Maus chefes, maus empregados
Redação SRZD | Comportamento | 22/09/2008 20:38
Existem chefes que, literalmente, podem pôr as pessoas na cama. Aqueles que não têm consideração pelos empregados, não os motiva e nem os estimula intelectualmente. Nada a ver com os bons líderes que, tal como acaba de reconhecer um novo estudo, logram ao aumentar a satisfação de seus subordinados no trabalho e contribuem para que se sintam melhor a cada dia.
Jaana Kuoppala, do Instituto Finlandês da Saúde Laboral, em Helsinki, e sua equipe levaram a cabo uma revisão de 27 pesquisas, publicadas entre 1970 e 2005, e que analisam como os chefes influenciam a saúde e o bem-estar dos trabalhadores.
"Na literatura científica encontramos três definições distintas do que é um chefe benévolo", afirmou a médica Anne Lamminpää, uma das autoras do estudo. "O chefe compassivo, que proporciona apoio social quando é necessário; o respeitoso, que trata com respeito seus empregados, e o transformador que inspira, motiva e estimula o nível intelectual", explicou.
A investigação, que foi publicada recentemente na revista "Jornal da Ocupação e da Medicina Ambiental", constatou que os trabalhadores com um bom chefe ficam menos dias doentes e não pedem tantas visitas ao médico. Concretamente, estes empregados "afortunados" têm 27% a menos de chances de adoecer, e 46% menos possibilidades de pedir para ficar em casa por doença.
"Esses dados confirmam a teoria de que superiores bem preparados, e que promovem um bom ambiente de trabalho, assim como ótimas condições de trabalho, reduzem os problemas de saúde". Por esse motivo, "as companhias deveriam seguir de forma rotineira a trajetória de seus empregados e realizar um esforço para melhorar as condições em que trabalham", completou Lamminpää.
O psicólogo norte-americano Kenneth Nowack, presidente do Consórcio Envisia, que há 20 anos desenvolve sistemas para avaliar empregados, e um dos maiores especialistas mundiais em inteligência emocional, também se mostra de acordo com as informações do novo estudo. "Essa meta-análise proporciona a confirmação de que os líderes intervêm nos níveis de estresse, de ansiedade, da saúde psicológica e no bem-estar físico que padecem seus trabalhadores", analisou.
Todos esses fatores negativos têm "um custo para as companhias em gastos médicos, acidentes, problemas de segurança, estado de ânimo dos empregados, e, também, desperdício de talento", sublinhou o doutor Nowack.
O estresse de trabalho se converteu em um fator de risco psicosocial, que apenas na União Européia afeta 41 milhões de empregados. Do outro lado do Atlântico, os especialistas em saúde mental asseguram que este ano o número de doenças causadas pelo trabalho aumentou.
Um estudo recente realizado pela Organização Gallup, que há 70 anos investiga o comportamento humano e é uma das empresas mais reconhecidas em pesquisa de opinião e consultoria, determinou que os grupos de trabalho mal dirigidos são 50% menos produtivos e 44% menos rentáveis para suas empresas.




























