A maioria dos vascaínos parece estar muito envolvida com algumas discussões paralelas. Querem opinar sobre o Fluminense ser ou não ser beneficiado pela arbitragem, sobre Kaká ter ou não ter lugar na seleção brasileira ou mesmo sobre o último capítulo de Avenida Brasil. A grande realidade é que, de Vasco mesmo, restaram apenas esfacelamento e nenhuma esperança nesta reta final de campeonato.
Depois de tudo o que sofremos com o drama do rebaixamento, infelizmente fomos uma torcida dividida entre uma generosidade exagerada (a dos que se contentam com muito pouco) e uma conivência intencional (a dos que fingem que se contentam para sustentar a vaidade pessoal).
Sabem do que estou falando? De uma verdade absoluta que ninguém quer admitir e que muito provavelmente eu serei o primeiro vascaíno a afirmar publicamente, num afã de levar as pessoas a uma reflexão sem alienações. A verdade é a seguinte: desde que subiu da segunda para a primeira divisão, o Vasco de Roberto não ganhou nada!
Nada!
Se Copa do Brasil contasse para avaliar alguma coisa, amigos, eu pergunto: por que o atual campeão Palmeiras conseguiu o título com um de seus piores times e está paralelamente na Libertadores 2013 e pré-rebaixado no atual Brasileirão? A Copa do Brasil foi criada em 1989 para dar voz aos clubes pequenos, chance aos clubes pequenos, caminho curto de possível ascensão e facilidade aos clubes pequenos! Ela não foi feita para medir nível técnico real, produtividade real de equipe, competência real. É um genérico criado, inclusive, para melhorar a força política da CBF, que passou a ter mais votos das federações nanicas a partir de sua criação. É por isso que o Palmeiras serve como exemplo de campeão da Copa do Brasil que, a bem da verdade, virou capacho no Campeonato Brasileiro de pontos corridos, com reais possibilidades de rebaixamento.
Sim, com o Vasco foi diferente. Campeão da Copa do Brasil num sufoco desesperador (e com afirmações estranhas de que nossa torcida precisava "aprender a torcer com a do Coritiba") e com derrota na partida final, cumpriu um Brasileirão de 2011 sempre em alta pontuação da disputa. Mas perdeu vários jogos fáceis dentro de casa e, ao contrário do que vimos ontem na vitória do Galo contra todos os erros de arbitragem, o Vasco de 2011 deixou-se várias vezes embolar por arbitragens confusas que descaradamente beneficiaram o título do Corínthians.
No título da Copa do Brasil, sob derrota e uma pressão infernal do Coritiba, teve gente escrevendo que nossa torcida "precisava aprender com a deles a torcer pelo time". Era a célula de nascimento do que eu reputo como uma nova doença do "novo Vasco": a "síndrome do repúdio"! Precisamos trocar nosso estádio, nossa fachada de azulejos, nossa piscina, nossas arquibancadas, nosss vestiários, da mesma forma como mudamos nosso presidente! Repudiemos tudo o que temos e mudemos tudo!!!! Tudo, menos nossos ídolos: Juninho e Felipe terão de jogar até os 50 anos, porque ninguém foi preparado na base e ninguém foi comprado para renovar os quadros de ídolos do clube. Até a nossa torcida precisamos mudar! Os pobres suburbanos, personagens históricos da formação diferenciada do clube, que não tiverem dinheiro para pagar o sócio-torcedor ou os duzentos jogos do ano (e isso também inclui a festa do DVD a R$300,00 para uma elite em casa de show na Barra) serão "párias", "imbecis" ou simplesmente "torcida do Vasco" - agora não mais uma família, mas uma corja distinta dos militantes oficiais, "raça improdutiva" a ser banida do clube. Pronto: a final da Copa do Brasil era a desculpa para se olhar com desprezo os que protestam, os que temem adversários... enfim, os que desconhecem o Vasco estranho, distante de suas tradições, que entra em campo...
A verdade é que a gestão de Dinamite, além de consolidar um rebaixamento previamente desenhado pela execrável gestão anterior a que tanto criticava, está aí há anos...e não ganhou nada! Embriagou-se, adulou-se, endeusou-se, envaideceu-se com a conquista de um torneio para times pequenos de federações nanicas e, além disso, o que mais?! Só maquiagens em "belas campanhas" improdutivas!
Nem o campeonato carioca, uma disputa que há muitos anos ficou "safadinha" de fácil e na mão de todo mundo, o Vasco consegue ganhar! Viu os três rivais diretos - os três! - ganharem títulos estaduais nesse período, e continua até nisso "chupando o dedo".
Como "bom" deputado e mau administrador, Roberto sentiu-se fortalecido por esse "apoio de alcova" para desleixar tudo em 2012 e disfarçar ainda menos seus erros: sucateou seu elenco, empossou seu "cunhado-dinamite" (sonoramente ignorado pelo povo em duas eleições consecutivas) como um "pode-tudo" a apitar em todas as áreas dentro do clube, encheu a casa de parentes/assessores desqualificados (até hoje ninguém entendeu Franck Assunção), fez vista grossa ao caos da divisão de base, abriu as pernas para o Fluminense jogar em nosso estádio ( e ainda chamá-lo de "chiqueiro") após anos de ataques e investidas do clube tricolor contra a gestão vascaína... enfim, Roberto podia tudo, porque estava blindado e respaldado por uma muralha de românticos admiradores fascinados por seu eterno carisma de artilheiro!
Podem me bater. Podem me xingar. Podem me dizer qualquer coisa que tente abalar meus 40 anos de vascaíno, meus mais de 20 anos de sócio do clube, meus quase 15 de cronista vascaíno, minha moção honrosa recebida na Câmara dos Vereadores na instituição do Dia do Vasco e dos Vascaínos! Mas uma verdade precisa ser dita: se continuarmos mais fiéis às nossas opiniões, às nossas ideologias partidárias, a esse monte de presunção e orgulho besta que hoje afoga o clube, continuaremos muitos anos assim: festejando uma Copa do Brasil nanica (que teve méritos e valeu mais pelo ineditismo, mas cegou o entendimento), uma temporada de G4 e nenhum - nenhum! - título expressivo, nem histórico, nem nada mais!
Sem nenhuma necessidade, o Vasco tem se contentado com sobras. São dois Brasileiros jogados fora...simplesmente porque preferem a blindagem ao raciocínio simples...
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