Candidatos do Rio discutem suas propostas
Laura Machado | Eleições 2008 | 24/09/2008 18:22
O primeiro confronto de idéias com todos os candidatos que disputam a prefeitura do Rio de Janeiro aconteceu , nesta quarta-feira (24), na sede do Jornal do Brasil, no bairro do Rio Comprido, Zona Norte da cidade. Apesar da longa duração (quase quatro horas), o tempo foi curto para um confronto direto entre os adversários. Na platéia, jornalistas e representantes de diversas entidades, como OAB, Viva Rio, entre outras. 40 assinantes do jornal assistiram ao vivo. O evento também pôde ser acompanhado pelo site do jornal, e 40 assinantes do JB acompanharam o debate ao vivo.
O debate quase não aconteceu, pois o candidato do PT do B, Vinícius Cordeiro, apresentou reclamação ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) com base no artigo 23 da Lei Eleitoral , que garante a presença em debates de todos os candidatos cujos partidos tenham representação no Congresso. Na tarde de segunda-feira (23), o Tribunal concedeu liminar tornando a presença de Vinícius obrigatória, sob pena de multa de R$ 50mil. Desta forma, o jornal que tinha se preparado para apenas oito candidatos também teve que convidar às pressas Filipe Pereira (PSC).
A situação inédita de o Rio de Janeiro ser a única capital brasileira sem um debate entre os candidatos a prefeito acirrou a expectativa de grande parte dos candidatos. Eles estavam ansiosos pela possibilidade de expor suas idéias e confrontá-las com rivais, para que assim o eleitor possa assimilar as diferenças entre cada um. Em razão das pesquisas e do número alto de indecisos, todos os presentes acreditam que têm chances de ir para o segundo turno.
Primeiro bloco
No início do debate, os jornalistas do JB, puderam fazer uma pergunta para um candidato a ser sorteado. Os profissionais fizeram perguntas sobre propostas para transportes, segurança da cidade, cultura, educação. Eles se limitaram a reafirmar as propostas já feitas e conhecidas pelo público.
O ponto alto deste bloco foi o início de uma discussão entre os adversários políticos. O senador Marcelo Crivella (PRB) falava sobre sua proposta para a educação, e assegurou que pretende rever o sistema de aprovação automática, aprovado por decreto do prefeito Cesar Maia. A candidata do DEM, Solange Amaral, pediu direito de resposta, que foi negado, pois seu nome não havia sido mencionado.
"Então, se não citar o nome pode falar o que quiser", reclamou Solange ao ter o pedido negado.
Ao responder a uma pergunta sobre cultura, o candidato do PDT, Paulo Ramos, levantou uma polêmica: disse que a Prefeitura usou dinheiro público para fazer um shopping (Cidade da Música). Ele afirmou que venderia o empreendimento para recuperar o dinheiro gasto, e assim, investir em educação e saúde.
O candidato do PSOL, Chico Alencar, também quis apimentar o debate, ressaltando a presença dos adversários que não compareciam em outros eventos para trocar idéias
"Depois de 36 dias reencontro os candidatos. A miséria politica desta campanha é a falta dos debates. Este talvez seja o último", concluiu Chico.
Segundo bloco
No bloco seguinte, as entidades representativas de alguns setores da sociedade substituíram os profissionais do JB. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ), Wadih Damous, , criticou a Justiça Eleitoral por permitir candidaturas de criminosos. Ele avisou que a OAB estuda a possibilidade de ajuizar uma ação para obrigar as emissoras de TV a realizar um debate.
A representante da Federação da Associação dos Moradores, Márcia Vasconcelos, foi um dos pontos altos do bloco. Ao perguntar sobre como será a relação do prefeito com a sociedade, ela citou a candidata Solange falando sobre o programa de habitação. A democrata pediu direito de resposta, e conseguiu. Por sorteio a pergunta foi para a própria candidata,que reafirmou que pretende criar o Banco Nacional de Habitação para construção de mais casas populares.
Solange mencionou também o prêmio inédito de arquitetura ganho pela Cidade da Música,divulgado por alguns jornais, nesta quarta-feira. E disse que, caso seja eleita, deve investir em propaganda, mas que não fará como o governo estadual que "gasta milhões em campanhas para falar de si mesmo".
Já a candidata do PC do B, Jandira Feghali, ao responder o questionamento do Ibase sobre o papel do prefeito em relação ao PAC, alfinetou seus adversários."O prefeito não é apenas um síndico. Ele tem que saber para quem governar, e se direcionar para um determinado segmento da sociedade, o que é um diferencial", disse.
Terceiro bloco
O esperado confronto direto entre os candidatos foi realizado no terceiro bloco. Um era sorteado para perguntar, e em seguida o candidato escolhido para responder era definido por outro sorteio.
Jandira perguntou a Fernando Gabeira (PV) se ele iria privatizar a gestão da saúde na cidade.Ele respondeu: "Vou responder dissociando a pequena malícia política. Acho que é possível que algumas entidades possam administrar alguns pontos. Em São Paulo já tivemos esse exemplo. Quero hospitais com gestores, não necessariamente médicos."
A candidata do PC do B replicou, e disse que os eleitores deveriam tomar cuidado com seus aliados, como o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga e o PSDB. Ele rebateu dizendo que a candidata não deveria estar bem informada, porque um dos seus compromissos de campanha é não usar partidos para ocuparem máquinas do governo.
O candidato do PMDB, Eduardo Paes foi sorteado para perguntar para Solange. Paes a questionou sobre planos para saneamento. A democrata respondeu que pretende investir para melhorar a rede de esgoto de regiões como a Zona Oeste, e aproveitou para provocar o peemedebista, questionando sobre a falta de estruturas de atendimento nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Na réplica, Paes defendeu as UPAs e afirmou que as unidades salvam aqueles que não encontram amparo na rede municipal de saúde durante a madrugada, por exemplo.
Crivella perguntou a Filipe Pereira sobre a predominância do PMDB na administração. O senador ressaltou que estão no governo estadual, em maioria na Alerj, Tribunal de Contas. Filipe concordou que é perigoso para democracia essa falta de alternância na politica. Em sua réplica o candidato do PRB aproveitou o espaço para provocar Paes, ao dizer que "é um risco para todos a concentração de poder nas mãos do PMDB, que faz uma campanha milionária".
Vinícius foi sorteado para questionar Chico e quis saber sobre as propostas para a área cultural. Ele respondeu rapidamente reafirmando os planos sobre levar espaços culturais para regiões mais carentes. Para tal, o candidato do PSOL mencionou as doações de empresas como empreiteiras pelos rivais. E provocou diretamente o peemedebista, que até o momento se mantinha inerte às provocações, citando seu nome ao falar sobre o passado político complementando que "campanhas milionárias, partidos milionários apoiando candidatos criminosos".
Exercendo seu direito de resposta, Paes disse que não tem problema com seu passado de combate a corrupção. Ele ressaltou que teve um papel importante na CPI dos Correios ao relatar o que acontecia.
Ao final da rodada de perguntas, Solange questionou Crivella sobre um artigo "perigo para as famílias", escrito por ele em 2007, contra a homofobia. No texto o senador chamava a população para ir às ruas protestar caso o projeto de lei fosse aprovado. O senador garantiu que não muda sua postura, pois tem o direito de poder criticar o homossexualismo. "Falo como pai, como avô. Não pode ter uma lei que me obrigue a fazer apologia ao homossexualismo. Tenho o direito de dizer que não concordo com o homossexualismo, o direito é meu e ninguém pode me tirar", declarou.
Quarto bloco
No último bloco do debate cada candidato teve um tempo de dois minutos para suas considerações finais. Eles procuraram ressaltar sua trajetória de campanha, bem como suas principais propostas, e garantiram que o voto dos incesivos vai fazer a diferença para o segundo turno.





















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