Rio: população de Santa Cruz sofre com poluição de siderúrgica

Marcelo Cardoso | Rio+ | 23/10/2012 12h20

Foto: Reprodução de InternetA poluição provocada pela Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA), pertencente à alemã ThyssenKrupp, está atacando o meio ambiente, a saúde e o bolso da população que vive nos arredores da empresa, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Segundo denúncia feita pelo programa "A Liga", exibido no último dia 16 pela "Rede Bandeirantes", a fábrica vem emitindo muitos poluentes, inclusive, sendo multada duas vezes pelo Ministério Público. Uma das multas chegou ao valor de R$ 14 milhões, mas foi convertida em obras feitas na comunidade. Estudos técnicos comprovam que, atualmente, a TKCSA é a principal responsável pela poluição do ar em Santa Cruz.

O portal SRZD entrou em contato com a assessoria de imprensa da TKCSA, a fim de esclarecer as denúncias e situações expostas. De acordo com a nota enviada ao site, o Ministério Público não multou a CSA.

"As multas recebidas pelos dois eventos de emissão de grafite em 2010 são, na verdade, três: no evento de agosto, o INEA aplicou multa de R$ 1.8 milhão; pelo evento de dezembro de 2010, duas multas foram emitidas também pelo INEA, uma de R$ 2 milhões e outra de R$ 800 mil. Todas as multas estão em fase de recurso administrativo. O montante de R$ 14 milhões não corresponde a multa, mas sim a um acordo que, voluntariamente, a CSA assinou com o INEA e a SEA. A empresa assumiu, desde o início, ter causado incômodos à população vizinha nos dois episódios referidos. O valor desse acordo de cooperação foi integralmente revertido em favor de obras que beneficiam a população de Santa Cruz".

A população reclama de resíduos que saem das chaminés da empresa e, segundo estudos da Fiocruz, o pó proveniente dos fornos da siderúrgica contém ferro, manganês, magnésio e outras substâncias químicas perigosas para a saúde e meio ambiente. Pessoas que moram perto da siderúrgica estão apresentando diversos tipos de doenças, desde cutâneas, como irritação e alergia, até respiratórias, devido ao ar poluído inalado. Além de causarem problemas na saúde das pessoas, essas enfermidades estão pesando no orçamento de cada uma delas e, cada vez mais, os moradores tem gastado dinheiro comprando remédios para curá-las.

Segundo a TKCSA, o estudo feito pela Fundação Oswaldo Cruz analisou um pó varrido do chão, por um morador, o que alterou o resultado do exame.

"Em setembro de 2010, a Fiocruz examinou amostra de pó entregue por um morador, varrido do chão, e não pó oriundo necessariamente das chaminés da CSA. Em Março de 2012, a pedido da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEA), o INEA coletou, da forma tecnicamente correta, amostras de poeira no interior e nos arredores da CSA para que fossem examinados nos laboratórios da PUC/Rio. O Laudo Técnico concluiu que, considerando medições realizadas pelo INEA em dois pontos vizinhos à CSA, entre agosto de 2010 e julho de 2011, comparando esses dados com o que foi encontrado na medição de março de 2012, no que diz respeito às partículas que têm potencial de penetrar nos pulmões, 'as médias anuais para ambos os locais foram menores do que a média anual estabelecida pela Agência Americana de Controle Ambiental (EPA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Por se tratar de um padrão primário, ou seja, padrão que fornece proteção à saúde pública, incluindo populações sensíveis, como asmáticos, crianças e idosos, espera-se que os índices encontrados não causem danos à saúde e ao meio ambiente daquela região'".

De acordo com um dos entrevistados no programa, a empresa financiou, com uma doação de R$ 4,5 milhões, a reforma do prédio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAC), órgão que concede às empresas licenças para instalação nos locais.

Através do comunicado, a CSA afirmou não existir qualquer repasse direto de recursos da empresa para qualquer obra e ratificou que houve um convênio para reformar as instalações do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), antes chamado de FEEMA, onde diversas corporações tiveram participação.

"Não houve qualquer repasse direto de recursos da CSA para qualquer obra em Secretaria de Meio Ambiente, Municipal ou Estadual. Ocorre que, em 2 de dezembro de 2002, o principal edifício da FEEMA (órgão estadual de controle ambiental que precedeu o INEA) passou por um incêndio. Nos anos que se seguiram, o órgão se dividiu entre instalações provisórias em Copacabana e Ramos, não possuía condições adequadas de operação e estava sem os devidos recursos do governo para tornar-se outra vez atuante. Em face das dificuldades, em 12 de fevereiro de 2007, a FIRJAN e o Centro Industrial do Rio de Janeiro (CIRJ) assinaram convênio com o Governo do Estado prevendo obras e compra de equipamentos no valor de R$ 27 milhões com vistas ao fortalecimento institucional daquela entidade. Em abril do mesmo ano, a Petrobras aderiu ao Convênio. A CSA, juntamente com muitas empresas atuantes no Rio de Janeiro, participou desse esforço conjunto. Além de obras e equipamentos, o convênio com o CIRJ incluiu ainda uma consultoria da FGV, que promoveu o reforço de mão de obra e treinamento, a revisão de rotinas administrativas e outras coisas".

A TKCSA chegou a Santa Cruz com a promessa de geração de empregos e desenvolvimento para a região, mas um relatório do Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS) comprovou que a maioria dos postos de trabalho foi ocupada por trabalhadores de outros lugares e cerca de oito mil moradores já perderam sua fonte de renda por causa da atividade da empresa.

A companhia disse que no início da construção das instalações, encontrou na região baixa condição de escolaridade, altas taxas de evasão escolar e analfabetismo funcional após o ciclo fundamental, o que acarretou em um pequeno número de empregados que vivem próximos à fábrica. Porém, através de um investimento social concentrado na área da educação, hoje, 61% dos 5.500 empregados permanentes que trabalham na CSA são moradores de Santa Cruz e arredores.

Procurada pelo SRZD, a SMAC não foi encontrada para comentar o assunto.

* Atualizada às 10h44 do dia 24 de outubro de 2012.

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