
Diretor do SRZD, apresentador do "Brasil TV", da "Rede Globo", e âncora de telejornais da "GloboNews". Também é professor da PUC-Rio. Sidney foi um dos fundadores da "CBN".
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Há um ano alerto em minhas palestras pelo Brasil que o ciclo pós-ditadura que começou com a chamada Nova República se encerrou no segundo mandato do presidente Lula. E que a presidente Dilma Rousseff iniciou um novo período da vida política do país.
Não importa que Dilma tenha sido indicada, apoiada, chancelada e conduzida por Lula. A geração política que construiu a transição e fincou as bases da jovem democracia brasileira está se despedindo. O novo já está aí.
Eu me recordo quando disse isso pela primeira vez para um grupo seleto de grandes empresários. Eles se assustaram e se entreolharam. Após a minha conferência, dois deles vieram conversar comigo para que eu explicasse melhor o meu ponto de vista. Os demais saíram sem entender o que dizia.
O tempo passou, a realidade confirmou: o Brasil já está mesmo no início de um ciclo novíssimo. A geração que está entre 30 e 50 anos assumirá as rédeas do poder.
Getúlio Vargas influenciou de 1930 até 1950. Após seu suicídio, o Brasil mergulhou numa quadra de indefinições e a relutância por qual caminho ideológico seguir empurrou a nação para o golpe de 1964. A ditadura militar se aguentou em pé por 20 anos. Tancredo costurou a transição por cima. O mineiro morreu sem tomar posse, José Sarney, seu vice, assumiu o Palácio do Planalto e teve que engolir o sucessor. O desafeto, primeiro presidente eleito pelo voto direto, Fernando Collor, abriu a sequência do voto direto. E com ele, fomos até Lula, que entregou o bastão para a primeira mulher presidente da história do Brasil.
Dilma Rousseff já sacou, conscientemente ou não, que precisa varrer a velharia, a velhacaria, o naco corrupto e se acertar com a parte boa que ainda resta na política nacional. Mas ela não é o novo.
O resultado da eleição municipal de 2012 já traz o recado das ruas com todas as letras. O povo não quer caudilho, políticos da antiga e gente que governa olhando para o próprio bolso. Intuitivo, Lula pescou a ideia antes dos outros.
O eleitor está pouco ligando se para mudar será necessário esfacelar todo este podre sistema partidário. O povo elegeu prefeitos de praticamente todos os partidos e que se danem com as alianças. O que se quer é gestão competente, respeito, honestidade e decência.
Está difícil, mas os políticos aprenderão na marra que o novo tem nojo do velho. Os políticos podem fazer a reforma política e aí perderão só os anéis. Ou não fazem e podem perder os dedos. Decidam, senhores.