Saltar de asa-delta: é perigoso ou seguro esse esporte radical?

Redação SRZD | Rio+ | 15/08/2012 13h32

Foto: Reprodução de InternetNa última terça-feira, o instrutor de voo livre Wanderlei Nascimento Coelho, mais conhecido como Delei, de 35 anos, morreu enquanto fazia um salto duplo de asa-delta na Pedra Bonita, em São Conrado, Rio de Janeiro. Segundo a polícia, Delei esqueceu de prender o cabo de segurança e caiu do equipamento. No vídeo feito pelo instrutor, ele aparece conferindo todos os cabos de segurança da turista mas esquece de conferir os seus.

Caso semelhante aconteceu com a nutricionista Priscila Boliveira, 27 anos, que morreu em março desse ano após cair de uma altura de 20 metros, durante um voo duplo de parapente feito no mesmo local da última tragédia. Na época, concluíram que a queda foi ocasionada por uma falha no procedimento de montagem do equipamento e na checagem final.

Com o acidente recente, a falta de fiscalização em relação a esse tipo de voo e a sua comercialização veio à tona mais uma vez. A possível responsável pela fiscalização, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), se isenta de qualquer culpa pelos incidentes. Em nota enviada pela assessoria de imprensa ao site SRZD, o órgão do governo afirma que "em relação à fiscalização da comercialização da atividade, a diretoria da ANAC decidiu que, por ausência de definição normativa de 'modalidade de serviço aéreo' a que se equipararia a venda de voos livres, não cabe à Agência aplicar sanções em decorrência da comercialização desses voos".

Segundo a nota, "não há regulamento que trate da prática de esportes radicais, tais como parapente e asa delta", porque "parte do regulamento afeto à ANAC que citava o assunto foi revogado (RBHA 104 ), em maio de 2012". Quanto aos esquipamentos usados, a ANAC afirma que "os equipamentos utilizados para a prática de voo livre não são homologados pela Agência (por não cumprirem requisitos mínimos de projeto que ofereçam um nível adequado de segurança aos seus ocupantes)".

Um turista contatou o site SRZD, afirmando que ligou para o instrutor de voo Ronaldo, mais conhecido como Janjão, para saber sobre como esses saltos são feitos. O instrutor credenciado pela Associação Brasileira de Voo Livre (ABVL) e pelo Clube São Conrado de Voo Livre (CSCVL) disse que os equipamentos usados nos saltos foram fiscalizados no dia 8 de agosto e que são feitas vistorias de 6 em 6 meses para mantê-los dentro dos padrões de segurança. Ao ser questionado sobre a legalidade da comercialização do voo duplo, Janjão foi direto. "O turista, ou interessado em fazer um único voo, deve se cadastrar num voo de instrução, com o intuito de aprender sobre o esporte radical. Aí fazemos uma carteirinha no nome da pessoa como se ela fosse fazer um curso, mas na realidade você faz o seu salto e não precisa mais voltar para a 'aula'. No país de hipócritas em que vivemos é necessário fazer isso", concluiu Ronaldo.

Enquanto o "jeitinho brasileiro" prevalece e as entidades responsáveis pela fiscalização se veem de mãos atadas para exercer tal função, turistas e profissionais arriscam suas vidas num esporte radical ainda não regularizado no país.

Enterro do instrutor

O enterro do instrutor de voo livre, Wanderley Nascimento Coelho, será nesta quarta-feira às 14h, no cemitério São João Batista, em Botafogo. O corpo está na capela seis.

* colaboração: Marcelo Cardoso

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