Em 07/Jan/09 09:01:59

Internauta mangueirense desabafa

Confira a carta aberta aos composições enviada para seção Repórter-Carnavalesco. Você também pode participar. Saiba como fazer.

Aos Poetas de verdade, minha indignação.
 
É triste o rumo que as coisas estão tomando no mundo, Pessoas não ficam mais indignadas com pedofilia, assassinatos, Roubos, sequestros, tráfico e corrupção. Como dizia Gonzaguinha à anos atrás em "COMPORTAMENTO GERAL". Tudo vai bem, tudo legal. cerveja, samba e amanhã seu zé? se acabarem com meu carnaval? Nessas palavras parecia que o fim era esse, se acabarem com o carnaval aí sim o povo se rebelaria contra os desmandos desse mundo.

Os anos se passaram e a alienação é tamanha que estão acabando até com o carnaval, acabando com poesia, com o romantismo, com a pureza, com o talento e transformando tudo em tristeza. E o povo? bom, o povo vive se adequando ao fim, e sorri calado sem perceber. Os versos imortalizados pelo poeta que diziam "A Mangueira não morreu nem morrerá, Isso não acontecerá", hoje, na verdade, são ouvidos e seguidos pela pergunta, será? A Mangueira tem seu nome na história, isso sim não tem nem explicação, uma história de poesia e cultura, um celeiro de bambas e artistas, onde o povo se identificava no carnaval com o contra-ponto do seu dia a dia, onde poetas destilavam sua arte e emprestavam com orgulho seus dons as cores verde e rosa, para que a poesia e a raiz do samba brotasse e encantasse o mundo dando formas sociais a esse ritmo genuinamente Brasileiro, trazendo respeito e alento ao pobre, ao favelado, ao trabalhador, enfim, ao humilde que virava rei nos dias de Momo.

Hoje a realidade do mundo é outra, coisas obscuras deletam do mapa todo romantismo e a grandeza dessa escola que é o simbolo da alegria, da magia, do sonho, simbolo do POVO BRASILEIRO. Antes a Mangueira de Braguinha, Lobato, Tom, Drumond, Caymmi, Chico, Encantava o mundo nos versos de Jurandir, Tantinho, Alvinho, Cartola, Nelso Sargento, Carlos cachaça, Hélio turco, Darcy, Cumprido entre outros.

Hoje a Mangueira S.A, é uma escola de "sambas profissionais" com seu grandioso palácio do samba, seus super carros alegóricos, suas rainhas siliconadas e seus enredos patrocinados e "atuais", deixou de ser o celeiro de bambas de outrora, para se tornar a escola que poda o talento, que não deixa florecer a poesia pura e sincera de jovens compositores, deixou de ser a ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA, pra se tornar a escola desse ou daquele "compositor" e do poder paralelo. A Mangueira de hoje é a Mangueira dos Petrodólares da Energia, do Rio de dinheiro da polêmica transposição do velho Chico , que troca o centenário do seu Mestre e fundador Cartola pelos milhões do centenário do frevo.
 
A emoção do samba no pé, do farrapo, do mais belo samba, do bamba que vestia as cores verde e rosa, foi substituida pela obscuridade das decisões, pela falta de ética, de carinho com quem à ama, substituida pelo valor do que não é raíz. A Mangueira que o POVO BRASILEIRO aprendeu a amar, é a Mangueira que tem FORÇA NA PAIXÃO, QUE CRESCE NA DOR, que sabe que SER BRASILEIRO É UM SENTIMENTO. A Mangueira que o POVO BRASILEIRO aprendeu a amar, é a Mangueira que tem a TRADUÇÃO MAIS SINGELA desse mesmo povo que a ama e que TEM NA PASSARELA UM NOME A ZELAR.

VALEU MENINOS, QUE VIVA A POESIA
 
SALVEM A MANGUEIRA!!!!
 
Mônica Faria - Mangueirense e Promotora de Vendas

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