
A primeira e única vez que comi o sobá foi em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. O sobá é uma espécie de ensopado japonês, originário da ilha de Okinawa, feito com macarrão e ingredientes vários. E, para quem não sabe, Campo Grande é uma das regiões do Brasil onde há uma imensa colônia japonesa. Vai daí, encontra-se o sobá em vários dos restaurantes japoneses espalhados pela cidade e, principalmente, nas barracas da Feira Central. A propósito, adorei o sobá.
Voltei ao Rio, na esperança de comer um sobá, mas nos restaurantes japoneses que costumo frequentar não há sobá, um prato bem tradicional do Japão e normalmente servido em restaurantes comandados por japoneses, preferencialmente familiares.
Amigos me aconselhavam a conhecer o Azumi, em Copacabana, e provar uma, ou alguma, das várias receitas de sobá do restaurante pequeno, simples e familiar da Rua Ministro Viveiros de Castro, ali no Posto 2. "Um restaurante japonês de culinária tradicional e caseira", com ele se autodefine, e que vem conseguindo, ao longo dos anos, manter as raízes da culinária oriental.
O tempo foi passando e nada de ir ao Azumi, até que, indo um dia do Centro para a Zona Sul, resolvi parar ali, em companhia de Isabella.
No caixa, quando não está lá foram pegando um ar e dando uma descansada, o sempre atento Sr. Isao Ohara (na foto acima, com a filha Alissa), patriarca da família que toca com dedicação, e atenção aos clientes, o restaurante. Curiosidade: quando chegou ao Brasil, e lá se vão muitos anos, o Sr. Ohara chegou justamente por Campo Grande, onde morou durante cerca de quatro anos.
Como era a minha primeira vez ali, chamei a maitre, Alissa, filha do Sr. Ohara, e passei para ela essa informação, chamando a atenção que estava ali para provar uma das receitas de sobá da casa, mas que, antes, gostaria de uma sugestão para "iniciar os trabalhos". 
Ela sugeriu um namero (R$ 35) de sardinha. E do que se trata?, perguntei. Um tartar de sardinha, foi a resposta. De sardinha?, me espantei. "Normalmente a gente faz de xerelete, mas como está na época da sardinha, e ela está muito fresca, aconselho vocês a experimentarem." E lá veio o namero de sardinha, sucesso total, uma delícia. Detalhe: o namero não está no cardápio.
Sobre o sobá (foto ao lado), me perguntou se eu queria sobá mesmo ou udon. E qual é a diferença? "O sobá é feito com macarrão de trigo sarraceno e o udon, com o de trigo branco. Ficamos com o sobá mesmo e fomos na sugestão principal da casa, o soba Azumi (R$ 40), feito com frango, cogumelo shimeji, legumes e ovo. Mais do que aprovado, uma delícia.
Alissa informa que é difícil encontrar o sobá no Rio porque só os restaurantes frequentados por japoneses, como é o caso do Azumi, mantêm o prato no cardápio.
E pelo Sr. Ohara fico sabendo que os japoneses comem o sobá como último prato, aconselhado para finalizar um jantar em que se consumiu alguma bebida alcoólica. "o carboidrato do macarrão e o caldo do sobá ajudam a neutralizar os efeitos do álcool", diz ele.
Isabella, porém, queria "comer ainda mais uma coisinha". Enquanto pensávamos em pedir um tempura tradicional de camarão, mas achávamos que seria um certo exagero, considerando o tamanho dos camarões, veio a sugestão: "por que vocês não experimentam o ebi mitsuba kakiage" (R$ 38), que vem a ser um tempura de camarão, só que menor, feito com ervas. Mais uma delícia.
Resumo da história: vou voltar para experimentar mais uma ou outra receita de soba, ou, quem sabe, de udon.




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