Salvador: cientista político analisa segundo turno na capital da Bahia

Daniel Guimarães | Eleições 2012 | 08/10/2012 11h54

No dia 28 de outubro, os eleitores soteropolitanos terão que escolher entre ACM Neto (DEM) e Nelson Pelegrino (PT) no 2º turno da prefeitura de Salvador. O pleito promete ser disputado, já que o candidato do Democratas recebeu 518.976 votos, chegando a 40,17% e o petista obteve 513.350 votos, o que corresponde a 39,73%.

A pouca diferença entre os candidatos chama atenção. O SRZD falou com Clóves Oliveira, professor do Departamento de Ciências Políticas da Universidade Federal da Bahia (UFBa), que explicou o motivo.

"Essa baixa diferença tem a ver com o histórico da polarização entre esquerda de direita em Salvador. Desde 2004, os candidatos sempre alcançam uma margem de voto muito próxima. Além disso, desde a década de 90 não havia um embate direto entre o PT e o DEM (antigo PFL). Nessa eleição, tivemos uma reedição dessa clivagem partidária, entre o blocos dos chamados carlistas (que apoiavam Antônio Carlos Magalhães) e o anti-carlistas, que eram contra o ex-senador e avô do atual candidato do DEM. As eleições de 2004 e 2008, que levaram João Henrique, na época do PDT, hoje no PP, foi constituída uma terceira via. Nessa eleição, retornamos a uma configuração histórica", disse.

O cientista político também falou sobre a importância dos outros candidatos para o segundo turno. "Será fundamental. O fiel da balança será a escolha dos eleitores que optaram por votar em Mario Kertesz (PMDB) e Marcio Marinho (PRB). Juntos, eles alcançaram cerca de 17% dos votos no primeiro turno. O eleitorado do radialista e ex-prefeito Mario Kertesz é formado por maioria de pessoas com bom grau de instrução e poder aquisitivo de médio para alto. Já os eleitores do deputado federal e bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Marcio Marinho, são caracterizados pela ligação com a igreja. Eleitores com essa característica costumam se comportar em blocos, por isso, Marinho deve ter mais peso".

Marcio Marinho é do PRB, que faz parte da base do governo, que é do PT, mesmo partido de Pelegrino. Porém, Marinho foi candidato a vice-prefeito na chapa de ACM Neto, em 2008. Por isso, é difícil saber quem o candidato vai apoiar no segundo turno. O anúncio de Marinho deve ser feito nesta segunda-feira.

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Comentários (2)

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armando cruz

19/10/2012 11:40:03

O Sr. Marcio evoluiu muito!Era vice em 2008 e passa a titular em 2012, com esta votação expressiva! Se, também, o POVO/ ELEITOR, está recebendo tratamento mais dígno com esta evolução, ele saberá que não dá pra fazer campanha de curral eleitoral, como rezava na cartilha dos coronéis!

Alexandre Fernandes Dias

08/10/2012 14:52:41

Saudado efusivamente pelos eleitores que o reconheciam, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa votou na manhã de ontem no clube Monte Líbano, na Lagoa (zona sul do Rio), e disse que gostaria de um segundo turno na eleição para prefeito da cidade. "Segundo turno é sempre bom, né? É uma depuração", disse o ministro, que não quis declarar seu voto. Questionado se teria votado em Eduardo Paes (PMDB) na eleição anterior (quando o atual prefeito do Rio derrotou Fernando Gabeira no segundo turno), respondeu "acho que sim", mas disse que isso permitia ilações sobre seu voto atual. Afirmou ainda já ter votado muito no Gabeira", mas que não o fez naquela eleição porque não gostou "da aliança" (com o PSDB e o PPS) feita pelo então candidato do PV. O ministro também afirmou que o julgamento do mensalão não deve ter influência nas eleições municipais. "São eleições locais, assuntos locais, não têm nada a ver com questões nacionais". Falando sobre os elogios e pedidos de foto que foi recebendo no trajeto até a urna, Barbosa disse já estar acostumado e afirmou não se considerar uma celebridade: "Estrela não, isso é carinho das pessoas". Quando um cidadão o saudou dizendo "ministro, cana neles", em referência ao jilgamento do mensalão, Barbosa disse que esse tipo de manifestação era comum. "Muitos falam assim, mas eu não dou bola não, porque não é disso que se trata". Ao comentar a disputa eleitoral à Prefeitura de São Paulo, disse que a corrida "está emboladinha, né?", e não quis arriscar um palpite para o segundo turno: "Eu não entendo bem São Paulo", disse, com um sorriso.

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