Blog Meninas dá bola.
Equipe (Feminina) Copa Campus | Copa Campus | 24/09/2008 22:32
Quem vai quem fica: a decadência do futebol feminino no Brasil
Lara Monsores (12/11/08)
Olá, amigas. Infelizmente trago tristes notícias para o nosso futebol feminino. Cristiane Alves, uma das melhores jogadoras do mundo e campeã pan-americana pelo Brasil em 2007, desistiu do futebol em sua terra natal e deve transferir-se para os Estados Unidos em 2009. Ela estuda um contrato de três anos com o Chicago da Women?s Professional Soccer (WPS), a nova Liga de Futebol Feminino dos EUA. A camisa sete da seleção brasileira vai disputar, ainda este ano, a Copa do Brasil pelo Corinthians e ao final desse campeonato deve transferir-se para o futebol americano. Cristiane alega que, devido ao pouco incentivo ao futebol feminino, não tem como continuar no Brasil. Para a jogadora, a Copa do Brasil é boa, mas na falta de um cronograma oficial para o ano que vem prefere ir para onde o esporte é mais reconhecido.
Não tiro a razão da nossa craque. O máximo que a CBF fez pelo futebol feminino foi criar essa Copa do Brasil que dura pouco mais de um mês (01/11/08 até 10/12/08) e não garante estabilidade profissional das atletas. Apesar de encantarmos o mundo com o melhor futebol do planeta, não somos valorizadas e respeitadas dentro do país que representamos com tanta beleza e competência. Assim fica difícil não ceder às propostas para jogar em países como Suécia, EUA e Noruega onde o futebol feminino é visto e tratado de maneira profissional.
Por outro lado, a nadadora Rebeca Gusmão, banida da natação por acusação de doping em duas oportunidades, em 2006 e em 2007 será o novo reforço da Ascoop, de Brasília, na disputa da Liga Nacional de Futebol Feminino. Os jogos acontecerão de 4 a 19 de dezembro e disputarão times como Corinthians, Santos e Saad. A ex-nadadora já havia participado de um campeonato universitário de futsal, jogando pela Ceub. Rebeca afirmou que ainda tem que se adaptar ao mundo da bola, mas que chegou para vencer. E o futebol feminino perder. É óbvio que o que ela quer é tentar limpar a sua imagem como atleta, que fora manchada pela comprovação do doping nos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro. Além desse mau exemplo, qual contribuição Rebeca Gusmão trará para o futebol feminino?
Enfim, um futebol que tem jóias raras como Pretinha, Formiga, Marta e Cristiane se envergonha diante dessa situação.
Chuta igual homem, porra! (23/10/08)
Lara Monsores
A Copa Campus Feminina está chegando e, hoje, eu trouxe algumas perguntinhas àquelas meninas que jogam futebol (desde criancinha).Quantas garotas você conhece que também jogam esse esporte? Você já jogou com meninos? Acho que as respostas são óbvias, não? Eu conhecia muito poucas mulheres que gostavam de futebol e, talvez por isso vivia nas peladas dos garotos. Nunca tive problemas com isso. Acredito que os únicos que se incomodavam um pouco eram meu pai e meu irmão. Mas nunca dei confiança, não parei de me divertir e com o tempo eles se acostumaram (hoje, até vão me ver jogar!).
O interessante é que nessas peladas eu nunca sofri discriminação explícita por parte dos meninos. Nunca me proibiram de jogar com eles. Nunca me disseram que eu devia brincar de boneca. No entanto, todos eram, sim, preconceituosos, mas de uma forma bem sutil. Quando eu fazia uma jogada de efeito ou um gol mais bonito sempre surgiam aquelas frases."Que isso, tomou caneta de uma menina!" ou "Fala sério, a garota te esculachou. Perdeu a moral com a gente, moleque." Enfim, quem já jogou com meninos sabe do que eu estou falando. O preconceito está guardado dentro de todos, criados numa sociedade patriarcal e machista. Por que uma mulher não pode ser melhor que um homem exercendo a mesma função? Por que é inadmissível para um homem ser humilhado por uma mulher perante seus amigos? É claro que essas são questões que vão além do âmbito esportivo. Mas eu pude compreendê-las melhor desse ponto de vista.
Para nós, mulheres, sermos livres na prática futebolística precisamos enfrentar não só os preconceitos como também a desconfiança. A desconfiança dos amigos que jogam e que só te chamam para completar o time porque está faltando um (e ainda te colocam no gol). A desconfiança do seu pai, quando no Natal você pede uma Bola e ele queria que fosse uma Barbie. A desconfiança do namorado que não aceita que você jogue "no meio daqueles marmanjos". Ou então, quando numa discussão você diz que o Caio Jr errou tirando o Kléberson e ninguém te dá...confiança. É difícil, amigas, mas não impossível. Um dia seremos respeitadas. E, convenhamos, que se fosse fácil demais não teria graça. Afinal, vencer um time difícil por um a zero é muito mais valioso do que vencer de goleada uma equipe fraca.
Do início
Lara Monsores (07/10/08)
Caras amigas, jogadoras e amantes do futebol (como yo), que um dia já sofreram com as piadinhas e preconceitos desses seres machistas e recalcados, comemoremos. Comemoremos não só os recentes triunfos da nossa seleção feminina, mas também o espaço que o futebol feminino vem conquistando dentro e fora de campo, como este admirável blog. Porém, sabemos que a caminhada foi longa e bastante árdua. Ora, pois, voltemos algumas décadas e vejamos como tudo começou...
O primeiro jogo entre mulheres aconteceu em 1892, quando inglesas e escocesas se enfrentaram em Glasgow. Dois anos mais tarde, a ativista feminista, Nettie Honeyball, fundou o primeiro clube de futebol feminino da história, o British Ladies Football Club. O esporte se difundiu durante a Primeira Guerra Mundial, quando os homens foram para os campos de batalha e as mulheres para o campo de futebol, representando as fábricas em que trabalhavam.
No Brasil, a primeira partida documentada de futebol entre mulheres data de 1921 ocorrida em São Paulo. Para terror dos narradores os times se chamavam Senhoritas de Tremembé e Senhoritas da Cantareira (bairros da zona norte de São Paulo). O duelo foi anunciado no jornal A Gazeta como atividade curiosa das festividades de São João. Pouco tempo depois o futebol feminino, vejam só, passou a ser exibido em circos.Em 1940, no Rio de Janeiro, também aconteceram alguns torneios entre mulheres. As equipes, compostas por mulheres do subúrbio, tinham nomes sugestivos como Cassino Realengo e Eva Futebol Clube.
Contudo, baseado numa política eugenista Getúlio Vargas sancionou, em 1941, o Decreto-Lei 3.199, que, em seu artigo 54, estabelecia que "às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza". Aí estava implícita a proibição da prática futebolística pelas senhoritas que se concretizou em 1965, quando o Conselho Nacional de Desportos deliberou a seguinte norma em relação ao esporte para as mulheres: "Não é permitida a prática de lutas de qualquer natureza, futebol, futebol de salão, futebol de praia, pólo, halterofilismo e beisebol". O argumento utilizado para legitimar essas medidas era calcado na idéia de que o esporte prejudicava os órgãos reprodutores da mulher, pois havia a possibilidade de traumas causados por trombadas ou boladas. Mas será que os homens dessa época não possuíam órgãos reprodutores e por isso não corriam esse risco? Mas, vejam e se revoltem com esta carta:
Carta de um cidadão a Getúlio Vargas
[Venho] Solicitar a clarividente atenção de V. Ex. para que seja conjurada uma calamidade que está prestes a desabar em cima da juventude feminina do Brasil. Refiro-me, Snr. Presidente, ao movimento entusiasta que está empolgando centenas de moças, atraíndo-as para se transformarem em jogadoras de futebol sem se levar em conta que a mulher não poderá praticar esse esporte violento, sem afetar, seriamente, o equilíbrio fisiológico das suas funções orgânicas, devido à natureza que dispoz a ser mãe... (José Fuzeira, carta datada de 25/04/1940 In - SUGIMOTO, Luiz. Eva futebol clube, 2003).
Um pouco arbitrárias essas leis, não é mesmo? Por isso foram revogadas em 1981, para alegria geral da nação... feminina. E, graças a Deus, hoje podemos assistir `a Marta e companhia e fazer como elas, jogar futebol. Portanto, que venha a Copa Campus Feminina.
Coisa de menina
Amanda Salles (24/09/08)
Cresci ouvindo meu avô falar de futebol. Das cinco Copas do Mundo que presenciei duas o Brasil ganhou e uma foi vice-campeão. Ele me contava com orgulho de Garrincha, Zico, Pelé e tantos outros. Me apaixonei pelo futebol e foi amor à primeira vista. Quando eu tinha nove anos fiz uma pergunta pro meu avô: "Porque meninas não podem jogar futebol?". Naquele momento, recebi um "Podem. Mas..." e percebi o quanto minha pergunta era complicada. Era não, continua sendo.
O futebol feminino é praticado no Brasil há pelo menos setenta anos. Com conquistas no Pan-americano do Rio de Janeiro, nas Olimpíadas e mundiais, ganhou uma relevância bem maior e provou que tem muito potencial. Símbolo dessa geração de meninas, que cada vez mais vão em direção ao gol, está Marta, eleita duas vezes consecutivas a melhor jogadora do mundo. Mas nem tudo vai tão bem assim. A falta é bem mais grave. Digna de cartão vermelho.
Infelizmente, Marta e a maioria das jogadoras da seleção jogam no exterior. O que o futebol feminino precisa é do investimento de bons clubes brasileiros. Bom exemplo disso foi a contratação de Cristiane pelo time feminino do Corinthians e a existência de equipes como o SAAD, que forma ótimas jogadoras. Além disso, as meninas precisam que seu futebol se popularize. Ano passado, o campeonato nacional foi transmitido pelo SPORTV com baixíssimos níveis de audiência. Portanto, é importante perceber que o futebol feminino não se resume à seleção e aos megaeventos. Existe uma base que precisa ser valorizada e popularizada, para que no futuro mais "Pelés" femininas possam surgir e se sustentar do futebol, assim como no masculino.
Outra boa maneira de fazer isso acontecer, não só no futebol, como em todos os esportes no Brasil, é promover a prática e competições escolares e universitárias. A Copa Campus Feminina ainda tem muito que crescer, mas tem como principal objetivo divulgar o futebol feminino e mostrar-se uma forma de comprovar o quanto esse tipo de atitude é importante e pode dar certo. É por isso que a terceira Copa está aí!
Nove anos depois, eu mesma responderia meu avô: "Sim, meninas podem e devem jogar futebol!". Hoje, futebol é coisa de menina.
Boa sorte garotas! Participem!
Postado por:larissa faria machado ferraz | 17/11/2008 22:26:52
isso mesmo meninas joguem futebol pq eu adoro,entao se vcs gostam tambem vai a luta... BOA SORTE!
Postado por:Livia | 29/10/2008 12:49:59
Lalá, concordo com tudo que vc disse na crônica ! As mulheres têm todo o direito de jogar futebol e não sofrerem preconceitos. Realmente me identifiquei, mesmo não tendo jogado ultimamente... A química não permite.. hauhauhau
Postado por:valeria | 27/10/2008 13:04:52
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Postado por:Júlia | 26/10/2008 11:36:20
po, não tem como...a gente sempre vai jogar no meio dos garotos....mas eh divertido ouvir essas frases..."chuta igual homem" eh clássica...hahauahuh

























































