Na reta final de encerramento do Festival de Cinema do Rio, o SRZD compareceu ao Armazém Utopia, no Cais do Porto, para acompanhar a coletiva de imprensa do filme "Hemingway & Gellhorn", longa produzido pela HBO Films, com a presença do diretor Philip Kaufman e do produtor Peter Kaufman - seu filho -.
Protagonizado por Nicole Kidman e Clive Owen, o filme conta ainda com a participação de Rodrigo Santoro. A pré-estréia aconteceu ontem, na noite de gala de encerramento do Festival, no cinema Odeon BR. O drama conta a história de amor e do casamento turbulento entre uma das primeiras correspondentes de guerra, Martha Gellhorn e o escritor Ernest Hemingway. A trama acompanha os dois aventureiros durante a Guerra Civil Espanhola. Gellhorn foi a terceira esposa de Hemingway e a única a pedir o divórcio.
Com uma aparência bem cansada, tentando exibir uma simpatia que deixou dúvida de sua veracidade para alguns jornalistas, Philip Kaufman contou que o projeto surgiu há cerca de nove anos e que, no primeiro momento, ele e Peter recusaram a proposta, mas foram se apaixonando pela história e não conseguiram mais recusar: "Nunca trabalhamos em um filme para TV, mas não era uma simples TV, era a HBO. Mesmo com um pequeno orçamento, fizemos um grande filme, uma épica história de amor. Conseguimos um elenco de primeira e transformamos São Francisco em diversos países: China, Finlândia, Espanha, Cuba e Alemanha, tudo isso sem sair da cidade", disse o diretor.

Peter ressaltou que tudo foi rodado durante pouco mais de 40 dias, no início de 2010, em pleno inverno californiano, nas redondezas de São Francisco. "Lá temos Chinatown que se parece com a China nos anos 1940, uma baía que lembra Cuba e também montanhas que podem passar pela Espanha. Muitas vezes, num mesmo dia, atravessávamos três continentes cenográficos", explicou o produtor. "Mas antes de iniciarmos a filmagem houve uma pesquisa de locação que durou mais de um ano."
Para contar a história da Guerra Civil Espanhola, Philip mistura imagens de documentários da época com a ação dramática. Uma longa pesquisa foi feita em mais de 20 obras literárias sobre a vida do casal, já que a intenção era retratar os fatos da maneira mais verídica possível. "Fizemos um mergulho no passado. Colocamos os atores na primeira metade do século XXI através do figurino, da maquiagem e do estilo de filmagem. Tudo tinha que parecer antiquado, apesar de termos usado técnicas cinematográficas muito modernas", destaca Philip.
O diretor comentou ainda sobre a escolha de Clive Owen para protagonizar o filme: "Um amigo em comum mostrou o script a ele e um dia, Clive me ligou dizendo que queria muito participar do elenco. Ele é britânico, mas ficou um ano aprendendo a falar como Hemingway. Viajou para Cuba e Espanha atrás de histórias. Posso dizer que os esforços valeram a pena, ele realmente pegou o jeito do escritor e ficou com a voz igual a do Hemingway.
É interessante que todo mundo se lembra de Hemingway velho, mas ele tinha, quando jovem, um jeito de Clark Gable, de quem era amigo. Todo mundo achava que Gable o imitava, mas era justamente o contrário". Sobre a escolha de Rodrigo Santoro para viver Paco Zarra, um revolucionário, Peter Kaufman é só elogios: "Ele é um excelente jovem ator, tem o talento de se transformar em cada filme que faz, seja drama ou comédia. Nem fizemos teste com o Rodrigo porque sabíamos que daria certo. Fomos muito sortudos em termos esse excelente ator no elenco", disse o produtor.
O filme estréia dia 27 de Outubro na HBO.