O fim do 'Jornal da Tarde'

Sidney Rezende | Sidney Rezende | 31/10/2012 16h06

A criação de um jornal para um profissional de comunicação é uma festa. Ela significa o início de um ciclo que reunirá as forças vivas da redação, da gráfica, da engenharia, da administração e da área comercial. É uma química complexa.

A linha editorial do veículo sinaliza o rumo da publicação. O sucesso da conjugação de fatores explicitados no primeiro parágrafo é a certeza de que a marca veio para ficar.

A aceitação do jornal junto ao público demora, é um trabalho de ourives. Já o seu término é um processo totalmente diferente.

O fim do jornal é antevisto. E um processo cruel. Os erros se apresentam logo, mas os resultados provenientes dos equívocos são avassaladores e sangra a todos. E quando o fim é de origem política?

A "Última Hora", Samuel Wainer, o fechamento do "Correio da Manhã" e definhamento do "Jornal do Brasil" são perdas inexoráveis para o jornalismo e para o país.

Quando o declínio parece ser o único caminho, costuma-se ter um figurino padrão. Primeiro, os anúncios minguam e os custos aumentam absurdamente, as dívidas se multiplicam e, só resta ao gesto, diminuir o número de páginas, reduzir o quadro funcionários e renegociar a forma de cumprir compromisso.

O jornal antes viçoso começa a perder musculatura e seus talentos costumam pegar o chapéu e seguir suas vidas. A publicação vai se apequenado diante dos olhos de todos.

Mas quem começa algo desta dimensão também tem que conceber um dia sua morte. O fim do Jornal da Tarde tem sua história ímpar e construiu seu próprio perfil. Pode ser que não se enquadre no que descrevemos inicialmente, mas o fato é que os donos decidiram acabar com ele.

Além da tristeza de vê-lo deixar de circular fica uma pergunta enigmática: será que a marca não poderia ter sido negociada com outro grupo?

Manter em pé uma marca construída diariamente por tantos anos vale bastante. Dar cabo dela, dói bastante, e não parece ser a melhor opção.

 

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