Com a internet cada vez mais difundida ao redor mundo e o uso frequente de celulares para enviar mensagens, a interatividade entre as pessoas e o acesso à informação estão crescendo num ritmo acelerado. Os jovens têm passado boa parte de seu tempo em frente ao computador ou teclando seus celulares, principalmente para usar as redes sociais.
Nessas redes sociais (Facebook, Twitter, My Space, entre outras) é comum o uso de abreviações e gírias para facilitar e agilizar a comunicação entre os usuários. E, segundo pesquisa divulgada na última semana, em prol dessa rapidez, a linguagem usada na rede está prejudicando a ortografia dos estudantes.
O estudo feito pela Wake Forest University e pela Penn State University, ambas nos EUA, mostrou que o medo que os pais têm de os filhos serem prejudicados pela comunicação eletrônica é justificável. Alunos estão cometendo constantemente erros de ortografia e 11% dos entrevistados admitiram que a escrita acadêmica é prejudicada pelos hábitos adquiridos na internet.
O SRZD entrou em contato com a ex-professora e atual consultora de Língua Portuguesa no sistema SESI/FIRJAN, Leila Dias Carauta, para saber mais sobre o que pode ser feito por pais e professores para que esse problema acabe. Segundo Leila, a base para a melhora na ortografia é a leitura e os jovens têm lido cada vez menos.
"Os livros são a fonte da sabedoria, abrem horizontes e ensinam a compreender melhor o mundo a nossa volta". Na concepção da ex-professora, os pais podem e devem ajudar nesse problema, basta estimular os filhos à leitura. "Os pais devem dedicar um tempo do dia para fazer seus filhos lerem. Mas não é simplesmente mandar ler, é mostrar a eles o valor da leitura, é ler junto com eles e comentar aquilo que foi lido".
Adepta das redes sociais, a consultora de Língua Portuguesa revela que apesar de estar inserida num mundo onde predominam gírias e abreviações, respeita as regras gramaticais. "Uso muito o 'face', mas não posto nada com erros ortográficos, me policio, me cobro e releio o que escrevo, em respeito ao meu trabalho e à Língua Portuguesa que é rica e perfeita".
Quando ainda era professora, Leila disse que erros como "derrepente, simplismente, comcerteza" faziam parte de seu cotidiano. Até redações contendo abreviações e gírias ela chegou a corrigir.
A pesquisa também revelou um lado bom, onde 86% dos estudantes entrevistados acreditam que ter habilidade para escrever é importante para o sucesso na vida. Se os próprios alunos sabem da importância da escrita, basta que pais e professores alertem para os perigos que o uso exagerado da internet pode proporcionar e cobrar mais para que os atuais "assassinos" da Língua Portuguesa sejam futuros donos de cadeiras na Academia Brasileira de Letras.
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Essa é a verdade, que não só os jovens mas, as pessoas em geral fazem essa diminuição das palavras e chega a virá um hábito geral.