uma relação sexual entre Memo e a jornalista intensificada pela conexão tecnológica ? os dois estão "linkados" também pelos fios que saem de seus nódulos. Dessa forma, além da interação corporal, os dois conseguem visualizar o que está passando na mente do outro. Hummm.... Não sei não. Se hoje em dia, o Orkut já traz muitos problemas amorosos, já foi até motivo de término de namoro, imagina se for possível ter acesso ao que o outro pensa? Nem todo mundo está preparado para a verdade. Outra questão que me vem à cabeça? Precisamos mesmo da tecnologia até na hora do sexo?

O que vocês acham desses temas debatidos no filme?

 


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Postado por:Len | 02/10/2008 15:39:32

bem, jacque, acho q o futuro será assim, no meu entender: "Um leitor apressado da VEJA, ávido por novidades, escreveu para a revista: Agora será possível novas formas de sexo, sem dor na consciência nem imposição religiosa! Um desejo ecoado pela indústria pornográfica. Conforme a Gizmodo, eles estão loucos para que a tecnologia se materialize no dia-a-dia." fonte: http://daladier .blogspot.com/2008/04/no-propaganda-de-c elular.html Blog show !!!!!!!!!!!!!! tchau

Jacqueline Sobral

Jornalista e especialista em Relações Internacionais. Trabalhou na rádio CBN como repórter, produtora, redatora e locutora; foi repórter de Economia do Jornal do Commercio e do JB, e atuou também na Globo News. Desde 2005, é assessora de imprensa do IDE/FGV.

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