360: entre escolhas e consequências

Rod Carvalho | Cinema | 16/08/2012 16h54

Ir para direita ou para esquerda. Esperar cinco minutos, ou adiantar seu percurso em dez. Você tem idéia de como decisões ingênuas como essas podem acabar afetando a vida de alguém? Pois é, muitas pessoas não têm, fique tranqüilo, mas saiba você que é exatamente isso que faz o mundo girar.

- Veja o trailer do filme '360'

Em 360, novo longa de Fernando Meirelles que o SRZD assistiu essa semana, somos apresentados a vários tipos de personagens, com sexo, idade, cor e culturas diferentes, linkados devido a uma pequena corrente de eventos que faz o rumo de suas vidas seguirem diferentes direções. E tudo começa, simplesmente, quando um homem (Jude Law) toma a decisão de não trair sua mulher (Rachel Weisz). E esse é o momento que você se pergunta: mas, como assim? Falando francamente, todos nos tentamos ser boas pessoas, mas, quase sempre, acabamos percebendo nossas pequenas falhas, os pequenos erros, e travamos na hora de seguir em frente.

Porém, isso é algo super saudável e faz parte do nosso crescimento como seres humanos. Agora, mudar, achar que tem ou precisa mudar, isso já vai depender de pessoa pra pessoa. Eis a questão. E nessa premissa, se calcando na peça "Reino", de Arthur Schnitzler, e com o combustível especial de Peter Morgan como roteirista, Meirelles foi delineando seu filme.

Com um elenco de primeira categoria que, além de Jude e Rachel, é formado por nomes como Anthony Hopkins, Juliano Cazarré, Maria Flor, Moritz Bleibtreu, Jamel Debbouze, Ben Foster, Marianne Jean- Baptiste, entre outros, o resquícios de interpretações glamorosas se quer existem. Todos os personagens são extremamente reais e pungentes. Assim, a trama acaba se desenrolando com uma construção narrativa que destaca muitos diálogos afiados nos quais os personagens avaliam suas questões e suas essências, tanto de dentro para fora quanto de fora para dentro.

Percorrendo Vienna, Slovakia, Londres, Paris e o Colorado (EUA), certas tradições culturais acabam ganhando destaque reforçando a escolha do diretor em usar idiomas diferentes, mas de uma maneira singular. O filme acaba sendo do mundo, sobre o mundo.

Assim, fazendo com que as camadas da nossa psique fiquem em alta voltagem emocional, Meirelles nos brinda com mais um exemplar de um cinema feito com extrema categoria e muita elegância.

Comentários (1)

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Rufus

21/08/2012 00:21:31

Excelente crítica!

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