Adaptação do best-seller homônimo de Fernando Morais, "Corações Sujos" (2011) chega aos cinemas nesta sexta-feira, dia 17, com cara de produção hollywoodiana. O SRZD já assistiu e conta um pouquinho sobre esse longa dirigido por Vicente Amorim.
Baseada em fatos reais, a história do filme é ambientada no interior de São Paulo no período pós-Segunda Guerra Mundial e mostra os problemas enfrentados pela colônia japonesa. Segregados e oprimidos pelos brasileiros, sem falar uma palavra em português e sem acesso a nenhum jornal ou revista em sua língua, os imigrantes japoneses não podiam imaginar o que estava por vir após a assinatura do tratado de rendição do imperador japonês Hirohito ao general americano Douglas MacArthur.
A ignorância aliada ao nacionalismo exacerbado foi o combustível para a incredulidade na derrota do Japão e, consequentemente, para a instauração do caos e da violência que deixou muitas vítimas. Dessa forma, a comunidade foi dividida em dois grupos, os kachigumi (vitoristas) e os makegumi (derrotistas), chamados pejorativamente de "corações sujos". Considerados traidores por acreditar na derrota, muitos foram assassinados.
Esse capítulo esquecido na história brasileira é mostrado através do casal Takahashi (Tsuyoshi Ihara) e Miyuki (Takako Tokiwa). Dono de uma loja de fotografia, Takahashi é um homem comum que se torna um assassino frio ao ser "convocado" e incitado pelo Coronel Noboru Watanabe (Eiji Okuda), iniciando uma guerra fratricida. Enquanto sua esposa sofre em silêncio ao vê-lo assassinar homens inocentes e amigos da família.
Com uma narrativa arrastada em determinados momentos e um roteiro mediano, "Corações Sujos" é visualmente incrível. A fotografia de Rodrigo Monte, a montagem de Diana Vasconcelos e a direção de arte de Daniel Flaksman são excelentes e os grandes destaques desse filme.

Outro destaque também é o seu elenco, composto por atores brasileiros e japoneses, alguns deles veteranos, principalmente Tsuyoshi Ihara. O ator mostra competência para viver o protagonista dessa trama e é conhecido do grande público por seu trabalho em "Cartas de Iwo Jima" (Letters from Iwo Jima - 2006) de Clint Eastwood. Takako Tokiwa e Eiji Okuda também estão muito bem em cena. Tokiwa consegue expressar todo o sofrimento da personagem roubando as cenas em que aparece. E, Okuda, nem se fala. O ator está perfeito como o Coronel que faz tudo o que pode para evitar que a colônia descubra a verdade, inclusive falsificando jornais e documentos para "comprovar" a vitória do Japão.
"Corações Sujos" é uma produção de qualidade, um pouco cansativa de assistir e que pode não agradar à grande parte do público por ter cerca de 80 % de seus diálogos falados em japonês - ótima sacada de Vicente Amorim, diga-se de passagem, pois concede mais veracidade à trama.