O cineasta Breno Silveira e os atores Júlio Andrade, Land Vieira e Silvia Buarque, se reuniram com a imprensa na tarde desta sexta-feira, dia 28, no Pavilhão dos Festivais (Armazém 6 do Cais do Porto), para falar sobre "Gonzaga - De pai pra filho" (2012), filme que é uma das grandes apostas do cinema nacional este ano.
Esse foi o pior ano para as produções nacionais e o cineasta sente a pressão em cima de "Gonzaga - De pai pra filho", considerado por muitos o "salvador da pátria", num ano repleto de produções fraquíssimas. "Acho muito importante oferecer gêneros diferentes. Eu acho muito perigoso a gente começar a perder nosso público, que vai dizer ‘não, é mais uma comedinha’", comentou Silveira sobre a atual situação do cinema nacional, que tem na comédia sua maior aposta, deixando outros gêneros de lado, o que pode afastar parte do público. Apesar de reconhecer o "peso" da responsabilidade, o cineasta aparentou tranquilidade, dizendo: "A minha pressão é muito maior em fazer um filme bom, sobre um cara que considero muito importante, sobre dois caras que fizeram parte de mim e da minha própria formação".
O diretor também contou que recebeu as fitas com o áudio das conversas de Luiz Gonzaga e Gonzaguinha há sete anos, mas que sabia que o projeto era grande porque "Gonzaga era grande", como ele mesmo falou na coletiva, ressaltando que dirigiu "À Beira do Caminho" (2012) para não ficar tanto tempo sem filmar.
De acordo com Breno, a primeira versão do roteiro era enorme e precisou ser editada para condensar os fatos mais importantes das vidas desses dois ícones da música brasileira, mesmo assim, Silveira admite que muita coisa ficou de fora. E que um de seus desafios iniciais foi chegar a um denominador comum entre os familiares, que não se viam há 15 anos. Segundo ele, a filha de Gonzagão tinha um filme em mente e os filhos de Gonzaguinha, outro. Mas que depois eles se reconciliaram e o ajudaram na concepção do longa.
Por se tratar de um filme biográfico, uma das maiores dificuldades enfrentadas pela equipe foi escalar atores fisicamente parecidos com os personagens. Para o papel de Gonzaguinha, não foi tão difícil porque Júlio Andrade batalhou muito para interpretá-lo. Fã de Gonzaguinha, o ator descobriu o projeto por acaso numa praia da Urca. Acaso ou destino, na mesma noite ele esbarrou com Silveira, que na ocasião estava acompanhado da família.
O ator contou que foi fazer o teste de elenco caracterizado como o cantor, vestindo roupa dos anos 80, peruca, violão e uma bolsinha de couro "comunista". Segundo Andrade, os olhos do diretor brilharam ao vê-lo. "Tava no estúdio cheio de placas de ‘não fume’, olhei pra ele e falei ‘quero fumar um cigarro’. Ele falou ‘pode fumar’", disse Andrade, que ainda revelou ter feito o teste cheio de atitude e com os trejeitos de Gonzaguinha. "Foi tão impressionante o que esse cara fez na primeira vez que entrou no estúdio, que eu não sabia que ele era ele. Ninguém no estúdio sabia quem era. Ele entrou tão diferente, arrogante, o jeito que ele fumou meio Gonzaguinha, e a primeira coisa que ele falou foi ‘posso cantar?’. Ele cantou igual ao Gonzaguinha e eu falei: ‘só falta esse cara atuar’. Pensei que era um clone", brincou Breno Silveira, que disse ter encerrado os testes imediatamente, dispensando todos os outros atores.
Se para Gonzaguinha foi fácil, para o Rei do Baião a dificuldade foi enorme. Muitos atores foram testados, mas não atendiam a todos os requisitos para o papel, obrigando a equipe a encontrar um "Gonzagão" no nordeste, divulgando essa busca na mídia. Mais de cinco mil pessoas se inscreveram. O papel coube a Chambinho do Acordeon, que apesar de nunca ter atuado, sabia tocar sanfona e tinha alguma semelhança física com Luiz Gonzaga, dividindo o personagem com Adélio Lima (idoso) e Land Vieira (jovem).
Mineiro de Ipatinga, Vieira se mostrou grato por ter trabalhado nesse filme, que segundo ele, mudou sua vida. O ator arrancou algumas risadas dos jornalistas ao contar sobre seu primeiro contato com a sanfona: "É um monte de tecla de um lado e um monte de botãozinho de outro. É uma complicação", disse rindo.
A atriz Silvia Buarque contou que fez laboratório no Morro de São Carlos, onde conversou com uma senhora que era amiga de Dina. De acordo com a atriz, a experiência foi importante para entender melhor sua personagem, a quem considera uma mulher generosa, abnegada e que tinha grande gratidão por Gonzaga tê-la deixado criar Gonzaguinha. Ela ainda das cenas com Alison Santos, intérprete de Gonzaguinha na infância: "Foi bem intenso porque tinha que dar tapa na cara... mãe dessa época batia. Foi bacana".
"Gonzaga - De pai pra filho" custou cerca de R$ 12 milhões e foi rodado esse ano, contando com uma equipe enorme. O esforço dessas pessoas valeu a pena, pois o filme é incrível e se destaca como uma das melhores produções nacionais de 2012. A produção entra em cartaz no dia 26 de outubro, mas já pode ser conferida no Festival do Rio 2012.