Quando pensamos num filme classificado como comédia, ação e romance, imaginamos uma produção divertida e despretensiosa. Esse deveria ser o caso de "Relação Explosiva" (Hit and Run - 2012), longa que o SRZD já conferiu e estreia nesta sexta-feira, dia 19.
"Relação Explosiva" conta a história de Charles Bronson / Yul Perkins (Shepard), homem que há quatro anos vive numa cidadezinha de interior e faz parte do programa de proteção à testemunha, que se vê obrigado a voltar à Los Angeles e arriscar a própria pele para levar a namorada Annie (Kristen Bell) a uma entrevista de emprego. O plano parecia perfeito não fosse pela perseguição e obsessão do ex-namorado de Annie, que resolve persegui-los e entregar Charles para seu inimigo número um, Alex. Com a confusão armada, começa uma perseguição pelas
estradas americanas, envolvendo ainda um atrapalhado agente federal e dois policiais.
Com direção de David Palmer e Dax Shepard (que acumula ainda as funções de roteirista, montador e protagonista), o longa sofre com vários problemas que se tornam iminentes nos primeiros minutos de projeção. E isso incomoda bastante.
Para começar, "Relação Explosiva" tem a pretensão de ser uma comédia frenética com muitas sequências de perseguição, aparentemente tentando se equiparar aos filmes da franquia "Velozes e Furiosos" (The Fast and The Furious), só que mal executadas e beirando ao ridículo.
O filme é mal dirigido, a montagem é ruim, seus diálogos são péssimos e o casal protagonista não tem força suficiente para levar a história. Aí, vemos em Bradley Cooper (Alex) uma possível salvação para o longa. Primeiro engano. O personagem de Cooper é fraco e sua atuação também está longe de ter alguma qualidade.
O sentimento de decepção pelo que é apresentado é inevitável e aumenta a cada cena, eis que surge na tela o coadjuvante de luxo Beau Bridges (Clint Perkins), que, por alguns instantes, nos dá a sensação de alívio e uma pontinha de esperança de que o filme não irá totalmentepor água abaixo... e esse é o segundo engano, pois o personagem do ator é outro que não diz a que veio.
E os problemas e "enganos" não param por aí. A trilha sonora do filme é boa, tem músicas incríveis, como a clássica "Sweet Emotion" do Aerosmith, porém foi inserida de maneira totalmente nonsense e acabou se tornando mais um fator negativo para "Relação Explosiva".
De certa maneira, Shepard e Palmer foram vitimados pela pretensão de fazer um filme excelente, capaz de entreter a plateia com carros velozes e piadas preconceituosas, de cunho racista e homofóbico, que nem de longe são engraçadas. Também é válido ressaltar que os diretores ainda incluíram cenas despropositadas de nu frontal de um grupo de idosos.
Enfim, "Relação Explosiva" é uma produção fraca que sofre com os tropeços de seus diretores e roteiristas, que erraram na dose ao tentar misturar três gêneros cinematográficos diferentes, sem competência para fazê-lo, e, no fim das contas, acabaram criando um novo gênero: o sem graça.
