
Diretor do SRZD, apresentador do "Brasil TV", da "Rede Globo", e âncora de telejornais da "GloboNews". Também é professor da PUC-Rio. Sidney foi um dos fundadores da "CBN".
* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.
O UFC é uma modalidade de negócios que cresce a cada dia e tudo indica que a injeção de dinheiro na atração esconde problemas estruturais que precisam ser enfrentados.
A oferta é maior do que a procura. A máquina de moer carne não tem fim, porque a fila de pretendentes à bolsa de prêmios é imensa. Alguns jovens veem seu "sucesso" no octogon como saída para a penúria da sua condição social.
Um lutador quebrado é logo substituído por um mais novo e mais resistente. É assim que funciona o jogo.
Na luta de ontem entre o brasileiro Erick Silva e Jon Fitch, lutador top-5 e ex-desafiante ao cinturão, serve como um exemplo de como a luz amarela é um prenúncio de que cuidados precisam ser tomados.
Fitch teve um oponente duro pela frente, mas fez prevalecer sua experiência e venceu a luta de três rounds. Quando terminou, cumprimentou o adversário, deu entrevistas, e Erick fez o ritual dos derrotados: aceitou as palavras de Fitch, desceu as escadas e se dirigiu ao vestiário.
Só tem um detalhe: o capixaba não lembra de nada disso. "Eu tive um apagão. Eu até queria elogiar o Fitch, mas não lembro de nada, nada, nada...", declarou com honestidade. Foram tantas pancadas que o lutador brasileiro não sentia o braço, o corpo estava exaurido e o cérebro "desligou".
O apagão do cérebro de um ser humano é algo seríssimo. É o cérebro que controla tudo. O sistema nervoso central sentiu o peso das marretas. Mesmo que meia hora depois Erick se sentisse bem melhor, as sequelas não são superadas assim.
Os controladores do UFC não lutam, só administram e embolsam milhões de dólares. São os cartolas do esquemão. A vida deles está ganha. O negócio é a saúde dos "atletas".