
Ousado. Arisco. Polêmico.
Vibrante. Apaixonado. Decidido.
São esses alguns dos adjetivos possíveis para se tentar definir um pouco do estilo e da personalidade de Bernardo, o meia ofensivo mais carismático que o Vasco apresentou nos últimos anos.
Foi uma aposta. E deu certo. Com todas as oscilações e circunstâncias polêmicas (não poucas) a seu redor, Bernardo ainda assim conseguiu, diante da torcida vascaína, mostrar qualidades para um ídolo futuro. Coisa rara de se ver no atual cenário do clube, ainda dependente de ídolos do passado como referência para seu elenco.
A saída de Bernardo do Vasco foi tão estranha quanto sua trajetória de muitos filhos para pouca idade, gols salvadores e de placa, rompantes de arrebatamento com a camisa do Vasco e identificação com a torcida. Chegando por empréstimo e sendo a seguir contratado como uma aposta para a atual temporada, acabou entrando em litígio por requerer na justiça seus direitos de FGTS e luvas, e rapidamente foi acusado de má assessoria, má conduta, má-fé etc.
Não tenho referendo de bastidores para avaliar se, de fato, esse mimimi todo do clube com o jogador pode ser justificado. Há casos - e todos nós conhecemos - de jogadores famosos que lesam seus clubes e lhes causam enormes problemas mesmo com suas obrigações empregatícias corretamente cumpridas, e nem por isso seus clubes abrem mão de seus serviços. Viram quase babás dos marmanjos rebeldes. No Vasco, sob esse aspecto um clube que não tolera indisciplinas, a impressão que ficou para muitos foi de que, se não deveria mesmo ter concordado com o feito "rebelde" de Bernardo, também deve ter pecado em não lhe assegurar a assessoria e o acompanhamento que efetivamente, pelo histórico do jogador, faria diferença e evitaria a celeuma.
Deixem que Juninho cuide disso! Assim como tem cuidado de tantas coisas no Vasco, "invisivelmente"!
Deixem que o Reizinho recupere Bernardo, que nitidamente desapareceu dentro do Santos porque parece nunca mais ter encontrado um aconchego como aquele que teve no calor das arquibancadas vascaínas, onde ninguém vira xodó por acaso! Lá em São Januário - ou em qualquer gramado de qualquer lugar, mas sempre vestindo a camisa do Vasco! - Bernardo estufava o peito, batia naquela cruz-de-malta emocionado, lançava-se sobre a divisória do gramado com as arquibancadas como se desejasse, ensandecido, se atirar nos braços de sua torcida.
Eu acho que a volta de Bernardo, com seus dribles irreverentes e seus gols incendiários, é um pouco da esperança de algum rompante diferenciado não apenas de talento, mas de quebra dessa mesmice tática e dessa subordinação tacanha que fere os olhos e a paciência dos que assistem aos jogos de futebol.
Facebook Hélio Ricardo Rainho
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