Conteúdo grátis de instituições de ensino na internet
| Jacqueline Sobral | 18/09/2008 17:09
Um dos painéis do 14º Congresso Internacional ABED de Educação a Distância foi sobre a disponibilização gratuita de conteúdo de cursos na internet, por intermédio dos chamados Open Educational Resources (OER), ou, em português, Recursos Educacionais Abertos. Fora do meio educacional, o tema ainda não foi muito discutido - pelo menos essa é a minha impressão -, o que é uma pena. Precisamos mudar isso.
O fato é que diversas instituições americanas e européias decidiram colocar na internet o conteúdo integral de diversas disciplinas de seus cursos, desde slides e papers de seus professores, até provas, pesquisas, vídeos, ementas, etc, para serem acessados por qualquer pessoa. O objetivo é criar e estimular um grande movimento de democratização do conhecimento. Mas claro que não é só isso: as faculdades perceberam também que essa é uma grande ação de marketing, já que muitos leitores desses materiais acabam estimulados a se inscreverem em algum curso.
A primeira instituição a disponibilizar conteúdos gratuitamente foi o Massachusetts Institute of Technology. Desde 2000, o instituto mantém o livre acesso de mais de 2.000 cursos no Open Course Ware Consortium (OCWC). Para quem domina o inglês, vale a pena. Fiquei bem tentada a fazer o "Introdução à Psicologia". Agora, vale ressaltar para que ninguém crie expectativas: esses cursos não oferecem certificado ao final, ok? Pelo menos, essa não é a praxe.
Uma conseqüência positiva desse movimento é a mudança no perfil dos estudantes que usufruem desses recursos educacionais abertos, apontada pelo presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância, Fredric M. Litto, no congresso em Santos:
"Qual é o impacto dos recursos educacionais abertos? Um amigo meu do MIT foi dar uma aula na Índia e uma aluna perguntou se o que ele estava ensinando era compatível com o conteúdo disponibilizado pela instituição na rede aberta. Ele ficou muito surpreso. Os professores estão deixando de ser avaliados de cima para baixo. Hoje, os alunos é que cobram mais, pois agora podem adotar uma postura mais crítica graças ao livre acesso a conteúdos do mundo inteiro."
Não vejo a hora de presenciar estudantes brasileiros fazendo esse tipo de crítica. A ausência do Brasil nessa grande rede de disseminação gratuita de conhecimento também foi destaque do congresso. Por enquanto, a única instituição brasileira a participar do OCWC é a Fundação Getulio Vargas, por intermédio do FGV Online, em parceria com a Universidade da Califórnia - Irvine (UCI). O diretor de tecnologia e design dessa instituição americana, Larry Cooperman, destacou no evento que mais de 50 mil brasileiros já entraram no site da UCI em busca de informações sobre os cursos gratuitos. Isso demonstra que nós brasileiros queremos sim participar desse movimento.
Ao meu ver, um dos grandes problemas da internet é o fato de que é possível encontrar rapidamente qualquer tipo de informação sem que haja a certeza de que a fonte é confiável - isso QUANDO a fonte é citada. As pessoas vão fazendo pesquisas no Google e tomando como verdade tudo que encontram pela frente (antigamente, essa crença cega só era dedicada aos jornais e telejornais, mas agora...). Se houver um acesso cada vez maior a conteúdos de qualidade provenientes de instituições de ensino respeitadas e sérias, os usuários terão uma grande fonte de consulta e pensarão duas vezes antes de confiar em qualquer informação postada neste nosso imenso mundo virtual!
Para quem quiser visitar, aqui estão alguns sites de recursos educacionais abertos:
ocw.mit.edu/OcwWeb/web/about/about/index.htm
www.core.org.cn/ (China Open Resources for Education)
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Carlos Valente, Vicente Zanuy e Paulo Oliveira, obrigada pelos comentários!
Carlos, você toparia me dar uma entrevista sobre o seu livro para eu postar aqui no blog? Em caso afirmativo, me manda um e-mail: jacqueline.sobral@gmail.com.
Vicente, concordo com você! Não precisamos ser da geração Y para usufruir de todos os benefícios tecnológicos. Aliás, essa é outra discussão em voga: até que ponto os jovens de hoje conseguem contextualizar as informações a que têm acesso na internet?
Paulo, interessante! Não sei se você está exatamente na contramão. A tecnologia pode sim ser um ótimo instrumento para o aprendizado, trabalho e entretenimento. Mas temos que tomar cuidado para não virarmos escravo dela. Acho que você, pelo visto, sabe impor limites!
Fiquei tão animada com os comentários que decidi escrever mais sobre EAD e o Congresso.


























