
A classe da perna canhota de Marcelo Izar e a velocidade de Juninho foram o que de melhor teve o cotejo. Carrinho, sem o desprazer de pensar no rebaixamento, ainda busca a vaga nas quartas-de-final; Nacional tem muito o que pensar no descenso e em como fugir dele, mas há tempo, inclusive, para classificar.
E o jogo já começou movimentado: dum escanteio cobrado na ponta direita, bola para Fred Accon, que dominou e, de chapa, colocou no ângulo oposto. 1 a 0 Nacional. A esquadra amarela estava mais acordada, e dominava as ações. Pôs bola no travessão, com Juninho. Na sequência, jogada trabalhada e Juninho aumentou a vantagem. 2 a 0. Fred, capitão e principal armador do Nacional, tem movimentação semelhante a de Neto, no Corinthians campeão brasileiro de 1990. Naquele time, um 4-2-3-1 - hoje esquema da moda, novidade à época - o camisa 10 do time paulista era "falso 9". Pelas dificuldades físicas, Neto tinha a liberdade de ser o último marcador. Com a bola no pé ele recuava para armar o time, e os meias e pontas da linha de trás (Mauro, Tupãzinho, Fabinho, Paulo Sérgio...)avançavam no espaço aberto. Fred faz algo semelhante. Quando ele recua seu xará Accon e Juninho, penetram no facão. O Carrinho chegou bem pela primeira vez após o passe de Nathan para o chute torto, para fora, de Sanábio. Fred acertou a trave para o Nacional, na sequência. Aí entrou em ação o grande personagem do cotejo pelo lado rosanero, Marcelo Izar. Um desarme na meia cancha e Izar mandou de média distância para descontar. Menos de dois minutos depois o Carrinho - que já era melhor - tramou linda troca de passes, e Izar foi quem matou. 2 a 2. A rotação do Nacional, com Bento tentando cumprir a função de Fred e Monte Mór produzindo menos ofensivamente do que Accon, não foi benéfica. Juninho era o único que conseguia incomodar. O Badá era dono absoluto da peleja ao fim da primeira etapa.
Marcelo Izar circula demais pelo campo. Em boa parte da retomada do Carrinho de Mão Badá, ele armou o time apesar de estar jogando mais atrás. Algo parecido com o que faz o italiano Andrea Pirlo, craque da Juventus e da Azzurra. O segundo tempo começou como terminou o primeiro: Badá em cima. Guilherme pegou bonito uma bola que vinha caindo, e virou a partida. E num lance pastelão, onde Fred chutou a redonda nas costas do marcador - e pediu mão, vista por mais ninguém - e cedeu o contra-ataque para Sanábio, que arrancou do meio-campo, com liberdade, driblou o goleiro Pazos, e marcou o quarto tento do Carrinho. Com um avassalador Badá tomando a liderança e ampliando a vantagem e um Nacional dominado, a impressão é que o jogo estava em hora extra. Nada disso. Rafael Pazos, isso mesmo, o arqueiro, veio driblando (não, você não está lendo errado) até a meia-cancha, e serviu Monte Mór, que finalizou. Dedé cortou quando o goleiro André já estava batido. Mas André precisaria trabalhar mais... No chute de Felipe Eduardo, o goleiro rosanero rebateu, e Fred pegou o rebote para descontar. Tínhamos um jogo. E na bacia das almas o Nacional teve paciência para rodar a pelota no ataque, até Léo Luz servir Juninho. O camisa 5 dos amarelos empatou o jogo e teve premiada a grande partida que fez. Placar final: Carrinho de Mão Badá 4-4 Nacional.
Com o resultado, o Carrinho passa o Aló e fica com o BCM em sua alça de mira. O Badá, porém, tem uma sequência muito dura em seu caminho: TimECO, Tramóia e Mangue. O ponto conquistado significa, para o Nacional, que o time ainda não agoniza. Com doze pontos ganhos é o lanterna do grupo, mas apenas três pontos atrás de Grêmio e Padaria. A sequência dos amarelos é Los Pikas, InvenCivil, além dos três pontos já garantidos na próxima rodada contra o fugido Kkrecão. Pelo equilíbrio do grupo B, o Nacional pode pensar não apenas na fuga do rebaixamento, como também na classificação, o que seria muito mais condizente com a tradição e história da equipe.